Governo dos EUA cita questões ambientais para aplicar sobretaxa, mas dados do MapBiomas mostram redução de 20,6% no desmatamento brasileiro em 2025
As justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos para aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao país incluem a acusação de que o Brasil permite o avanço do desmatamento. Para o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, a argumentação norte-americana é infundada e utiliza a questão ambiental como justificativa para criar barreiras comerciais.
“O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa. O governo Trump virou as costas para a questão ambiental no mundo inteiro. Saiu do Acordo de Paris”, disse Astrini.
Segundo o pesquisador, os Estados Unidos obtêm vantagens comerciais por não adotarem medidas de proteção ambiental, como a redução da emissão de carbono. Ele afirma ainda que outros países também registram desmatamento, mas não são alvo de medidas semelhantes para restringir o comércio. “É uma medida puramente política, não tem nada a ver com a questão ambiental. É apenas uma desculpa para impor uma barreira tarifária ao país”, afirmou Astrini.
Astrini destacou que as ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram fundamentais para a redução do desmatamento no Brasil. Segundo ele, os recursos destinados ao órgão por meio do Fundo Amazônia contribuíram para ampliar a fiscalização ambiental.
Desmatamento caiu em 2025
Dados do MapBiomas indicam que o desmatamento no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em 2025. O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025) registrou 984.794 hectares de vegetação nativa perdidos no país, uma redução de 20,6% em comparação com 2024.
“O Brasil atingiu em 2025 um marco no monitoramento do desmatamento: pela primeira vez desde 2019, a área total de vegetação nativa desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano. De acordo com o RAD2025 (Relatório Anual do Desmatamento no Brasil) foram desmatados 984.794 hectares no país, uma redução de 20,6% em relação a 2024”, dizem os pesquisadores.
O MapBiomas é uma iniciativa que reúne universidades, organizações não governamentais e empresas de tecnologia para monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil. O projeto busca contribuir para a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais.
Cerrado concentra maior área desmatada
A Amazônia e o Cerrado responderam por mais de 84% de toda a área desmatada no Brasil em 2025. O Cerrado foi o bioma com maior perda de vegetação nativa, com 540.614 hectares desmatados, o equivalente a 54,9% do total registrado no país.
Apesar de concentrar a maior área de desmatamento, o bioma apresentou redução de 16,9% em relação a 2024.
Na Amazônia, foram desmatados 289.478 hectares, uma queda de 23,5% na comparação com o ano anterior.
O Pantanal registrou a maior redução proporcional entre todos os biomas analisados. A área desmatada caiu 48,4% em relação a 2024, totalizando 12.260 hectares de vegetação nativa perdida em 2025.
Agropecuária segue como principal vetor
Segundo o MapBiomas, a expansão da agropecuária continua sendo o principal fator associado à perda de vegetação nativa no Brasil. Nos últimos sete anos, a atividade respondeu por mais de 97% de todo o desmatamento registrado no país.
Em 2025, a agropecuária esteve relacionada a 99% da área desmatada.
O levantamento também aponta que 99% da vegetação nativa perdida por garimpo no último ano estava concentrada na Amazônia, principalmente no Pará.
Já os desmatamentos associados a empreendimentos de energia renovável ficaram concentrados quase totalmente na Caatinga, que respondeu por 97% da área perdida ligada a esse tipo de atividade.
A expansão urbana também contribuiu para a perda de vegetação nativa. Segundo o relatório, os desmatamentos relacionados às áreas urbanizadas aumentaram 7% em relação a 2024 e ficaram concentrados principalmente no Cerrado e na Amazônia, que juntos responderam por mais de 60% da área desmatada vinculada ao avanço das cidades.
*informações: Agência Brasil e Imagem: Orlando K Junior/Divulgação


















