Alterações hormonais típicas dessa fase da vida podem comprometer a produção da lágrima e provocar ardência, coceira e visão embaçada
As ondas de calor e as mudanças de humor costumam ser os sintomas mais conhecidos da menopausa. No entanto, uma consequência menos lembrada dessa fase da vida tem chamado a atenção de especialistas: os impactos na saúde ocular. Alterações hormonais podem desencadear ou agravar a Síndrome do Olho Seco, condição que afeta milhões de brasileiros e é mais frequente entre as mulheres.
Caracterizada pela lubrificação insuficiente da superfície ocular, a síndrome provoca desconfortos que vão além da simples irritação nos olhos. Ardência, sensação de areia, coceira, lacrimejamento excessivo e até episódios de visão embaçada estão entre os sintomas mais comuns, afetando diretamente a qualidade de vida e a realização de atividades cotidianas.
Segundo estimativas, cerca de 27 milhões de brasileiros convivem com o problema. Embora possa ocorrer em qualquer idade, a incidência aumenta significativamente durante e após a menopausa devido às alterações hormonais que afetam o funcionamento das estruturas responsáveis pela produção e manutenção da lágrima.
A oftalmologista Patrícia Kakizaki, consultora da ZEISS Vision Brasil, explica que a redução dos hormônios femininos interfere diretamente na proteção natural dos olhos.
“A queda nos níveis de estrogênio e androgênios influi diretamente no funcionamento das glândulas de Meibomius, que produzem a camada de gordura da lágrima responsável por evitar a sua evaporação, chamada meibum”, afirma.
De acordo com a especialista, a consequência é uma perda mais rápida da umidade ocular.
“Com a redução ou alteração na qualidade dessa secreção, a lágrima evapora mais rapidamente, deixando a superfície ocular desprotegida”, completa.
Sintomas podem ser confundidos com alergias
O olho seco nem sempre é identificado imediatamente. Como os sintomas se assemelham aos de alergias e irritações oculares, muitas pessoas convivem durante anos com o desconforto sem procurar avaliação médica.
Além da ardência e da sensação de ressecamento, os pacientes podem apresentar vermelhidão, sensibilidade à luz, cansaço visual e dificuldade para manter a visão nítida por longos períodos.
O problema pode ser agravado por fatores ambientais e comportamentais. Ambientes climatizados, poluição, uso de determinados medicamentos e doenças autoimunes estão entre os principais agravantes.
Outro fator apontado pelos especialistas é o uso prolongado de celulares, computadores e tablets. Durante o tempo em frente às telas, a frequência de piscadas diminui, reduzindo ainda mais a lubrificação natural dos olhos.
Diagnóstico exige avaliação especializada
Especialistas alertam que a automedicação pode representar riscos. Muitos pacientes recorrem a colírios sem orientação médica, o que pode mascarar sintomas e dificultar o tratamento adequado.
O diagnóstico da Síndrome do Olho Seco deve ser realizado por um oftalmologista, por meio de exames específicos capazes de avaliar a quantidade e a qualidade da lágrima, além do funcionamento das glândulas responsáveis pela sua produção.
A investigação também inclui a análise das pálpebras e da superfície ocular para identificar possíveis alterações associadas ao quadro.
Tratamento combina cuidados médicos e mudanças na rotina
O tratamento varia de acordo com a gravidade da doença e pode incluir o uso de colírios lubrificantes sem conservantes, suplementação nutricional, higiene adequada das pálpebras e compressas mornas para estimular o funcionamento das glândulas de Meibomius.
Uma das alternativas disponíveis para auxiliar nesse processo são as máscaras térmicas desenvolvidas para promover o aquecimento da região ocular.
Segundo Paula Queiroz, diretora de marketing e produtos da ZEISS Vision Brasil, a tecnologia busca facilitar a realização das compressas recomendadas pelos oftalmologistas.
“A máscara descartável começa a aquecer automaticamente ao entrar em contato com o ar, graças a uma reação natural do carvão ativado presente em sua composição. Esse aquecimento atinge a temperatura ideal para desobstruir as glândulas produtoras de gordura e melhorar a lubrificação ocular”, explica.
Além do benefício terapêutico, a especialista destaca o efeito de conforto proporcionado pelo método.
“É uma solução prática, portátil e que pode ser incorporada à rotina de autocuidado, proporcionando não apenas alívio dos sintomas, mas também um momento de relaxamento ao longo do dia”, ressalta Paula.
Pequenas mudanças podem fazer diferença
Especialistas reforçam que hábitos simples podem ajudar a prevenir ou reduzir os sintomas da síndrome, especialmente durante a menopausa.
Entre as recomendações estão aumentar a ingestão de água, realizar pausas regulares durante o uso de telas, evitar a exposição direta ao ar-condicionado e utilizar óculos escuros em ambientes externos para proteger os olhos da ação do vento e da radiação solar.
Para Patrícia Kakizaki, compreender as transformações do organismo durante a menopausa é fundamental para preservar a qualidade de vida.
“A menopausa não deve ser encarada como uma limitação, mas como uma fase que exige atenção e adaptação. Com acompanhamento médico e cuidados adequados, é possível manter a saúde ocular e a qualidade de vida”, conclui.
Embora frequentemente associada apenas aos sintomas mais conhecidos, a menopausa também pode afetar a visão e o conforto ocular. Por isso, especialistas recomendam que mulheres nessa fase da vida mantenham acompanhamento oftalmológico regular e procurem avaliação médica ao perceber qualquer alteração persistente nos olhos.
Foto: Magnific




















