Queda de cabelo pode estar ligada a fatores hormonais, emocionais e até doenças, e exige atenção quando foge do padrão habitual
A queda de cabelo costuma ser tratada como uma questão estética, ligada à aparência e à autoestima. No entanto, quando foge do padrão habitual, pode indicar que algo no organismo não está funcionando como deveria. Em muitos casos, a perda dos fios está associada a fatores hormonais, emocionais ou até a outras condições de saúde, o que torna a atenção aos sinais ainda mais importante.
Conhecida como alopecia, a condição é um termo amplo que se refere a diferentes formas de perda capilar. “Alopecia é um termo que remete a qualquer tipo de perda de cabelo”, explica a dermatologista especialista em saúde capilar da Clínica Sanabria, Dra. Jaqueline Zmijevski. De forma geral, é dividida em dois grandes grupos: as cicatriciais, em que a perda dos fios é definitiva, e as não cicatriciais, que podem ser revertidas com o tratamento adequado, especialmente quando diagnosticadas precocemente.
Entre os tipos mais conhecidos estão a alopecia androgenética, popularmente chamada de calvície, e a alopecia areata. Embora recebam o mesmo nome geral, cada uma apresenta características próprias e se diferencia pela forma como afeta o folículo capilar e o ciclo de crescimento dos fios, o que também influencia diretamente na evolução e nas possibilidades de tratamento.
De acordo com a dermatologista os quadros podem ter origens variadas e, por isso, exigem avaliação individualizada.
Quando a queda preocupa
Embora seja comum perder cabelo ao longo do dia, é preciso atenção quando há mudanças nesse padrão. “A queda de cabelo precisa ser investigada quando o paciente começa a perceber alterações no padrão de queda”, orienta a dermatologista. Fios caindo em maior quantidade, afinamento, falhas visíveis no couro cabeludo ou sintomas como coceira, dor e ardência são sinais de alerta. Nesses casos, a recomendação é buscar avaliação especializada para investigar a causa e iniciar o tratamento, se necessário.
As causas da alopecia são variadas e dependem do tipo da condição. Fatores emocionais, como estresse e ansiedade, podem atuar como gatilhos para a queda capilar. Alterações hormonais também têm papel importante, especialmente na alopecia androgenética. Além disso, doenças autoimunes, principalmente as relacionadas à tireoide, podem estar associadas à perda de cabelo. A médica explica que o folículo piloso possui receptores hormonais que podem sofrer influência e interferir diretamente na produção dos fios.
Apesar da influência genética, ter casos na família não significa, necessariamente, que a pessoa desenvolverá alopecia, já que a herança envolve múltiplos genes. Embora a condição seja mais comum em adultos de meia-idade, tem sido cada vez mais frequente o surgimento de casos em pessoas mais jovens, especialmente relacionados à calvície. A alopecia também pode se manifestar de forma diferente em homens e mulheres, com particularidades tanto no diagnóstico quanto no tratamento no caso feminino.
Mais do que uma questão física, a alopecia pode afetar diretamente a saúde emocional. A perda de cabelo interfere na autoimagem e pode comprometer a autoestima, a confiança e a segurança nas relações interpessoais.
Tratamento e cuidados
O tratamento varia conforme o tipo de alopecia e pode incluir medicamentos tópicos ou orais, além de terapias realizadas diretamente no couro cabeludo, como microagulhamento, laser e técnicas regenerativas. Nos casos de alopecia cicatricial, o objetivo é impedir a progressão da queda. Já nas formas não cicatriciais, é possível recuperar os fios, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente.
Algumas crenças populares não têm comprovação científica. Usar boné ou lavar o cabelo todos os dias, por exemplo, não causam queda, explica a Dra. Jaqueline. Já procedimentos químicos podem danificar os fios e levar à quebra, o que pode ser confundido com perda capilar.
A dermatologista destaca que o cabelo é um marcador de saúde e que a queda pode estar associada a doenças sistêmicas, o que reforça a importância da investigação precoce tanto para a preservação dos fios quanto para a saúde como um todo.





















