Número de consumidores negativados cresceu mais de 10% em um ano no estado, acima da média nacional; maioria dos inadimplentes volta ao cadastro de restrição de crédito
O número de consumidores inadimplentes em Mato Grosso do Sul voltou a crescer e acendeu um alerta no comércio e no setor produtivo. Dados do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), referentes a abril de 2026, mostram que a quantidade de devedores no estado aumentou 10,07% em relação ao mesmo período do ano passado, índice superior à média nacional, de 9,25%, e também acima da registrada na região Centro-Oeste, de 6,66%.
Na comparação entre março e abril deste ano, a inadimplência avançou 1,47% em Mato Grosso do Sul, quase três vezes mais do que a média regional.
Para a presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS), Inês Santiago, os números refletem o agravamento da situação financeira das famílias sul-mato-grossenses.
“São números bastante preocupantes. A federação vê com grande preocupação porque tivemos um aumento de mais de 10% no número de endividados nas famílias sul-mato-grossenses, acima da média nacional e muito acima da média do Centro-Oeste”, afirma.
Além do aumento no número de consumidores negativados, o volume de dívidas em atraso também apresentou crescimento expressivo. Em um ano, a alta foi de 20,84%, novamente acima dos índices nacional e regional.
Segundo o levantamento, cada consumidor inadimplente acumula, em média, 2,4 dívidas, com valor médio de R$ 5.994,67.
Outro dado que chama atenção é o tempo de permanência na inadimplência. Em média, os consumidores sul-mato-grossenses ficam 28,4 meses com dívidas em aberto. Mais de um terço dos inadimplentes permanece nessa condição entre um e três anos.
“Cada consumidor tem, em média, 2,4 dívidas e cada uma delas gira em torno de R$ 5,9 mil, valor muito acima da média salarial do trabalhador em Mato Grosso do Sul. Isso mostra o tamanho da dificuldade enfrentada pelas famílias”, pontua Inês Santiago.
Reincidência cresce e recuperação diminui
Os dados do SPC Brasil também apontam dificuldade crescente na recuperação financeira dos consumidores. Em abril, 87,62% das negativações foram de consumidores reincidentes, ou seja, pessoas que já haviam enfrentado restrições de crédito nos últimos 12 meses.
No acumulado de um ano, o número de reincidentes cresceu 11,85%, indicando que muitos consumidores conseguem regularizar dívidas temporariamente, mas acabam retornando ao cadastro de inadimplentes.
Ao mesmo tempo, o número de pessoas que conseguiram quitar débitos caiu 7,84% nos últimos 12 meses, desempenho pior do que o registrado nacionalmente.
Para Inês Santiago, o cenário mostra que os programas de renegociação têm conseguido aliviar os efeitos imediatos da inadimplência, mas não resolvem as causas do problema.
“Hoje, 87% dos endividados voltaram para o banco de negativação. Isso mostra que os programas acabam atacando o efeito, mas não a causa do problema. O consumidor até sai da inadimplência, mas volta rapidamente porque o ambiente econômico continua difícil, o crédito continua caro e a carga tributária segue pesada”, destaca.
Faixa etária de 30 a 39 anos concentra maior número de dívidas
A faixa etária entre 30 e 39 anos concentra cerca de um quarto dos inadimplentes em Mato Grosso do Sul, segundo o SPC Brasil. A distribuição entre homens e mulheres é equilibrada, com leve predominância masculina.
Entre os setores credores, o sistema financeiro lidera com folga. Os bancos concentram 64,69% das dívidas registradas no estado.
Diante do avanço da inadimplência, a FCDL-MS defende medidas voltadas à educação financeira, ampliação das condições de renegociação e estímulos econômicos que permitam às famílias recuperar o poder de compra e reorganizar as finanças.























