Tenho passado alguns dias visualizando textos escritos nos mais variados veículos de comunicação (televisão, sites, rádio, redes sociais) e uma característica em comum me chamou a atenção: o gptlismo (doença do excesso de GPT) desses textos.
Claro que esta é uma palavra nova, criada por mim justamente para tangibilizar um debate ainda mais profundo sobre a real influência da inteligência artificial nos profissionais de comunicação e qual impacto isso pode nos gerar no futuro.
Hoje, todo mundo é capaz de ler um texto e perceber que ele tem traços robóticos. Seja na abertura e no encerramento das frases, seja na construção de gatilhos, seja na negação e afirmação. São traços e vestígios de uma certa preguiça ou falta de tempo que têm predominado na comunicação brasileira.
Até textos para familiares têm sido alvo do famoso gptlismo. Mensagens de parabéns, notas de pesar, até a zueira no “zap da família”, tudo passa pelo crivo da inteligência artificial.
Aqui vai um alerta que nós, profissionais da comunicação, devemos fazer. Não condeno o uso da ferramenta, de forma nenhuma. Inclusive, este texto foi escrito por mim de forma híbrida, com apoio cognitivo da inteligência artificial. Só que não podemos deixar ela nos dominar, reduzir nosso poder criativo e de comunicação a cinzas por um leve conformismo.
Temos que resistir ao texto mal construído, valorizar a escrita bem pensada, com construção de ideias parágrafo por parágrafo.
Aqui vão 3 antídotos para você evitar ser contaminado por esse vírus:
1) Crie um esqueleto textual.
Antes do GPT, eu escrevia minhas matérias de forma simples, dividindo tudo em tópicos, sem correções, sem lapidar nada. Deixava as ideias fluírem, pensando na percepção que as pessoas teriam daquele conteúdo. Isso ajudava muito.
Você pode fazer o mesmo com o GPT. Use e abuse da ferramenta, mas direcione claramente para aquilo que você deseja escrever.
2) Encaminhe para ela exemplos da sua escrita.
Faça um prompt com detalhes. A inteligência artificial que me apoia tem como referência textos meus desde muito novo até hoje: como foi meu desenvolvimento intelectual nesse período e como isso pode ser aplicado no dia a dia.
3) Revise tudo antes de enviar ou publicar.
Pelo amor de Deus, não copie o texto do GPT e poste direto nas redes sociais, sites etc. Leia mais de uma vez, revise, corrija, dê a sua cara ao texto. Se você instruir bem a máquina, ela vai redigir o que você deseja comunicar.
Usar a inteligência artificial hoje é fundamental para escalar e gerar resultados. Mas precisamos usá-la com sabedoria e inteligência, sem perder aquilo que nos faz únicos: nosso poder de se comunicar.
















