Termômetro do Varejo mostra crescimento acima da média nacional, mas setor enfrenta pressão dos preços, perda de empregos e desaceleração dos serviços
O comércio de Mato Grosso do Sul mantém um ritmo de crescimento superior ao restante do país em 2026, mas os sinais de desaceleração da economia começam a aparecer. Dados divulgados pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS) mostram que as vendas seguem em alta, porém a inflação voltou a ganhar força, o setor de serviços perdeu fôlego e o comércio continua registrando fechamento de vagas formais.
Os números fazem parte da edição de junho do Termômetro do Varejo, levantamento que reúne indicadores de consumo, mercado de trabalho, crédito, indústria e agronegócio para traçar um panorama da economia estadual.
Entre janeiro e abril, o varejo ampliado sul-mato-grossense acumulou crescimento de 5,4%, desempenho três vezes superior à média nacional, que ficou em 1,8% no mesmo período. No comércio varejista restrito, a alta foi de 3%, também acima do índice registrado no Brasil, de 2%.
Apesar do resultado positivo no acumulado do ano, os dados mais recentes indicam perda de ritmo. Na comparação entre abril e março, o varejo ampliado recuou 2,5%, enquanto o comércio varejista apresentou queda de 0,9%.
Inflação volta ao radar
O principal sinal de alerta apontado pelo levantamento está relacionado ao avanço da inflação em Campo Grande.
Depois de registrar índice acumulado de 2,1% nos 12 meses encerrados em fevereiro, o IPCA da Capital avançou para 4,3% em maio. Embora permaneça abaixo da média nacional, de 4,7%, o movimento interrompe a trajetória de desaceleração observada nos primeiros meses do ano.
Somente em maio, a inflação na cidade foi de 1,31%, puxada principalmente pelo grupo Alimentação e Bebidas, que registrou alta de 2,09%.
Segundo a presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, o cenário já era esperado diante do agravamento das tensões geopolíticas internacionais e seus reflexos sobre preços e custos de produção.
“A inflação afeta diretamente o consumo das famílias e, consequentemente, o desempenho das vendas do comércio. É um indicador que exigirá atenção especial nos próximos meses”, afirma.
Além da alimentação, os maiores aumentos acumulados em 12 meses foram registrados nos grupos Vestuário (6,4%), Habitação (6,3%), Despesas Pessoais (5,2%), Educação (5%) e Transportes (4,5%).
Comércio segue fechando vagas
Enquanto as vendas permanecem em crescimento, o mercado de trabalho do comércio ainda não acompanha o mesmo desempenho.
Entre janeiro e abril, Mato Grosso do Sul criou 14.527 empregos formais, impulsionado principalmente pela construção civil, que abriu 5.268 vagas, e pelo setor de serviços, responsável por 5.051 novos postos.
O comércio, entretanto, apresentou saldo negativo de 517 vagas no período.
Em Campo Grande, o cenário é semelhante. A Capital acumula saldo positivo de 2.685 empregos formais em 2026, mas o comércio registra fechamento líquido de 566 postos de trabalho.
Somente em abril, o município encerrou o mês com saldo geral negativo de 285 vagas.
Os números indicam que, apesar da expansão das vendas, o setor ainda mantém cautela na contratação de novos funcionários, influenciado pelo aumento dos custos operacionais e pela incerteza econômica.
Indústria lidera crescimento
Entre os grandes segmentos da economia estadual, a indústria apresentou o melhor desempenho em 2026.
A produção industrial acumulou crescimento de 8% até abril, resultado muito superior ao registrado nacionalmente, onde a alta foi de 1,7%.
O desempenho reflete o avanço de setores ligados ao agronegócio, à celulose e à transformação industrial instalada no Estado.
Já o setor de serviços demonstra perda de dinamismo. O crescimento acumulado no ano foi de apenas 0,4%, enquanto a média nacional chegou a 2,2%.
Agro reduz expectativa
Outro dado que chamou atenção no levantamento foi a revisão das projeções para o agronegócio.
A estimativa de crescimento do Valor Bruto da Produção (VBP) em Mato Grosso do Sul caiu de 1,3% para 0,7%.
Apesar da redução, o desempenho estadual continua superior à projeção nacional, que aponta retração de 4,6% para o setor em 2026.
Exportações sustentam atividade econômica
As exportações continuam sendo um dos principais motores da economia sul-mato-grossense.
Entre janeiro e maio, o Estado exportou US$ 4,7 bilhões, crescimento de 8,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
A soja permanece como principal produto embarcado, representando 38,8% das exportações estaduais. Em seguida aparecem a carne bovina, com participação de 20,9%, e a celulose, responsável por 18,2% das vendas externas.
Crédito cresce, mas inadimplência preocupa
Os dados do Banco Central apontam continuidade da expansão do crédito, embora em ritmo mais moderado.
O volume de empréstimos para pessoas físicas cresceu 6,9% em abril na comparação com o mesmo mês de 2025. Entre as empresas, o avanço foi de 14,4%.
Ao mesmo tempo, a inadimplência segue em patamar elevado. O índice alcançou 7% entre consumidores e 4,3% entre empresas.
Para analistas do varejo, o comportamento do crédito e da inflação será determinante para o desempenho das vendas no segundo semestre.
Com informações da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul – FCDL/MS





















