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Político estava preso preventivamente desde março, acusado de homicídio, e havia sido internado duas vezes em menos de duas semanas após sofrer um infarto

O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal morreu na madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos, na Santa Casa da capital, um dia antes de completar 61 anos. Ele enfrentava uma sequência de complicações cardíacas desde o início de julho e estava internado novamente após apresentar uma nova piora no quadro clínico, menos de dois dias depois de receber alta hospitalar. A morte foi confirmada pela Polícia Militar, responsável por sua escolta, e pela defesa do ex-prefeito.

Bernal estava preso preventivamente desde 24 de março deste ano, acusado de matar o auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, durante uma disputa envolvendo um imóvel no Jardim dos Estados, em Campo Grande. O político aguardava julgamento pelo Tribunal do Júri pelos crimes de homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo e invasão de domicílio. A defesa sustentava que ele agiu em legítima defesa, tese rejeitada na decisão que o levou a júri popular.

Quadro de saúde se agravou nas últimas semanas

Os problemas de saúde começaram a se intensificar no dia 1º de julho, quando Bernal sofreu um infarto dentro do Presídio Militar Estadual Fidelcino Rodrigues, onde cumpria prisão preventiva. Ele foi levado às pressas para a Santa Casa e submetido a um cateterismo de emergência.

Os exames apontaram doença arterial coronariana grave, com múltiplas obstruções. Em seguida, o ex-prefeito passou por uma cirurgia cardíaca para implantação de seis novos stents. Segundo a defesa, ele já possuía outros quatro dispositivos implantados anteriormente.

Após vários dias internado, Bernal recebeu alta na última sexta-feira (10) e retornou ao presídio por determinação da Justiça, que negou um pedido de prisão domiciliar apresentado por seus advogados.

No entanto, na noite de sábado (11), ele voltou a passar mal. De acordo com informações divulgadas pela defesa, sofreu uma queda acentuada de pressão arterial, apresentou dores no peito e precisou ser novamente encaminhado à Santa Casa, onde foi internado em estado considerado extremamente delicado.

Na madrugada desta segunda-feira, Bernal não resistiu às complicações decorrentes do quadro cardíaco.

Defesa alegava risco de morte

Nos últimos dias, os advogados de Bernal haviam protocolado novos pedidos para substituir a prisão preventiva por prisão domiciliar humanitária.

Os defensores apresentaram laudos médicos que apontavam doença coronariana grave, alto risco cardiovascular e possibilidade de morte súbita. Também argumentaram que o Presídio Militar não possuía estrutura hospitalar adequada para acompanhar a recuperação do ex-prefeito, que necessitava de repouso e monitoramento constante após os procedimentos cardíacos.

Apesar dos documentos médicos, a Justiça entendeu que o tratamento poderia ser realizado mediante encaminhamento hospitalar quando necessário e manteve a prisão preventiva.

Da popularidade no rádio à Prefeitura

Natural de Campo Grande, Alcides Bernal iniciou a trajetória pública como radialista e apresentador de televisão no início da década de 1990. A exposição nos meios de comunicação lhe garantiu grande popularidade, especialmente entre moradores da capital e da comunidade paraguaia.

Advogado de formação, ingressou na política em 2004, quando foi eleito vereador de Campo Grande. Reeleito para a Câmara Municipal, posteriormente conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Em 2012, venceu a disputa pela Prefeitura de Campo Grande, tornando-se o primeiro prefeito eleito fora dos grupos políticos tradicionais que comandavam o município.

Seu governo, porém, foi marcado por forte instabilidade política.

Em março de 2014, pouco mais de um ano após assumir o cargo, Bernal teve o mandato cassado pela Câmara Municipal sob acusações de irregularidades administrativas. A decisão foi posteriormente anulada pela Justiça, que considerou ilegal o processo de cassação, permitindo seu retorno ao comando da Prefeitura meses depois.

Após concluir o mandato, Bernal disputou novas eleições, mas não voltou a conquistar cargos eletivos.

Processos e prisão

Nos anos seguintes, o ex-prefeito passou a responder a diversos processos judiciais relacionados ao período em que esteve à frente do Executivo municipal, alguns deles resultando em condenações e na declaração de inelegibilidade.

Em março deste ano, voltou ao centro das atenções após ser preso pelo assassinato do auditor fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini.

Segundo o Ministério Público, o crime ocorreu porque Bernal não aceitava perder um imóvel retomado pela Caixa Econômica Federal e posteriormente adquirido pela vítima. A acusação sustenta que Mazzini foi baleado durante a tentativa de tomar posse da residência.

A defesa, por sua vez, sempre afirmou que Bernal acreditava ainda ter direito ao imóvel e reagiu em legítima defesa diante da entrada da vítima na casa.

Com a morte do ex-prefeito, a ação penal será extinta em relação a ele, conforme prevê a legislação brasileira.

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