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Levantamento revela que custo de vida pressiona orçamento, dificulta a organização financeira e adia o sonho da casa própria entre brasileiros da Geração Z

Conquistar a independência e morar sozinho continua sendo um dos principais objetivos de muitos jovens brasileiros. Na prática, porém, esse passo vem acompanhado de desafios financeiros que vão do aluguel às contas básicas da casa.

Uma pesquisa da Serasa, realizada em parceria com o Instituto Opinion Box, mostra que 62,6% dos integrantes da Geração Z que vivem sozinhos ainda moram em imóveis alugados, percentual que diminui conforme a idade e chega a 29,1% entre pessoas da Geração X e Baby Boomers, indicando que a casa própria costuma ser conquistada apenas ao longo dos anos.

O levantamento revela ainda que o aumento do custo de vida tem pressionado o orçamento de quem mora sozinho. Quase dois terços (64%) dos entrevistados afirmaram perceber alta nas despesas nos últimos 12 meses, enquanto 45% disseram ter dificuldade ou muita dificuldade para administrar as próprias contas, cenário que evidencia os desafios de manter a independência financeira em meio ao aumento dos gastos essenciais.

Aluguel ainda é realidade para a maioria dos jovens

Os dados mostram que a experiência de morar sozinho varia conforme a faixa etária. Enquanto os mais jovens ainda dependem, em grande parte, do mercado de aluguel, as gerações mais velhas apresentam maior presença da casa própria, reflexo de uma trajetória de patrimônio construída ao longo da vida.

Segundo a especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, o cenário demonstra que o aumento do custo de vida afeta praticamente todos os brasileiros que vivem por conta própria.

“A sensação de que viver ficou mais caro é semelhante entre todas as gerações, indicando que a inflação dos gastos essenciais impacta praticamente todos que vivem sozinhos, independentemente da idade”.

Além da moradia, o estudo aponta diferenças na rotina das gerações. Entre os entrevistados da Geração X e os Baby Boomers, 38% utilizam o carro como principal meio de transporte. Já entre a Geração Z, o transporte público lidera, com 26%, seguido pelas motocicletas, citadas por 23%.

Contas básicas são as maiores preocupações

Independentemente da idade, supermercado e contas domésticas aparecem como os principais responsáveis pelo aumento das despesas.

Entre os entrevistados que vivem sozinhos, 80% apontaram os gastos com alimentação como o maior impacto no orçamento. Em seguida aparecem as contas recorrentes da casa, como água, energia elétrica, internet e gás, lembradas por 51%.

O levantamento mostra ainda que os custos com moradia, aluguel, condomínio ou financiamento, ocupam a terceira posição entre as despesas mais pesadas para quem mora sozinho, citados por 34% dos participantes. Entre aqueles que vivem com familiares, esse percentual cai para 27%.

Dificuldade para fechar as contas

A pesquisa também derruba a ideia de que morar com a família significa ter uma vida financeira muito mais tranquila.

Entre quem mora sozinho, 25% consideram difícil administrar as despesas e 20% classificam essa tarefa como muito difícil. Entre os entrevistados que vivem com familiares, os percentuais são praticamente os mesmos.

Na hora de definir quais contas pagar primeiro, as prioridades também se repetem.

Para quem vive sozinho, a ordem é:

  • contas recorrentes da casa (75%);
  • supermercado (74%);
  • despesas com moradia (53%).

Segundo Aline Vieira, a pressão sobre os gastos essenciais reduz a capacidade de planejamento financeiro das famílias.

“Os dados mostram que morar sozinho deixou de ser apenas uma conquista de independência para se tornar também um grande desafio de gestão financeira, que está cada vez menos relacionado aos gastos supérfluos e cada vez mais concentrado nas despesas essenciais. Quando esses custos passam a consumir uma parcela maior da renda, sobra menos espaço para criar uma reserva financeira e lidar com imprevistos. Por isso, planejamento e organização antes da mudança fazem toda a diferença para que esse passo aconteça de forma mais sustentável”.

Como foi feita a pesquisa

O levantamento foi realizado pelo Instituto Opinion Box entre 22 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026, com 6.063 entrevistados de todas as regiões do Brasil.

Para esta análise, foram considerados 883 participantes que declararam morar sozinhos e 4.974 que vivem com familiares. A margem de erro é de 3,3 pontos percentuais para o grupo que mora sozinho e de 1,3 ponto percentual para os que vivem com familiares.

Foto: Magnific

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