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Especialistas afirmam que o acordo firmado entre Washington e Teerã fracassou, enquanto novos ataques ampliam a disputa pelo Estreito de Ormuz e elevam a tensão na região

A guerra entre Irã e Estados Unidos voltou a se intensificar e elevou a tensão no Oriente Médio. A nova escalada do conflito, marcada por ataques a instalações militares e civis, ocorre poucos dias após a assinatura de um memorando de entendimento entre os dois países, apontado por analistas como incapaz de conter os confrontos.

Nos últimos dias, bombardeios atingiram pontes, hospitais, usinas de dessalinização de água, instalações de produção de combustíveis e até um canteiro de obras de uma usina nuclear no Irã. Em resposta, Teerã ampliou os ataques contra bases militares norte-americanas e infraestruturas civis em países do Golfo, como Jordânia, Bahrein e Kuwait.

Para o especialista em segurança e geopolítica, o major-general português Agostinho Costa, o memorando assinado entre Washington e Teerã nunca teve condições de produzir efeitos concretos.

“O presidente Donald Trump assinou o memorando porque foi informado que as reservas estratégicas de petróleo duravam mais quatro semanas, o que iria provocar uma crise, principalmente de diesel. O acordo foi uma ficção, sem intenção de se cumprir, como todos os papéis que os americanos assinam”, afirmou.

Segundo Costa, o principal impasse está no controle do Estreito de Ormuz, rota por onde passava, antes da guerra, cerca de 20% do comércio mundial de petróleo. Na avaliação dele, cumprir o acordo significaria ampliar a influência iraniana sobre uma área considerada estratégica pelos Estados Unidos e seus aliados no Golfo.

“O que está em jogo é a hegemonia norte-americana na região. É o fim do império norte-americano. Isso é o que está em jogo e é isso que faz com que os americanos tenham voltado à carga”, disse.

Jordânia passa a concentrar ataques

O cientista político e especialista em geopolítica Ali Ramos afirma que a principal mudança nesta etapa do conflito é a intensificação dos ataques iranianos contra a Jordânia, país que se tornou um dos principais centros logísticos das operações militares norte-americanas na região.

“Isso porque a Jordânia se tornou o maior hub logístico da Força Aérea americana por pelas fragilidades das bases do Golfo. Além disso, Israel está fora da guerra, só que o aeroporto Ben Gurion é também uma das maiores bases aéreas dos EUA na região e não está sendo atacado, funcionando como espécie de santuário”, explicou.

Ramos também avalia que os objetivos anunciados pelos Estados Unidos desde o início da ofensiva seguem distantes. Entre eles estão interromper o programa nuclear iraniano, enfraquecer o desenvolvimento de mísseis balísticos e reduzir o apoio de Teerã a grupos armados no Oriente Médio.

Na avaliação do pesquisador, os ataques recentes indicam uma mudança de estratégia por parte de Washington.

“Com isso, os EUA estão escalando para uma estratégia de guerra de terra arrasada, tanto é que atacaram uma fábrica de dessalinização, deixando 10 mil pessoas sem água no Irã. Só que isso só vai dar mais legitimidade para o regime iraniano”, afirmou.

Conflito segue sem perspectiva de recuo

Para Agostinho Costa, os Estados Unidos continuam apostando em bombardeios aéreos, sem apresentar uma estratégia capaz de alterar o rumo da guerra.

“Mais uma vez, os americanos mostram que não têm estratégia nenhuma. Por um lado, não querem se empenhar em invasão terrestre, por outro, julgam que resolvem um problema estratégico com um país da dimensão do Irã apenas com aviões”, comentou.

O especialista acrescenta que a capacidade militar iraniana continua ativa, apesar das sucessivas ofensivas conduzidas pelos Estados Unidos.

“Estamos naquilo que podemos chamar de ‘gestão da escalada do conflito’. Ainda não estamos em um impasse, o que só deve ocorrer quando não houve mais capacidade para escalada. Mas ainda há capacidade para escalada”, concluiu.

O que está em disputa

Analistas afirmam que as ofensivas lançadas por Israel e pelos Estados Unidos, tanto em junho de 2025 quanto a partir de 28 de fevereiro deste ano, tinham como objetivo provocar uma mudança de regime no Irã, conter o avanço da influência chinesa na região e fortalecer a posição político-militar de Israel no Oriente Médio.

Sem conseguir alcançar esse objetivo, Washington passou a defender a retomada das condições de navegação no Estreito de Ormuz anteriores ao conflito.

O governo iraniano, por outro lado, sustenta que a administração da passagem marítima deve seguir um novo modelo, definido principalmente por Irã e Omã e baseado nas necessidades de segurança nacional do país. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo passava pelo estreito, considerado um dos pontos mais estratégicos para o abastecimento global de energia.

*Com informações da Agência Brasil

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