A chegada das férias escolares altera a rotina de crianças e famílias em todo o país. Com mais tempo livre, atividades fora do cotidiano e, muitas vezes, menor supervisão direta, cresce também o risco de acidentes domésticos e em espaços de lazer. Especialistas alertam que cuidados simples podem reduzir significativamente esses perigos.
Segundo o pediatra e alergista do Hospital Santa Catarina–Paulista Josemar Lídio de Matos, o primeiro desafio das férias é conciliar diversão e segurança. “A gente tem aí esse desafio de entreter as crianças e ocupá-las no período de férias. As famílias acabam entrando em programações onde os pais tiram também suas férias e propõem alguma atividade extra para as crianças”, afirma. Para ele, a atenção deve começar pela escolha dos locais onde as crianças vão brincar.
“Se vai a um parquinho diferente, é preciso ver se é um parquinho em que os brinquedos estão conservados, são seguros, se tem um piso que absorve impacto em caso de queda. Se, eventualmente, a família frequentar clubes, hotéis, deve-se averiguar se oferecem sistemas de segurança, como rede nas janelas, proteção de piscinas para que os pequenos não caiam, se a área da piscina está isolada”, diz o médico.
Os riscos variam conforme a faixa etária. Em crianças de até 3 anos, os acidentes mais comuns estão relacionados a quedas dentro de casa. “É a queda do sofá, é a queda da cama. A família viaja para uma casa e aí, na hora de dormir, não vai ter o berço da criança. Ela dorme em uma cama mais alta, cai e bate a cabeça. São os traumas”, explica Matos.
Queimaduras e intoxicações também preocupam. “O bebê vai lá, puxa alguma coisa, puxa uma panela quente, puxa um prato que está com algo que acabou de sair do forno”, afirma o pediatra, ao citar ainda o risco da ingestão de produtos de limpeza deixados ao alcance das crianças.
Entre as crianças maiores, os acidentes estão frequentemente ligados a atividades que envolvem velocidade e impacto, como o uso de bicicletas, skates e patins. Nesses casos, Matos recomenda o uso de equipamentos de proteção. “E sempre sob supervisão de um adulto”, ressalta.
Ao alugar casas ou apartamentos para as férias, os pais devem observar se brinquedos disponíveis são adequados à idade da criança e se não apresentam peças pequenas que possam causar engasgo. “Se tiver um playground, deve-se verificar que brinquedos são aqueles, se estão bem conservados, se não têm risco de a criança escorregar, de o brinquedo quebrar enquanto ela estiver brincando e cair”, afirma.
Outro ponto de atenção são os locais com água, como piscinas e praias. O pediatra reforça que é essencial verificar se há proteção adequada e impedir o acesso das crianças sem acompanhamento. A pediatra Patricia Rolli, também do Hospital Santa Catarina, destaca que a vigilância precisa ser constante. “O acidente acontece em segundos. Basta um instante de desatenção para que a criança fique em perigo”, alerta.
Para crianças maiores, o diálogo é apontado como ferramenta central de prevenção. Segundo Matos, os pais devem explicar previamente como agir em situações de risco, como em passeios a shoppings ou locais movimentados. “Esse hábito cotidiano deve ser posto em prática nas férias, porque é uma coisa que foge da rotina”.
Patricia Rolli reforça que o exemplo dos adultos é determinante. “Quando os adultos seguem regras de segurança no trânsito e na hora do lazer, as crianças reproduzem esse comportamento naturalmente. Ensinar como agir em situações de risco, como pedir ajuda, reconhecer perigos e memorizar números de emergência, também contribui para uma rotina mais segura”, afirma.
Na praia, por exemplo, a orientação é respeitar a sinalização dos guarda-vidas e explicar seu significado às crianças. “O adulto também não pode desobedecer a placa. Isso ajuda bastante. É o adulto dando o exemplo”, diz Matos.
Outra recomendação é estabelecer pontos de referência e orientar a criança a não se afastar muito do local combinado. Para facilitar a identificação em ambientes cheios, Patricia Rolli sugere o uso de roupas chamativas. “Uma criança com uma roupa em um tom pastel meio que se apaga na água, na areia. É muito mais difícil de o adulto localizar à distância”, explica. “Por isso, é importante usar cores bem fortes e chamativas, para que ela esteja sempre no radar do adulto responsável”.
Com informações e imagem da Agência Brasil

















