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márcio pereira - atualizado certo

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O Brasil vive um momento de redefinição estratégica. A nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI 2024-2034), apresentada nesta terça-feira (10/2) em cerimônia na FIRJAN no Rio Janeiro, não é apenas um documento técnico; é um manifesto pela soberania e pelo desenvolvimento sustentável. Em um cenário global marcado por disputas geopolíticas tecnológicas e pela urgência da transição climática, a ciência deixou de ser um apêndice do orçamento para se tornar o motor central da economia. Para estados como Mato Grosso do Sul, essa agenda não é apenas uma oportunidade, mas uma necessidade imperativa para consolidar sua posição de destaque no cenário nacional. O estado também precisa elaborar e implementar sua estratégia local de ciência, tecnologia e inovação, que evidencie suas áreas de conhecimento associadas ao desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Nos últimos anos, nosso estado demonstrou avanços importantes no campo da inovação. Segundo o Ranking de Competitividade dos Estados (CLP 2025), Mato Grosso do Sul ocupa a 4ª posição nacional no indicador de bolsas de mestrado e doutorado. No indicador de empresas de Alto Crescimento, MS subiu 6 posições em relação a 2024, alcançando a 6ª colocação, indicando um ambiente favorável ao surgimento e expansão de negócios dinâmicos, o que reflete o amadurecimento do nosso ecossistema. Mato Grosso do Sul demonstra um ecossistema de inovação em maturação. O avanço de três posições no ranking do pilar de inovação reflete melhorias consistentes em quase todos os indicadores, especialmente na infraestrutura de apoio e no dinamismo empresarial. A base acadêmica (bolsas e pesquisa) é o grande pilar de sustentação, enquanto o desafio reside em converter essa excelência em maior volume de patentes e serviços de tecnologia da informação.

O mesmo desempenho é apontado pelo ranking do Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento (IBID) de 2025, onde o estado ocupa a 10ª posição. Esse progresso é sustentado por números robustos: o investimento em bolsas e projetos de pesquisa e inovação tecnológica, o que demonstra o compromisso do estado com a produção de conhecimento. Além disso houve um salto das startups em atividade no estado atingindo ao redor de 600, conforme informações do Sebrae Startups, tornando Mato Grosso do Sul destaque nacional.

No entanto, para que esse crescimento não seja apenas passageiro, mas uma trajetória sustentada, é necessário consolidar nossos marcos legais. Mato Grosso do Sul deu um passo histórico com a sanção da Lei nº 6.380, de 30 de dezembro de 2024. Especialistas jurídicos são unânimes: é considerada uma das legislações de CT&I mais avançadas do país. A lei institui o Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI/MS) e cria instrumentos fundamentais como o Conselho Estadual (CCT&I/MS)e o Fundo Estadual (FUNECTI).

O desafio agora reside na regulamentação. Embora a lei exista e seja moderna, dispositivos cruciais ainda aguardam implementação. A criação efetiva do Conselho Estadual é essencial para que a governança da política de inovação seja participativa e estratégica. Da mesma forma, o FUNECTI, que já possui previsão orçamentária de R$ 1 milhão anual para o próximo triênio, precisa de regulamentação para que seus recursos cheguem com agilidade à ponta: aos pesquisadores, às startups e às empresas que transformam ciência em emprego e renda.

O fortalecimento da agenda de CT&I é o caminho mais curto para a redução das desigualdades regionais e para a construção de uma economia de alto valor agregado, baseada na biodiversidade e na inteligência sul-mato-grossense.

A experiência nacional mostra que estados que investem em governança e fundos estáveis de CT&I, assim como a FAPESP no Estado de São Paulo, são os que melhor resistem às crises e lideram as transformações industriais. Mato Grosso do Sul, com sua vocação para o agronegócio e bioeconomia e recursos humanos altamente qualificados para pesquisa e desenvolvimento tecnológicos presentes Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação, tem tudo para ser o protagonista dessa nova era da ciência e inovação no país. A regulamentação da Lei nº 6.380/2024 não é apenas um rito burocrático; é o selo de compromisso com o futuro. É hora de transformar o papel em prática e garantir que a ciência seja, definitivamente, o alicerce do nosso desenvolvimento.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Márcio Pereira

Márcio Pereira

Administrador de Empresas, Doutor em Desenvolvimento Rural (UFRGS). | @marcio.araujo.pereira

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