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Boletim de órgãos federais aponta mais de 90% de chance de permanência do fenômeno até 2027; especialistas monitoram impactos sobre agricultura, recursos hídricos e riscos de desastres

O Brasil entrou oficialmente em um novo ciclo de monitoramento do fenômeno El Niño, que já apresenta sinais de fortalecimento e pode se tornar um dos mais intensos dos últimos anos. A avaliação consta no primeiro boletim conjunto divulgado nesta segunda-feira (29) por órgãos federais responsáveis pelo acompanhamento climático, hídrico e de desastres naturais no país.

O documento reúne análises do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).

Segundo os especialistas, as condições observadas em junho confirmam a presença do fenômeno no Oceano Pacífico Equatorial. O aquecimento das águas já apresenta características típicas do El Niño, com temperaturas superiores a 2°C acima da média em áreas próximas à costa da América do Sul.

O cenário preocupa porque os modelos climáticos indicam mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno permaneça ativo pelo menos até o início de 2027. Além disso, existe elevada chance de que ele atinja a categoria de El Niño muito forte entre a primavera e o verão, quando o aquecimento do oceano ultrapassa 2°C em relação aos padrões históricos.

O que é o El Niño

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Embora ocorra longe do território brasileiro, ele altera a circulação atmosférica global e influencia diretamente os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.

No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a região. Historicamente, o fenômeno está associado ao aumento das chuvas no Sul e à redução das precipitações em áreas do Norte e do Nordeste, além de favorecer períodos mais quentes em grande parte do território nacional.

Previsão indica calor acima da média no segundo semestre

As projeções para os próximos meses apontam um cenário de temperaturas elevadas em praticamente todo o país.

A previsão climática para o trimestre entre julho e setembro indica maior probabilidade de temperaturas acima da média histórica, especialmente durante a segunda metade do ano.

De acordo com o boletim, essa condição aumenta o risco de ondas de calor, períodos prolongados de tempo seco e crescimento no número de incêndios florestais, principalmente em regiões já afetadas pela baixa umidade do ar.

Especialistas alertam que os impactos podem ser sentidos tanto nas áreas urbanas quanto nas zonas rurais, com reflexos sobre a saúde da população, a produção agrícola e a disponibilidade hídrica.

Chuvas devem se concentrar no Sul

O monitoramento também aponta mudanças importantes no regime de chuvas.

A tendência é de precipitações acima da média em áreas da Região Sul, enquanto parte do centro-norte do país poderá enfrentar períodos de chuva abaixo do esperado.

Esse padrão é uma das marcas mais conhecidas do El Niño e costuma influenciar diretamente a agricultura, o abastecimento de água e a geração de energia elétrica.

Em anos de El Niño forte, episódios de enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra podem se tornar mais frequentes em estados do Sul. Ao mesmo tempo, a redução das chuvas em outras regiões aumenta os riscos de estiagem, queimadas e impactos sobre reservatórios.

Agricultura e recursos hídricos estão entre as principais preocupações

O boletim destaca que o acompanhamento contínuo será fundamental para avaliar os efeitos do fenômeno sobre diferentes setores da economia.

Entre as áreas mais sensíveis estão a agricultura, a pecuária, os recursos hídricos e a gestão de riscos de desastres naturais.

As atualizações mensais deverão trazer informações sobre o comportamento dos rios, níveis de reservatórios estratégicos, condições para o plantio e riscos associados a eventos extremos.

O objetivo é permitir que governos estaduais, municípios, produtores rurais e órgãos de defesa civil possam planejar ações preventivas com antecedência.

Monitoramento será atualizado mensalmente

Esta é a primeira edição de uma série de boletins que serão divulgados ao longo dos próximos meses pelos órgãos federais.

A proposta é oferecer informações integradas sobre a evolução do fenômeno e seus possíveis impactos, fortalecendo a capacidade de resposta diante de eventos climáticos extremos.

Segundo os especialistas, embora as previsões indiquem um cenário de forte atuação do El Niño, os impactos podem variar de acordo com a intensidade do fenômeno e as condições atmosféricas observadas ao longo do segundo semestre.

Diante da possibilidade de um evento climático de grande magnitude, autoridades recomendam atenção às atualizações meteorológicas, aos alertas da Defesa Civil e às orientações dos órgãos oficiais.

Com probabilidade superior a 90% de permanência até 2027 e perspectiva de fortalecimento nos próximos meses, o El Niño já é apontado como um dos principais fatores que devem influenciar o clima brasileiro no restante de 2026.

Com informações e imagem do Governo Federal

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