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Número de microempreendedores individuais de outros países cresce 24% em um ano e atinge maior marca da série histórica; comércio de roupas, confecção e serviços de beleza concentram a maior parte das atividades

O Brasil atingiu um novo recorde de estrangeiros formalizados como microempreendedores individuais (MEIs). Em junho deste ano, o país ultrapassou a marca de 106 mil CNPJs ativos registrados por pessoas de outras nacionalidades, crescimento de 24% em relação a julho de 2025, quando havia cerca de 85,4 mil empreendedores nessa condição.

Levantamento do Sebrae mostra que o avanço acompanha o aumento da imigração e reforça o empreendedorismo como uma das principais portas de entrada para estrangeiros que buscam reconstruir a vida no país. Atualmente, os MEIs estrangeiros representam 0,78% dos mais de 13,5 milhões de microempreendedores individuais registrados no Brasil.

A Venezuela segue como o principal país de origem desses empreendedores, respondendo por um quarto do total de registros.

Venezuelanos lideram ranking

Segundo o levantamento, 26.345 venezuelanos possuem registro ativo como MEI no Brasil, o equivalente a 25% do total.

Na sequência aparecem:

  • Bolívia: 15.361 (14,5%);
  • Colômbia: 10.547 (10%);
  • Argentina: 8.607 (8,1%);
  • Cuba: 4.954 (4,7%);
  • Haiti: 4.386 (4,1%);
  • Uruguai: 4.122 (3,9%);
  • Paraguai: 4.009 (3,8%);
  • Peru: 3.696 (3,5%);
  • Portugal: 2.973 (2,8%).

Juntos, esses dez países concentram cerca de 85 mil microempreendedores, o equivalente a 80% de todos os estrangeiros formalizados como MEI no Brasil.

Crescimento acelerado

O número de estrangeiros empreendendo no país praticamente dobrou nos últimos sete anos.

Em 2019, eram 42,9 mil MEIs estrangeiros. O total passou para 74,2 mil em 2023, chegou a 76,8 mil em 2024, atingiu 85,4 mil em 2025 e agora alcança 106 mil, estabelecendo um novo recorde histórico.

Na avaliação do Sebrae, o crescimento demonstra que a formalização tem sido utilizada por imigrantes e refugiados como alternativa para inserção no mercado de trabalho e geração de renda.

“O MEI é reconhecido como uma política pública de inclusão produtiva bem-sucedida do Brasil. Para muitos estrangeiros, ter o próprio negócio é uma forma de iniciar uma nova trajetória no país. A formalização abre a oportunidade de transformar talento, trabalho e dedicação em negócios sustentáveis, com acesso a direitos, crédito, mercados e proteção social”, afirma o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares.

Comércio de roupas lidera atividades

Entre os estrangeiros formalizados, o comércio e a indústria da moda concentram o maior número de empreendedores.

As principais atividades econômicas são:

  • comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios (11.799 registros);
  • confecção de peças do vestuário (10.573);
  • cabeleireiros e outros serviços de beleza (6.663);
  • atividades de ensino (4.459);
  • restaurantes e serviços de alimentação (4.107);
  • entregas e malotes (3.886);
  • serviços especializados da construção civil (3.679);
  • transporte por táxi (3.373);
  • bufês e fornecimento de alimentos (3.304);
  • atividades de publicidade (3.207).

Esses dez segmentos reúnem pouco mais da metade dos microempreendedores estrangeiros registrados no país.

Sudeste concentra maior número de empreendedores

Em números absolutos, a maior parte dos MEIs estrangeiros está concentrada na região Sudeste, que reúne 50.519 registros.

Na sequência aparecem:

  • Sul: 35.187;
  • Centro-Oeste: 7.050;
  • Norte: 6.897;
  • Nordeste: 6.363.

Embora concentre menos empreendedores, a região Sul apresenta a maior participação proporcional de estrangeiros entre os MEIs, com 1,39% do total de microempreendedores registrados.

São Paulo lidera entre os estados

São Paulo continua sendo o estado com o maior número de microempreendedores estrangeiros, somando aproximadamente 39 mil CNPJs ativos.

Depois aparecem:

  • Santa Catarina: 14 mil;
  • Paraná: 13 mil;
  • Rio Grande do Sul: 8 mil.

Quando o critério é a participação proporcional, porém, o destaque é Roraima.

No estado, os estrangeiros representam 11% dos cerca de 24 mil MEIs existentes, reflexo da intensa migração venezuelana registrada nos últimos anos.

Na sequência aparecem Amazonas (2%), Santa Catarina (1,87%) e Paraná (1,37%).

Na outra ponta do ranking estão Amapá (112 MEIs estrangeiros), Tocantins (147) e Piauí (201).

Formalização pode ser feita pela internet

Estrangeiros que vivem regularmente no Brasil podem se registrar como microempreendedores individuais por meio da plataforma Gov.br.

Para isso, é necessário possuir a Carteira Nacional de Registro Migratório (CRNM), o Documento Provisório de Registro Nacional Migratório ou o Protocolo de Solicitação de Refúgio, documentos emitidos após cadastro junto à Polícia Federal.

Com informações e imagem da Agência Sebrae de Notícias

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