Alta de 1,2% em abril foi puxada principalmente pelos setores de transporte e turismo; resultado interrompe sequência de estagnação iniciada no fim de 2025
O setor de serviços brasileiro voltou a registrar crescimento em abril e interrompeu um período de seis meses sem expansão. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de serviços prestados no país avançou 1,2% em relação a março, impulsionado principalmente pelo transporte aéreo de passageiros e pela recuperação das atividades ligadas ao turismo.
O resultado representa a maior alta mensal desde outubro de 2024 e recoloca o setor próximo do maior nível já registrado na série histórica iniciada em 2011.
Considerado um dos principais motores da economia brasileira, o segmento reúne atividades como transporte, tecnologia da informação, telecomunicações, restaurantes, hotéis, salões de beleza, serviços administrativos e profissionais. Juntos, esses setores respondem por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Na comparação com abril do ano passado, o crescimento foi de 1,9%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a expansão alcançou 2,9%.
Apesar do avanço, o IBGE avalia que ainda é cedo para afirmar que o setor entrou em uma trajetória consistente de crescimento.
“O setor de serviços se mantém operando em patamar elevado, mas sem uma tendência claramente definida de alta ou de queda”, explicou o analista da pesquisa, Rodrigo Lobo.
Transporte lidera recuperação
Entre os cinco grandes grupos pesquisados pelo IBGE, todos apresentaram desempenho positivo em abril.
O destaque ficou para o segmento de transportes, armazenagem e correios, que cresceu 0,9% no período e teve o maior impacto sobre o resultado geral. O setor representa mais de um terço de toda a atividade de serviços no país.
Segundo o IBGE, a recuperação foi impulsionada principalmente pelo transporte aéreo de passageiros, que avançou 7% após dois meses consecutivos de retração.
A queda nos preços das passagens aéreas ajudou a estimular a demanda. Enquanto fevereiro e março registraram aumento acumulado de 18,4% nas tarifas, abril apresentou redução de 14,45%, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O volume de passageiros transportados cresceu 2,6% no mês. Já o transporte de cargas teve recuo de 0,9%.
Turismo também acelera
Outro destaque foi o turismo. O índice de atividades turísticas avançou 4,1% em abril na comparação com março, registrando um dos melhores desempenhos do setor neste ano.
O resultado mantém o turismo em um patamar 11,2% superior ao registrado antes da pandemia de covid-19, embora ainda permaneça 2,2% abaixo do recorde histórico alcançado em dezembro de 2024.
O indicador reúne atividades como hospedagem, agências de viagens, transporte aéreo de passageiros, alimentação e eventos.
Especialistas apontam que a redução das passagens aéreas, aliada à maior circulação de pessoas em viagens de lazer e negócios, contribuiu para o crescimento observado no período.
Todos os segmentos avançam
Além dos transportes e do turismo, os demais grupos pesquisados pelo IBGE também apresentaram resultados positivos em abril:
- Serviços prestados às famílias: alta de 1,4%;
- Informação e comunicação: crescimento de 0,5%;
- Serviços profissionais, administrativos e complementares: avanço de 0,4%;
- Outros serviços: expansão de 2,2%.
O desempenho disseminado entre diferentes atividades é visto como um sinal positivo para a economia, uma vez que demonstra recuperação em diversos segmentos simultaneamente.
Setor segue próximo do recorde
Mesmo após meses de oscilações, o volume de serviços no Brasil permanece apenas 0,3% abaixo do recorde histórico registrado em outubro de 2025.
O resultado reforça a resiliência de um setor que continua sendo um dos principais sustentáculos da atividade econômica brasileira em um cenário marcado por juros elevados e desafios no consumo das famílias.
Para os próximos meses, economistas acompanharão se a recuperação observada em abril representa o início de uma nova trajetória de crescimento ou apenas uma recuperação pontual após o período de estabilidade registrado desde o final do ano passado.
Com informações e imagem da Fecomércio/MS




















