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Mais de 72% das famílias da Capital têm algum tipo de dívida, enquanto inadimplência permanece estável e cartão de crédito concentra a maior parte dos débitos

A proporção de famílias endividadas em Campo Grande voltou a crescer em junho e alcançou 72,5%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice teve alta discreta em relação a maio, quando era de 72,3%, e ficou bem acima do registrado no mesmo período do ano passado, de 66,1%.

O levantamento considera famílias que possuem parcelas a pagar em modalidades como cartão de crédito, cheque pré-datado, carnês de lojas, empréstimos pessoais, financiamentos de veículos e seguros.

Apesar da variação mensal ter sido pequena, o cenário indica que o crédito continua sendo uma alternativa para manter o consumo e equilibrar as despesas domésticas.

“Os números mostram que as famílias seguem recorrendo ao crédito para manter o consumo e equilibrar o orçamento. Embora a alta do endividamento tenha sido pequena, é fundamental reforçar a educação financeira e o planejamento das despesas, principalmente entre as famílias de menor renda, que apresentam maior dificuldade para absorver imprevistos e honrar seus compromissos financeiros”, afirma o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer.

Os dados mostram que o comprometimento financeiro é maior entre as famílias de menor renda. Entre aquelas com rendimento de até 10 salários mínimos por mês, 74,5% estão endividadas e 17,7% se consideram muito endividadas. Já entre as famílias com renda superior a esse patamar, o índice de endividamento é de 62,2%, enquanto apenas 3,1% afirmam estar muito endividadas.

A economista do Instituto de Pesquisa da Fecomércio-MS, Regiane Dedé de Oliveira, destaca que a intensidade do problema varia conforme a renda.

“Embora o endividamento esteja presente em todas as faixas de renda, a intensidade do problema é diferente. Entre as famílias com até 10 salários mínimos, o percentual de endividados chega a 74,5%, enquanto entre as de maior renda é de 62,2%. Os dados também mostram que a inadimplência é significativamente maior entre os grupos de menor renda, indicando uma menor capacidade de absorver os compromissos financeiros diante das despesas do dia a dia”, destaca.

O cartão de crédito segue como a principal forma de endividamento em Campo Grande e foi citado por 62,5% dos entrevistados. Entre as famílias de menor renda, os carnês de lojas aparecem na segunda posição, mencionados por 18,7%. Já entre as de maior renda, o financiamento de veículos é o segundo tipo de dívida mais comum, citado por 27,9%.

A inadimplência permaneceu praticamente estável em junho. Segundo a pesquisa, 29,7% das famílias possuem contas em atraso. Em contrapartida, caiu para 10,2% o percentual de famílias que afirmam não ter condições de quitar essas dívidas, indicando uma leve melhora na capacidade de pagamento.

*Informações: Fecomércio-MS

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