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Algumas viraram hinos eternos, outras desapareceram logo após o apito final. O que faz uma música de Copa entrar para a história?

Existe um fenômeno curioso que acontece a cada quatro anos. Bastam os primeiros acordes de uma música para que a memória viaje instantaneamente para um estádio lotado, uma sala cheia de amigos, uma bandeira na janela ou aquele gol que fez o país inteiro explodir de alegria.

As Copas do Mundo não são feitas apenas de dribles, gols e disputas por pênaltis. Elas também têm uma trilha sonora. E, assim como alguns craques se tornam inesquecíveis, algumas músicas conseguem atravessar gerações, enquanto outras desaparecem antes mesmo do fim do torneio.

Nos últimos 20 anos, a FIFA apostou em artistas de alcance global para representar o maior evento do futebol. Nem sempre deu certo. Algumas canções dominaram rádios e festas, enquanto outras passaram quase despercebidas.

Será que você lembra das principais músicas das últimas cinco Copas do Mundo? Viaje pelas últimas duas décadas com a gente.

2006: o último Mundial antes das redes sociais

A Copa da Alemanha marcou uma época em que os celulares ainda não gravavam vídeos em alta definição, o Orkut dominava a internet e o futebol reunia uma geração considerada por muitos uma das mais talentosas da história.

Os craques do momento

  • Ronaldinho Gaúcho (melhor jogador do mundo)
  • Kaká
  • Ronaldo Fenômeno
  • Adriano Imperador
  • Zidane
  • Beckham
  • Cannavaro
  • Buffon

O Brasil desembarcou como favorito absoluto.

O chamado “quadrado mágico” reunia Ronaldo, Ronaldinho, Kaká e Adriano, fazendo muita gente acreditar no hexacampeonato.

A música oficial foi “The Time of Our Lives”, interpretada por Il Divo e Toni Braxton. A canção tinha um tom épico e emocionante, acompanhando a despedida de uma geração de craques.

Apesar da qualidade musical, ela acabou sendo ofuscada pelos acontecimentos históricos daquele Mundial. Nas quartas de final, Zidane deu uma aula de futebol, Thierry Henry marcou o gol da vitória francesa e o sonho brasileiro terminou ali.

Enquanto isso, a Itália conquistava seu quarto título mundial ao vencer a França nos pênaltis, em uma decisão eternizada pela cabeçada de Zidane em Materazzi.

A música oficial era emocionante, mas acabou perdendo seu brilho para um dos finais mais dramáticos da história das Copas.

2010: quando o mundo inteiro cantou “Waka Waka”

Se existe uma música capaz de resumir uma Copa inteira, provavelmente ela atende pelo nome de “Waka Waka (This Time for Africa)”.

Lançada por Shakira em parceria com o grupo sul-africano Freshlyground, a canção extrapolou o futebol. Tocou em casamentos, festas, academias, escolas e continua sendo lembrada mais de uma década depois.

Curiosamente, ela dividiu o protagonismo com outra música que nunca foi oficial da FIFA, mas conquistou o planeta: “Wavin’ Flag”, do cantor canadense K’naan.

Criada inicialmente para uma campanha publicitária, ela acabou se tornando, para muitos torcedores, a verdadeira trilha sonora daquela Copa. Em discussões entre fãs de futebol, “Waka Waka” e “Wavin’ Flag” costumam disputar o posto de melhor música de Mundial de todos os tempos.

Os craques do momento

  • Lionel Messi
  • Cristiano Ronaldo
  • David Villa
  • Xavi
  • Iniesta
  • Wesley Sneijder
  • Diego Forlán

Foi também a Copa das intermináveis vuvuzelas, que dividiram opiniões e se tornaram marca registrada do torneio.

A Espanha encantou o mundo com o famoso tiki-taka e conquistou seu primeiro título mundial ao derrotar a Holanda na final. O gol histórico foi marcado por Andrés Iniesta na prorrogação.

O Brasil, comandado por Dunga, caiu nas quartas de final diante da Holanda após abrir o placar e sofrer uma virada por 2 a 1.

2014: quando o Brasil virou palco do mundo

Receber uma Copa do Mundo significa também receber sua música.

Em 2014, a missão ficou com Pitbull, Jennifer Lopez e Claudia Leitte, que lançaram “We Are One (Ole Olá)”.

Apesar do enorme investimento, a música dividiu opiniões. Muitos brasileiros criticaram a pequena presença de elementos musicais nacionais, enquanto outros a transformaram em trilha das comemorações daquele Mundial.

No mesmo torneio, outra canção acabou conquistando mais carinho do público: “La La La (Brazil 2014)”, de Shakira com Carlinhos Brown, que ganhou força durante a competição e ainda hoje aparece em playlists de Copa.

Os craques do momento

  • Neymar
  • Lionel Messi
  • Thomas Müller
  • James Rodríguez
  • Arjen Robben
  • Manuel Neuer

Foi também a Copa da explosão de James Rodríguez, artilheiro do torneio e uma das grandes surpresas da competição.

Só que nada superou o choque do dia 8 de julho de 2014.

Sem Neymar, lesionado, e Thiago Silva, suspenso, o Brasil sofreu a maior derrota de sua história para a Alemanha. O placar, para muitos brasileiros, permanece impossível de esquecer.

