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Medida do CMN entra em vigor em maio e limita operações a indicadores econômicos e financeiros

Apostas sobre temas como esportes, política e entretenimento deixarão de ser permitidas em plataformas de mercado de previsões no Brasil a partir de 4 de maio. A medida foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e busca estabelecer regras mais claras para esse tipo de atividade, além de fechar brechas regulatórias.

Com a mudança, passam a ser autorizados apenas contratos vinculados a indicadores econômicos e financeiros, como inflação, taxa de juros, câmbio e preço de commodities, bens primários com cotação internacional.

As novas regras estão na Resolução nº 5.298, aprovada na noite de quinta-feira (23) pelo CMN e divulgada nesta sexta-feira (24).

Como funcionam os mercados preditivos

O chamado mercado preditivo opera como uma espécie de negociação sobre eventos futuros. Os participantes compram e vendem contratos baseados em perguntas objetivas, como “Vai acontecer ou não?”.

Caso o evento se concretize, quem apostou recebe; se não ocorrer, há perda. Diferentemente das apostas tradicionais, em que empresas definem regras e pagam prêmios, nesses mercados os próprios usuários negociam entre si. Os contratos são classificados como derivativos, ou seja, investimentos cujo valor depende de acontecimentos futuros.

O que fica proibido

Com a nova regulamentação, ficam vedados contratos relacionados a:

  • Resultados de jogos esportivos
  • Eleições e temas políticos
  • Reality shows e entretenimento
  • Eventos sociais ou culturais

Na prática, a maior parte dos conteúdos populares nessas plataformas deixa de ser permitida. A proibição também se aplica a empresas estrangeiras que ofereçam esse tipo de serviço a usuários no Brasil.

O que continua permitido

Seguem liberadas negociações envolvendo variáveis econômicas, como:

  • Taxa de juros
  • Inflação
  • Câmbio
  • Preço do petróleo e outras commodities

Essas operações permanecem sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável por regular o mercado financeiro.

Motivo da decisão

O governo passou a considerar que apostas sobre eventos não financeiros funcionam, na prática, como jogos de azar, e não como instrumentos de investimento.

Nesses casos, a atividade deve seguir as regras das chamadas bets, que exigem licença do Ministério da Fazenda, pagamento de taxas e adoção de mecanismos de proteção ao jogador. Sem esses requisitos, os mercados preditivos eram vistos como concorrência irregular.

Impactos

A decisão reduz o espaço de atuação de plataformas de previsões no país, especialmente as que operavam com temas como eleições e eventos globais. Ao mesmo tempo, o governo afirma que a medida busca reduzir riscos para investidores, conter a especulação e organizar um setor que vinha crescendo sem regulamentação específica.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) será responsável por detalhar as normas complementares e fiscalizar o cumprimento das novas regras.

*Informações e imagem: Agência Brasil

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