Ex-governador de Goiás foi confirmado durante convenção nacional do partido em São Paulo; candidatura marca retorno ao cenário presidencial após 37 anos
O Partido Social Democrático (PSD) oficializou neste domingo (26) a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República. A confirmação ocorreu durante a convenção nacional da legenda, realizada na sede do partido, em São Paulo. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, foi anunciado como candidato a vice-presidente na chapa.
A composição apresentada pelo partido é formada apenas por integrantes do PSD e, até o momento, não conta com coligações. Caiado chega à disputa após vencer uma disputa interna dentro da legenda, que também avaliava os nomes dos governadores Ratinho Junior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.
Durante o evento, Caiado afirmou que a candidatura foi fortalecida pela decisão de Kassab de manter um projeto político fora da polarização entre os principais grupos que disputam a eleição.
“Eu não seria candidato se não fosse a coragem de Gilberto Kassab, que enfrentou todos aqueles que achavam que podiam calar o Brasil e que não teria mais nenhum candidato fora da polarização”, afirmou.
O candidato também declarou que pretende implantar um “novo modelo de governo” caso seja eleito e citou os resultados de sua gestão à frente do governo de Goiás.
“Não é possível que o Brasil vá querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional. Eleição não é de rejeitados. É de quem traz resultado para a sociedade brasileira. É o que nós demonstramos. Saímos do governo do Estado com 88% de aprovação, mostrando que, quando se tem capacidade para governar, a população reconhece. O que o Brasil precisa é de alguém que tenha coragem de comprar a briga pelo cidadão brasileiro”, disse Caiado.
Segundo a pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (24), o ex-governador de Goiás aparece com 12% de rejeição entre os eleitores. O levantamento aponta índices superiores para Flávio Bolsonaro (PL), com 48%, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 46%.
Durante o discurso de lançamento da candidatura, Caiado também apresentou uma proposta relacionada ao combate à violência contra mulheres. Ele afirmou que pretende confiscar os bens de homens condenados por crimes desse tipo e repassar os valores às vítimas.
“Aquele agressor de mulher, aquele que violenta a mulher ou que pratica um feminicídio. Eu vou confiscar os bens dele e transferir para a mulher”, afirmou.
Retorno à disputa presidencial
Aos 76 anos, Ronaldo Caiado volta a disputar a Presidência da República 37 anos após sua primeira tentativa. Em 1989, participou da primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar, quando concorreu pelo antigo Partido Social Democrático (PSD), legenda que não tem relação com o partido atual.
Na ocasião, recebeu cerca de 489 mil votos, o equivalente a 0,72% do total, e terminou em décimo lugar entre 22 candidatos.
Natural de Anápolis (GO), Caiado é médico ortopedista e produtor rural. Sua trajetória política começou como um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), entidade criada durante os debates sobre reforma agrária.
Ao longo da carreira, foi deputado federal, senador e governador de Goiás por dois mandatos. Em 2018, foi eleito governador no primeiro turno, com aproximadamente 1,77 milhão de votos, ou 59,73%. Quatro anos depois, foi reeleito também no primeiro turno, com 51,81% dos votos.
Caiado deixou o governo de Goiás em março deste ano para disputar a Presidência. O cargo passou a ser ocupado pelo então vice-governador Daniel Vilela (MDB).
Caminho até o PSD
Antes de se filiar ao PSD, Caiado era integrante do União Brasil. A formação de uma federação entre União Brasil e Progressistas (PP) aumentou as dificuldades internas para manter o projeto presidencial dentro do grupo político.
Em janeiro de 2026, anunciou a saída da legenda e sua filiação ao PSD. Com a desistência de Ratinho Junior, que decidiu permanecer no governo do Paraná, Caiado passou a disputar internamente a indicação com Eduardo Leite.
A direção nacional do PSD escolheu Caiado como candidato em março. No dia seguinte, ele deixou o governo de Goiás e entregou o cargo ao então vice, Daniel Vilela (MDB).
A escolha de Kassab como vice foi anunciada em 1º de julho. Ex-prefeito de São Paulo, o dirigente partidário também foi ministro nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer, além de secretário na gestão do governador paulista Tarcísio de Freitas.
Kassab fundou o PSD em 2011. Atualmente, o partido possui o maior número de prefeitos do país.
Cenário eleitoral
Apesar da chapa formada apenas por integrantes do PSD, o partido enfrenta dificuldades para concentrar apoios estaduais em torno da candidatura de Caiado.
Em São Paulo, a legenda apoia a reeleição de Tarcísio de Freitas, que está alinhado ao grupo político de Flávio Bolsonaro. Em Minas Gerais, integrantes do PSD declararam apoio a Romeu Zema (Novo), enquanto lideranças estaduais do partido no Rio de Janeiro e na Bahia apoiam o presidente Lula.
Na pesquisa Quaest divulgada em julho, Caiado aparece com 4% das intenções de voto no primeiro turno. Lula lidera o levantamento, com 40%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 28%.
Além de Caiado, já foram anunciadas as candidaturas de Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL). Romeu Zema (Novo) tem convenção marcada para esta segunda-feira (27), em Brasília, enquanto Lula (PT) deve oficializar sua candidatura em 2 de agosto, em São Paulo.
As convenções partidárias são o momento em que os partidos confirmam oficialmente seus candidatos. O prazo termina em 5 de agosto. Depois disso, as candidaturas precisam ser registradas na Justiça Eleitoral até 15 de agosto. A campanha começa oficialmente no dia seguinte.
Propostas defendidas por Caiado
Durante a pré-campanha, Caiado afirmou que pretende defender uma anistia “ampla, geral e irrestrita” para o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado.
Na segurança pública, o candidato defende que facções criminosas sejam classificadas como organizações terroristas e propõe o uso das Forças Armadas no combate ao crime organizado na Amazônia.
Na economia, Caiado afirmou que pretende promover um corte de 25% nos orçamentos do Executivo, Legislativo e Judiciário. Também declarou que não pretende aumentar impostos e que buscará reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB).
O candidato ainda afirmou que pretende enviar ao Congresso propostas de reformas administrativa, política e trabalhista, além de revisar pontos da reforma tributária. Entre as propostas está uma política industrial voltada a investimentos em tecnologia, inovação e exploração de minerais estratégicos.


















