Doença pode evoluir por anos sem sintomas; especialista alerta para os hábitos que aumentam o risco e explica quando é hora de procurar avaliação médica
Passar horas sentado, consumir alimentos ultraprocessados com frequência, dormir pouco e deixar a atividade física de lado são hábitos comuns que podem comprometer a saúde cardiovascular. Embora a hipertensão arterial ainda seja mais frequente entre idosos, médicos têm observado um aumento de fatores de risco e de casos da doença em adultos jovens, um cenário que reforça a importância da prevenção antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas.
Segundo o cardiologista Dr. Danilo Umetsu, do Hospital do Coração de Mato Grosso do Sul, essa mudança tem sido percebida cada vez mais na prática clínica. Além do crescimento de pacientes jovens com hipertensão, também aumentou o número de pessoas que apresentam condições favoráveis ao desenvolvimento precoce da doença.
Entre os principais fatores de risco estão obesidade, especialmente a abdominal, sedentarismo, alimentação rica em sódio e alimentos ultraprocessados, resistência à insulina, síndrome metabólica, privação crônica de sono, estresse psicossocial, consumo excessivo de álcool e, em alguns grupos, uso de anabolizantes e estimulantes.
Um dos aspectos que mais preocupam é que a pressão alta pode permanecer silenciosa durante anos.
“Um aspecto particularmente preocupante é que o jovem hipertenso costuma permanecer muitos anos exposto à carga pressórica elevada, assintomático. Isso aumenta o chamado risco cumulativo, favorecendo lesão de órgão-alvo”, explica o cardiologista.
Segundo o especialista, essa exposição prolongada pode aumentar o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e fibrilação atrial ao longo da vida.
Hábitos influenciam diretamente a saúde do coração
O sedentarismo é considerado um fator de risco cardiovascular independente. Isso significa que, mesmo sozinho, já contribui para o desenvolvimento de doenças do coração.
De acordo com Dr. Danilo, a falta de atividade física favorece o ganho de peso, o acúmulo de gordura visceral, a resistência à insulina, o aumento da pressão arterial e alterações no colesterol, como a elevação dos triglicerídeos e a redução do HDL, conhecido como colesterol bom.
A obesidade abdominal também interfere no funcionamento do sistema cardiovascular porque a gordura acumulada nessa região libera substâncias inflamatórias que favorecem a elevação da pressão arterial.
A alimentação é outro fator decisivo. O excesso de sódio está entre os principais responsáveis pelo aumento da pressão arterial, enquanto alimentos ultraprocessados concentram grandes quantidades de sal, açúcares, gorduras saturadas e gorduras trans.
“Obesidade, excesso de sódio e consumo de ultraprocessados não apenas elevam a pressão arterial, mas também alteram mecanismos fisiológicos fundamentais de controle cardiovascular”, afirma o cardiologista.
Além da alimentação e da prática de atividade física, dormir bem e controlar o estresse também fazem parte da prevenção. A privação de sono aumenta os níveis de cortisol, favorece a resistência à insulina, estimula o ganho de peso e contribui para alterações metabólicas relacionadas ao risco cardiovascular.
Quando procurar um médico
Adultos jovens sem diagnóstico de hipertensão e sem fatores de risco devem aferir a pressão arterial pelo menos uma vez por ano. Já quem apresenta fatores de risco precisa fazer esse acompanhamento com mais frequência, entre três e seis meses, mesmo sem apresentar sintomas.
O cardiologista destaca que valores acima de 130×80 mmHg já merecem avaliação médica.
Alguns sintomas também exigem atenção imediata, principalmente quando surgem de forma intensa ou repentina. Dor no peito em aperto ou peso, irradiando para a mandíbula ou braço esquerdo, acompanhada de suor frio, vômitos ou falta de ar, deve ser avaliada com urgência.
Também são considerados sinais de alerta falta de ar durante esforços habituais, palpitações recorrentes, desmaios e dor de cabeça súbita e intensa, especialmente quando acompanhada de alteração visual, fraqueza em um dos lados do corpo, dificuldade para falar ou redução do nível de consciência.
Nos casos de elevação leve da pressão arterial e baixo risco cardiovascular, a primeira estratégia costuma ser a mudança de hábitos, com perda de peso, redução do consumo de sal, prática regular de atividade física, diminuição do consumo de álcool, melhora da qualidade do sono e controle do estresse.
Quando o paciente apresenta hipertensão associada a alto risco cardiovascular ou pressão arterial acima de 160×100 mmHg, pode ser necessário iniciar tratamento com medicamentos. Mesmo nesses casos, as mudanças no estilo de vida continuam sendo parte fundamental do controle da doença.




















