Conflito se intensifica com novos bombardeios, ataques retaliatórios do Irã a bases americanas na região e fechamento do Estreito de Ormuz
O conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a se intensificar neste domingo (19), dia em que os norte-americanos sediam a final da Copa do Mundo. Nas últimas horas, os dois países ampliaram as ofensivas militares, com ataques a instalações estratégicas, ações retaliatórias em países vizinhos e novos episódios de tensão no Oriente Médio.
Segundo a Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI), um canteiro de obras da usina nuclear de Darkhoveyn, no sudoeste do país, foi atingido durante a madrugada, no horário local. A instalação ainda está em fase de construção.
“O canteiro de obras de Darkhoveyn, um dos símbolos da dignidade científica e da autossuficiência da nação iraniana, foi alvo de um ataque terrorista injustificável”, informou a organização em comunicado divulgado pela mídia estatal iraniana Press TV.
Ataques contra instalações nucleares destinadas a fins pacíficos são proibidos pelo direito internacional, independentemente de estarem em operação ou ainda em construção. Até o momento, os Estados Unidos não comentaram a acusação feita pelas autoridades iranianas.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), informou que apura os relatos sobre o ataque. Segundo o órgão, a unidade estava em estágio inicial de construção e não possuía material nuclear quando foi inspecionada pela última vez.
“E não continha material nuclear quando foi visitada pela última vez pelo AIEA. Embora o ataque relatado não seja considerado como representando qualquer risco radiológico, o diretor geral Rafael Grossi reitera o apelo por moderação militar nas proximidades de todos os locais relacionados a nuclear”, diz comunicado da AIEA.
Sem mencionar diretamente a instalação de Darkhoveyn, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que realizou, durante a noite de sábado (18), a oitava onda consecutiva de ataques desde a retomada da guerra.
“As forças do CENTCOM atingiram com sucesso instalações iranianas de vigilância costeira e defesa aérea, capacidades marítimas e locais de armazenamento de mísseis e drones, visando continuar a degradar as capacidades militares do Irã”, informou o comando militar.
Ataques retaliatórios
Em resposta, o Irã afirmou ter ampliado os ataques contra alvos militares dos Estados Unidos em países da região. Neste domingo, o Kuwait informou que uma unidade de geração de energia e uma planta de dessalinização de água foram atingidas pela segunda vez em dois dias.
Também foram registrados ataques contra bases militares americanas no Bahrein e na Jordânia. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, ao menos dois militares dos Estados Unidos morreram.
O Exército iraniano informou que uma das ações teve como alvo a base americana de al-Adiri, no Kuwait, como resposta aos ataques dos EUA contra infraestrutura civil.
“Localizado a aproximadamente 104 quilômetros das fronteiras do Irã, o acampamento al-Adiri serve como um importante centro de apoio logístico e de reconstrução de força para as forças americanas”, diz comunicado divulgado pela mídia estatal persa.
Na Jordânia, o governo informou que três dos quatro mísseis iranianos lançados em direção ao país foram interceptados.
“O quarto míssil caiu em uma área remota e desabitada no sul da Jordânia. Os militares confirmaram que o incidente não causou vítimas nem danos materiais”, informaram as Forças Armadas jordanianas em comunicado publicado pela agência estatal Petra.
Escalada da guerra
A guerra no Oriente Médio voltou a ganhar intensidade nas últimas semanas, com acusações mútuas de descumprimento do Memorando de Entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã.
O Irã afirma que 57 pessoas morreram nas novas ondas de ataques e acusa os Estados Unidos de atingirem infraestrutura civil, como hospitais, pontes e postos de monitoramento do tráfego marítimo.
Os Estados Unidos, por sua vez, sustentam que o Irã violou o acordo ao atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo. O tráfego na região voltou a ser interrompido.
Ainda neste domingo, o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) informou ter interceptado dois drones MQ-9 Reaper. A Marinha da corporação também afirmou que impediu a passagem de quatro embarcações pelo Estreito de Ormuz.
*Informações: Agência Brasil


















