Três crianças menores de dois anos foram diagnosticadas com a doença; governo reforça aplicação da chamada “dose zero” para ampliar proteção e evitar novos casos
O Ministério da Saúde reforçou o alerta para a vacinação contra o sarampo após a confirmação de três casos da doença em crianças menores de dois anos na zona norte da cidade de São Paulo. Diante do risco de transmissão, a pasta passou a recomendar a aplicação da chamada “dose zero” em bebês de 6 a 11 meses e 29 dias.
A medida busca ampliar a proteção de uma faixa etária considerada mais vulnerável às complicações da doença e reduzir a possibilidade de novos casos em uma região com intensa circulação de pessoas.
Segundo o ministério, os três casos confirmados foram registrados na última semana. Duas das crianças frequentam a mesma creche e a terceira reside na mesma área da cidade, o que levou as autoridades sanitárias a intensificarem o monitoramento epidemiológico e as ações de bloqueio vacinal.
O que é a “dose zero”
A vacina recomendada é conhecida como “dose zero” porque funciona como uma proteção adicional antes das doses previstas no Calendário Nacional de Vacinação.
O imunizante é destinado exclusivamente a crianças entre 6 meses e 11 meses e 29 dias de idade e não substitui as doses regulares aplicadas aos 12 e 15 meses.
Especialistas explicam que, embora os bebês ainda não estejam na idade habitual de vacinação, eles podem ser mais suscetíveis a formas graves da doença em situações de risco epidemiológico, como surtos ou aumento da circulação do vírus.
Autoridades investigam origem dos casos
De acordo com o Ministério da Saúde, as infecções podem estar relacionadas ao contato com pessoas vindas do exterior.
A hipótese reforça a preocupação das autoridades sanitárias com a reintrodução do vírus em um país que mantém o status de livre da circulação endêmica do sarampo.
Além da vacinação, equipes de vigilância epidemiológica realizam busca ativa de casos suspeitos, rastreamento de contatos próximos, monitoramento de pessoas expostas e investigação das cadeias de transmissão.
O objetivo é impedir que o vírus encontre condições para voltar a circular de forma sustentada.
Doença altamente contagiosa
O sarampo é uma infecção viral altamente transmissível que se espalha principalmente por meio de gotículas eliminadas ao falar, tossir ou espirrar.
Os sintomas mais comuns incluem febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza e conjuntivite. Em casos mais graves, a doença pode provocar pneumonia, inflamação cerebral e até levar à morte, especialmente entre crianças pequenas e pessoas com baixa imunidade.
A vacinação é considerada a forma mais eficaz de prevenção.
Apesar dos casos recentes, o Brasil continua sendo considerado um país livre da circulação endêmica do sarampo.
Segundo dados do Ministério da Saúde, foram registrados 38 casos da doença em 2025, todos relacionados à importação do vírus ou a cadeias de transmissão ligadas a viajantes infectados.
A situação, no entanto, é diferente em outros países das Américas.
Avanço do sarampo preocupa no continente
O aumento de casos em países da América do Norte tem colocado autoridades sanitárias em alerta.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que o México já registrou mais de 11 mil casos de sarampo neste ano. Nos Estados Unidos, foram contabilizadas mais de 2 mil infecções, enquanto o Canadá ultrapassou mil casos.
O crescimento da circulação do vírus levou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a retirar das Américas, no ano passado, o reconhecimento de região livre da transmissão endêmica da doença.
O cenário acende um sinal de atenção para o Brasil, que busca evitar a reintrodução do vírus por meio da ampliação da cobertura vacinal e do fortalecimento da vigilância epidemiológica.
Saúde reforça importância da vacinação
Diante dos casos confirmados, o Ministério da Saúde orienta pais e responsáveis a verificarem a situação vacinal das crianças e procurarem uma unidade de saúde caso haja indicação para aplicação da dose.
A pasta destaca que manter a vacinação em dia continua sendo a principal estratégia para impedir o ressurgimento de surtos e preservar a proteção coletiva da população.
Com a circulação crescente do sarampo em diversos países e a confirmação de novos casos em São Paulo, autoridades sanitárias reforçam que a prevenção continua sendo a ferramenta mais importante para evitar o avanço da doença no Brasil.
Com informações e imagem da Agência Brasil




















