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Emprestar o nome para familiares ou amigos continua sendo uma prática comum no país, mas com alto risco para o bolso. Pesquisa da Serasa em parceria com o instituto Opinion Box revela que 6 em cada 10 brasileiros já cederam o CPF para terceiros. Entre esses, 34% acabaram endividados após o não pagamento das dívidas assumidas.

O levantamento também mostra que 29% dos entrevistados que recorreram a esse tipo de ajuda financeira se arrependeram da decisão e afirmam que não fariam novamente. Na maioria dos casos, o pedido parte de pessoas próximas: 60% emprestaram o nome para familiares, 31% para amigos, 14% para colegas de trabalho, 11% para parceiros e 3% para outras pessoas.

“Na prática, emprestar o nome significa viabilizar o acesso ao crédito, seja por meio de cartões, empréstimos, financiamentos ou parcelamentos. Mesmo sem utilizar diretamente o recurso, a responsabilidade legal pela dívida é integralmente de quem cede o CPF”, explica Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira. “Isso pode comprometer o orçamento, afetar o histórico de crédito e, em casos mais críticos, levar à inadimplência, com impactos que vão além do aspecto financeiro”.

Inadimplência amplia riscos

A prática ocorre em um cenário de alta inadimplência no país. Segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, de março de 2026, mais de 82,8 milhões de brasileiros estão com contas em atraso, somando cerca de 338 milhões de dívidas. Quase metade desse total está concentrada em bancos e instituições financeiras.

Em Mato Grosso do Sul, o cenário também preocupa. Mais de 1,2 milhão de pessoas estão inadimplentes, com cerca de 5,9 milhões de dívidas que totalizam aproximadamente R$ 10,5 milhões. Desse volume, 29,21% estão ligadas a bancos, 19,06% a financeiras e 15,09% a contas básicas, como água, energia e gás.

“Embora não seja possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito, o empréstimo do nome pode ampliar a exposição ao risco em um cenário já pressionado pela inadimplência. Mesmo quando há confiança, imprevistos financeiros são comuns e podem transferir integralmente o impacto para quem assumiu formalmente a dívida”, afirma Aline.

Relações pessoais e impacto financeiro

Especialistas apontam que, além do impacto no orçamento, a prática pode gerar desgaste em relações pessoais. Isso porque, ao assumir formalmente a dívida, o titular do CPF passa a responder legalmente por ela, independentemente de quem utilizou o crédito.

Para evitar prejuízos, a orientação é avaliar com cautela antes de aceitar o pedido, entender as condições da dívida, como prazos, juros e encargos, e considerar os efeitos no próprio planejamento financeiro. Também é recomendável analisar o histórico de quem solicita o empréstimo e os motivos que levaram à negativa de crédito.

“Existem maneiras de apoiar alguém sem comprometer o próprio orçamento. Proteger a própria saúde financeira também é uma forma de cuidar das relações, evitando que um gesto de ajuda se transforme em um problema duradouro”, conclui a especialista.

A pesquisa ouviu 1.003 pessoas entre os dias 8 e 16 de outubro de 2025 e tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais.

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