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Moeda norte-americana sobe com força diante de dados robustos da economia dos Estados Unidos; Ibovespa cai 1,24% e petróleo recua apesar da escalada das tensões no Oriente Médio

Os mercados financeiros encerraram esta quinta-feira (16) sob forte cautela, pressionados pela combinação de fatores externos e internos. O dólar voltou a subir e fechou próximo de R$ 5,10, impulsionado pelo fortalecimento da moeda norte-americana no mercado internacional e pela repercussão das tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras.

Ao mesmo tempo, a Bolsa de Valores brasileira acompanhou o movimento negativo observado em Wall Street e registrou sua segunda queda consecutiva, refletindo a aversão global ao risco e as incertezas sobre os impactos econômicos da nova disputa comercial entre Brasília e Washington.

O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,098, com alta de 0,4%. Durante a tarde, chegou a ser negociado a R$ 5,11, maior cotação intradiária da sessão, antes de perder parte da força nos momentos finais de negociação.

Apesar da valorização desta quinta-feira, a moeda norte-americana ainda acumula queda de 7,12% em 2026.

Economia dos EUA fortalece dólar

O principal fator por trás da alta da divisa foi a divulgação de novos indicadores da economia dos Estados Unidos, que reforçaram a percepção de que o país segue crescendo em ritmo sólido.

Os pedidos semanais de auxílio-desemprego somaram 208 mil solicitações, abaixo das 217 mil previstas pelo mercado. O resultado indica que o mercado de trabalho norte-americano continua aquecido, mesmo após meses de juros elevados.

Além disso, as vendas no varejo cresceram 0,2% em junho, confirmando que o consumo das famílias permanece resiliente.

Os números reforçaram as apostas de que o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, poderá manter uma política monetária restritiva por mais tempo. Juros elevados costumam atrair investidores para ativos denominados em dólar, fortalecendo a moeda frente às divisas de países emergentes, como o real.

Tarifaço amplia cautela no mercado brasileiro

No cenário doméstico, investidores acompanharam os desdobramentos da decisão do governo norte-americano de aplicar uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

Embora a lista de exceções divulgada por Washington tenha sido mais ampla do que o mercado previa inicialmente, a medida elevou a preocupação sobre possíveis impactos em setores exportadores e sobre o fluxo de dólares para a economia brasileira.

Também entrou no radar dos investidores a possibilidade de o governo brasileiro reagir por meio da Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 2025, que permite a adoção de contramedidas comerciais contra países que imponham barreiras consideradas prejudiciais aos interesses nacionais.

A perspectiva de um aumento das tensões comerciais entre as duas maiores economias das Américas contribuiu para ampliar a busca por ativos considerados mais seguros.

Bolsa acompanha exterior e cai mais de 1%

A aversão ao risco atingiu em cheio o mercado acionário brasileiro.

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou aos 173.825 pontos, com queda de 1,24%. Foi o segundo pregão consecutivo de perdas, elevando para 2,27% a retração acumulada na semana.

Mesmo com o recuo recente, o indicador ainda registra valorização de 7,88% em 2026.

O desempenho negativo foi influenciado tanto pelo cenário internacional quanto por fatores específicos do mercado brasileiro.

As ações da Petrobras, que possuem forte peso na composição do índice, encerraram o dia em baixa acompanhando a queda dos preços do petróleo no mercado internacional.

Papéis de mineradoras também contribuíram para pressionar o índice, refletindo a desvalorização do minério de ferro e o aumento das preocupações com o ritmo da atividade econômica global.

Petróleo recua apesar de riscos no Oriente Médio

Nem mesmo o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio foi suficiente para sustentar a alta do petróleo nesta quinta-feira.

Após um dia marcado por forte volatilidade, os contratos internacionais da commodity encerraram a sessão em queda.

O barril do tipo Brent, referência global para o mercado, caiu 0,85% e fechou cotado a US$ 84,23. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, recuou 0,82%, para US$ 78,95.

Durante o pregão, investidores monitoraram novas ameaças feitas pelos rebeldes houthis, do Iêmen, contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita.

Também permaneceram no radar possíveis interrupções no tráfego marítimo do Mar Vermelho e do Estreito de Ormuz, rotas consideradas estratégicas para o abastecimento global de petróleo.

Apesar da queda registrada nesta sessão, analistas avaliam que os preços continuam sustentados por um prêmio de risco geopolítico, diante da possibilidade de novos episódios que comprometam a oferta mundial da commodity.

Com informações e imagem da Agência Brasil

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