Levantamento da CNI aponta que 48,7% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano ficarão sujeitas a tarifas adicionais a partir de sexta-feira (24)
A nova tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos fará com que cerca de 4 mil produtos brasileiros passem a enfrentar uma tributação total de 37,5% para entrar no mercado norte-americano. Levantamento divulgado nesta quinta-feira (23) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a medida também fará com que 48,7% das exportações brasileiras destinadas aos EUA fiquem sujeitas a algum tipo de sobretaxa.
Segundo a entidade, 3.985 produtos, dos 4.060 atingidos pela nova medida, já estavam sujeitos à tarifa adicional de 25% e agora passarão a pagar 37,5% no total. Esse grupo representa US$ 10,8 bilhões em exportações, o equivalente a 80,7% do valor afetado pelas novas cobranças.
Outros 75 produtos brasileiros, que somam US$ 1,6 bilhão em exportações, serão tributados apenas pela nova alíquota de 12,5%, sem incidência da tarifa anterior.
Ao todo, a CNI calcula que a nova medida atingirá US$ 12,4 bilhões em exportações brasileiras, o equivalente a 29,4% de todas as vendas do país aos Estados Unidos. As tarifas entram em vigor na sexta-feira (24).
Investigação dos Estados Unidos
As novas cobranças decorrem de uma investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio do país. O governo norte-americano concluiu que o Brasil e outros parceiros comerciais não adotam mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
A CNI, no entanto, contesta essa justificativa. Segundo a entidade, o Brasil possui uma das legislações mais modernas para prevenir, combater e erradicar o trabalho forçado ao longo das cadeias produtivas.
A confederação afirma que o país conta com mecanismos de fiscalização, responsabilização e proteção aos trabalhadores reconhecidos internacionalmente, o que, na avaliação da entidade, demonstra que os argumentos apresentados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) não refletem a realidade brasileira.
CNI pede diálogo entre os países
Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu a intensificação das negociações entre os governos brasileiro e norte-americano para reduzir os impactos da medida sobre a indústria.
“É essencial que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja mantido e aprofundado. Ao mesmo tempo, precisamos agir com rapidez para amenizar o impacto sobre as empresas prejudicadas”, destacou.
Segundo Alban, a entidade já mantém conversas com o governo federal e com os setores mais afetados para construir medidas de curto prazo.
Brasil está entre 60 países investigados
A investigação conduzida pelos Estados Unidos alcançou 60 parceiros comerciais. Na decisão final, o Brasil foi incluído entre os países que, na avaliação do governo norte-americano, “não conseguiram impor nem aplicar de forma eficaz uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado”.
Como resultado, foi aplicada uma nova tarifa de 12,5% sobre parte das exportações brasileiras. Em muitos casos, a cobrança será somada à sobretaxa de 25% que já estava em vigor, elevando a tributação total para 37,5%.
Com informaçõesda Agência Brasil e imagem luzitanija/ Adobe Stock



















