O consumo nos supermercados brasileiros cresceu 1,92% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados. O avanço reflete, principalmente, o aumento das compras em março, impulsionado pela Páscoa e pela maior circulação de renda na economia.
Na comparação mensal, março registrou alta de 6,21% em relação a fevereiro. Já frente ao mesmo mês de 2025, o crescimento foi de 3,20%. Os dados consideram a inflação medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que calcula o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Segundo a Abras, o desempenho de março está ligado tanto ao calendário, com a antecipação das compras para a Páscoa, quanto ao aumento da renda disponível. Programas como o Bolsa Família, que transferiu R$ 12,77 bilhões a 18,73 milhões de famílias, e os pagamentos do PIS/Pasep, que injetaram cerca de R$ 2,5 bilhões, contribuíram para elevar o consumo.
Apesar do aumento nas vendas, o custo da cesta de compras também subiu. O indicador Abrasmercado, que acompanha preços de 35 produtos de consumo frequente, registrou alta de 2,20% em março. Com isso, o valor médio da cesta passou de R$ 802,88 para R$ 820,54.
Entre os itens que mais pressionaram o orçamento das famílias estão alimentos básicos e in natura. O feijão teve alta de 15,40% no mês e acumula avanço de 28,11% no trimestre. O leite longa vida subiu 11,74% em março, enquanto tomate (+20,31%), cebola (+17,25%) e batata (+12,17%) registraram aumentos expressivos, refletindo fatores sazonais e de oferta.
No grupo das proteínas, os preços também avançaram, com destaque para ovos (+6,65%) e carne bovina. Em contrapartida, produtos como açúcar refinado, café, óleo de soja e arroz apresentaram queda.
A elevação dos preços atingiu todas as regiões do país. O Nordeste registrou a maior alta em março (2,49%), seguido por Sudeste (2,20%), Sul (1,92%), Centro-Oeste (1,83%) e Norte (1,82%).
Para o segundo trimestre, a expectativa do setor é de continuidade do crescimento no consumo, impulsionado por novos ingressos de renda, como a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS e a restituição do Imposto de Renda.
Apesar do cenário favorável à demanda, a entidade alerta para possíveis pressões nos preços de alimentos, influenciadas por fatores como custo de transporte, clima e variações no mercado internacional.
Com informações e imagem da Agência Brasil




















