Quero iniciar esta coluna utilizando o título da música “Que país é este”. Há exatamente 48 anos, Renato Russo escreveu essa música profundamente crítica em relação à corrupção sistêmica no Brasil, à impunidade, à desigualdade social e a ausência de perspectivas em relação à política brasileira.
Em 30 de novembro de 1987, num período de redemocratização no país, a banda de rock “Legião Urbana” lança essa música em um de seus álbuns e faz o maior sucesso.
A primeira estrofe diz: “Nas favelas, no senado. Sujeira pra todo lado. Ninguém respeita a constituição. Mas todos acreditam no futuro da nação”. Essa letra, embora escrita há quase meio século, retrata o que exatamente vivenciamos hoje em nossa nação. Porém, essa “sujeira” descrita por Renato Russo tornou-se sistêmica, ou seja, todas as instâncias de nosso país estão afetadas pela corrupção. Extrapolou o ambiente político, as instituições e se espalhou por toda a sociedade. Está cada vez mais difícil identificar quem é joio e quem é trigo. Ainda bem que sempre existirão os remanescentes que não se curvarão às falcatruas já estabelecidas em nosso país.
Às vezes me pego a pensar: Por que uma nação escolheria os chamados “seus representantes” para no final serem subjugados por tantas leis, decretos e normas sem nenhum retorno plausível?
De acordo com o Atlas Violência 2025, o Brasil registrou uma taxa de 21,2 homicídios por 100 mil habitantes. Superior a países em guerra ou conflitos como Rússia, Israel, Líbano, Haiti e Nigéria (revistaoeste.com/politica/). O Brasil possui uma carga tributária correspondente aos países ricos (34%), porém o retorno à população em qualidade de serviços é um dos piores do mundo (ospcontabilidade.com.br). Entre os 40 países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil está entre os 10 países que menos investem na educação. (g1.globo.com) e prova disso são os resultados das avaliações internacionais aplicadas em estudantes brasileiros (PISA). A última publicada em 2023, o Brasil manteve-se entre os piores resultados em relação aos 80 países participantes, ocupando, assim, as últimas posições em matemática (65°), leitura (52°) e ciências (62°). (Dados publicados pelo INEP/resultado do PISA/22). O que dizer de resultados em relação à saúde, segurança pública, mobilidade, estruturas e tantos outros?
Infelizmente os recursos previstos no orçamento até são liberados, porém não chegam inteiros ao final da linha; acabam perdendo-se pelo meio do caminho.
Jesus disse a um jovem rico que o procurou na calada da noite para que não fosse visto pelas pessoas: “Falta-lhe uma coisa” (Marcos 10:21). Assim como “essa uma coisa que faltava” àquele jovem, para nós brasileiros, que desejamos ver um país que valha a pena viver nele, e não somente sobreviver, “o que está nos faltando” é educação. Refiro-me à educação tanto no seu sentido amplo quanto no seu sentido restrito.
O fluxo normal do plantio é: toda semente plantada germinará e dará fruto, seja ela boa ou ruim. Portanto, chegamos a um limite onde a reflexão, a avaliação e as tomadas de decisões serão necessárias. Precisamos voltar aos passos que já demos antes e identificarmos onde os nossos valores e princípios como pessoas, como cidadãos se perderam. Certo é que vivemos uma crise profunda em nossa sociedade em relação à ética, à moral, ao respeito e corresponsabilidade. E o único caminho humanamente falando está na educação, tanto familiar quanto escolar.
Cabe às instituições públicas e privadas, como também, a todos os grupos religiosos, associações de bairro e, principalmente as famílias, escolas e universidades produzirem debates profundos, sem viés político, para identificarmos e tratarmos os pontos que estão sendo prejudiciais à nossa sociedade como um todo. Afinal, todos queremos viver com dignidade e segurança. Jesus afirmou que “nenhuma casa dividida contra ela mesma, prosperará” (Mateus 12:25), ou seja, nenhuma nação dividida contra ela mesma prosperará.
O que vamos escolher?
Continuarmos entre os primeiros nos rankings negativos em relação aos países desenvolvidos ou buscarmos fazer parte dos rankings positivos como uma sociedade sustentável que proporciona dignidade e segurança a seus cidadãos?! Que esta frase de Renato Russo continue a ecoar em nossas mentes: “Mas todos acreditam no futuro da nação” É possível…Se nos levantarmos e fizermos alguma coisa. A sugestão foi dada.

















