O polo florestal de Ribas do Rio Pardo, conhecido como Vale da Celulose, consolida sua posição como motor econômico de Mato Grosso do Sul enquanto amplia sua base produtiva com novas culturas, como citrus e amendoim.
Com mais de 460 mil hectares de florestas plantadas, o município lidera a expansão da silvicultura no país e simboliza uma mudança no perfil produtivo do Estado: crescimento sustentado pela indústria de celulose, agora combinado à diversificação agrícola.
A estratégia foi destacada pelo secretário estadual Jaime Verruck, da Semadesc, durante a abertura da ExpoRibas 2026, realizada nesta semana. Segundo ele, o avanço do setor ocorre em paralelo à conversão de áreas de pastagens de baixa produtividade em lavouras, florestas plantadas e cana-de-açúcar.
Nos últimos 15 anos, a área de florestas plantadas no Estado saltou de 341 mil hectares para cerca de 1,9 milhão — crescimento de 565%. Hoje, Mato Grosso do Sul concentra a segunda maior área de eucalipto do país e respondeu por cerca de 80% da expansão nacional do setor em 2024.
A indústria acompanha esse ritmo. Ribas do Rio Pardo abriga a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, inserida em um corredor produtivo que inclui municípios como Três Lagoas, Água Clara, Brasilândia e Inocência.
Ao todo, mais de 18 municípios possuem operações florestais. A cadeia produtiva gera cerca de 20 mil empregos diretos e 12 mil indiretos, além de responder por 17,8% do PIB industrial sul-mato-grossense. Outro destaque é a autossuficiência energética, com produção superior a 780 megawatts de energia limpa.
Paralelamente, o Estado aposta em sistemas integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), e em ferramentas de gestão, como o MS Agrodata, para monitorar e regular a produção com foco em sustentabilidade.
A diversificação, no entanto, é vista como o próximo passo. O avanço da citricultura e do cultivo de amendoim indica uma tentativa de reduzir a dependência de um único setor e ampliar as oportunidades no campo.
As políticas públicas também se alinham a metas ambientais mais amplas. O Estado projeta neutralizar as emissões de carbono até 2030, em consonância com diretrizes da ONU, ao mesmo tempo em que mantém cerca de 38% do território com vegetação nativa.
Apesar do cenário favorável, desafios persistem. Gargalos logísticos, necessidade de qualificação profissional, inovação tecnológica e gestão de recursos hídricos estão entre os pontos de atenção apontados pelo governo.
A ExpoRibas 2026, que segue até o dia 21, reúne produtores, empresários e gestores públicos para discutir justamente esses entraves e as oportunidades abertas pelo novo ciclo de crescimento.
A aposta do Estado é clara: manter o protagonismo da celulose enquanto diversifica a produção agrícola — combinação que pode redefinir o papel de Mato Grosso do Sul no agronegócio nacional.





