Dias depois, a Alemanha derrotava a Argentina na final com um gol de Mario Götze na prorrogação e conquistava seu quarto título mundial.

2018: uma Copa de hits globais

Na Rússia, a FIFA apostou em uma fórmula conhecida: reunir grandes estrelas internacionais.

O VAR estreava em Copas do Mundo.

E um adolescente francês começava a dominar o planeta. Kylian Mbappé, com apenas 19 anos, virou o novo fenômeno do futebol.

Assim nasceu “Live It Up”, com Nicky Jam, Will Smith e Era Istrefi.

A música alcançou milhões de reproduções e embalou a abertura do torneio, mas nunca despertou o mesmo fenômeno cultural observado em 2010.

Mesmo assim, segue sendo imediatamente associada à Copa da Rússia por muitos torcedores.

Os craques do momento

  • Kylian Mbappé
  • Luka Modrić
  • Antoine Griezmann
  • Harry Kane
  • Eden Hazard
  • Neymar

A França conquistou seu segundo título mundial ao derrotar a surpreendente Croácia por 4 a 2 na final.

O Brasil voltou a parar nas quartas de final.

A derrota por 2 a 1 para a Bélgica encerrou mais uma tentativa de conquistar o tão sonhado hexacampeonato.

2022: uma Copa com várias trilhas sonoras

O Mundial do Catar inovou ao lançar não apenas uma música oficial, mas um álbum com diferentes canções.

Mas as novidades daquela edição não ficaram apenas na trilha sonora.

Foi a primeira Copa realizada no Oriente Médio, a primeira disputada entre novembro e dezembro e, para muitos torcedores, uma das maiores finais da história.

Entre as músicas, a que mais ganhou projeção foi “Dreamers”, interpretada por Jung Kook, integrante do BTS, durante a cerimônia de abertura.

Outra bastante executada foi “Hayya Hayya (Better Together)”, que buscou transmitir a ideia de união entre culturas e torcedores de diferentes partes do planeta.

A estratégia refletiu uma mudança no consumo de música na era do streaming: em vez de apostar em um único sucesso mundial, a FIFA passou a investir em diversas faixas para públicos diferentes.

Os craques do momento

  • Lionel Messi
  • Kylian Mbappé
  • Julián Álvarez
  • Luka Modrić
  • Achraf Hakimi
  • Gavi

Messi finalmente conquistou o único título que faltava em sua carreira.

A decisão contra a França terminou empatada em 3 a 3 e foi decidida nos pênaltis.

Mbappé marcou três gols na final e, mesmo assim, terminou derrotado.

O Brasil encantou em alguns momentos, mas foi eliminado nas quartas de final pela Croácia nos pênaltis, após sofrer um gol a poucos minutos do fim da prorrogação.

As imagens de Neymar chorando no gramado correram o mundo.

2026: uma Copa com álbum inteiro

Pela primeira vez, uma Copa reúne três países como sedes.

Também é o primeiro Mundial com 48 seleções.

Na maior Copa do Mundo da história, disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, a música oficial ficou novamente nas mãos de Shakira, desta vez em parceria com Burna Boy, com a faixa “Dai Dai”.

Paralelamente, a FIFA lançou um álbum oficial com artistas de diferentes países, reforçando a ideia de diversidade cultural no torneio.

A escolha confirma uma tendência: transformar a Copa não apenas em um evento esportivo, mas também em um grande festival global de música.

Os craques do momento

  • Vinícius Júnior
  • Endrick
  • Lamine Yamal
  • Jude Bellingham
  • Kylian Mbappé
  • Erling Haaland

O Brasil segue vivo na disputa pelo tão esperado hexacampeonato, embalado por uma nova geração liderada por Vinícius Júnior, Endrick e companhia. Enquanto isso, jovens talentos como Lamine Yamal e Jude Bellingham confirmam a renovação do futebol mundial.

Mas, além de revelar novos talentos, a Copa de 2026 também marca a despedida de jogadores históricos dos Mundiais, como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Manuel Neuer, Guillermo Ochoa e Neymar.

Ainda sem um campeão definido, uma coisa já parece certa: daqui a alguns anos, bastará ouvir os primeiros acordes de “Dai Dai” para que muitos torcedores voltem, imediatamente, à Copa de 2026.

Por que algumas músicas nunca saem da nossa cabeça?

A resposta talvez tenha menos relação com a qualidade da canção e mais com aquilo que vivemos enquanto ela tocava.

Uma música de Copa vira inesquecível quando consegue se misturar às emoções daquele momento: o abraço depois do gol, a tensão dos pênaltis, a reunião da família, a rua pintada de verde e amarelo ou até uma eliminação dolorosa.

É por isso que muita gente ainda sente vontade de cantar “Waka Waka” ao ouvir apenas os primeiros acordes.

No fim das contas, a verdadeira trilha sonora da Copa não está apenas nos alto-falantes dos estádios. Ela permanece na memória afetiva de milhões de torcedores.

Porque algumas músicas terminam junto com o campeonato. Outras atravessam gerações e continuam tocando toda vez que a bola volta a rolar em um Mundial.

E basta ouvir os primeiros acordes para que a lembrança volte: o gol decisivo, o abraço na sala de casa, a rua pintada de verde e amarelo e a sensação única de viver mais uma Copa do Mundo.

Foto: Magnific

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