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Ligue 180 funciona 24 horas e orienta vítimas sobre direitos, serviços de proteção e canais de denúncia

Mulheres que vivem em áreas rurais, comunidades tradicionais e territórios ligados ao campo, às águas e às florestas podem enfrentar diferentes formas de violência, desde agressões e ameaças dentro de casa até conflitos relacionados à terra e à atuação de lideranças comunitárias.

Para marcar a Semana Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo, realizada entre 10 e 14 de agosto, o governo federal reforça os canais disponíveis para orientação, denúncia e proteção. Entre eles está o Ligue 180, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia.

A data de 12 de agosto também é marcada pelo Dia de Luta contra a Violência no Campo e Dia Nacional dos Direitos Humanos. O dia remete à morte da sindicalista rural Margarida Maria Alves, assassinada em 12 de agosto de 1983, na Paraíba, por sua atuação em defesa dos direitos de trabalhadores rurais.

Violência também atinge mulheres nos territórios rurais

A violência contra mulheres no campo pode assumir diferentes formas. Além da violência doméstica e familiar, há registros de ameaças e agressões contra lideranças comunitárias e sindicais e defensoras da terra e dos territórios.

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostram que, entre 2016 e 2025, 1.707 mulheres foram vítimas de diferentes formas de violência contra a pessoa no campo.

A própria entidade, porém, ressalta que parte dos registros não informa o gênero das vítimas, o que significa que os números podem não representar toda a dimensão do problema.

A distância dos centros urbanos e a dificuldade de acesso a serviços públicos podem aumentar os obstáculos para quem precisa de atendimento. Por isso, conhecer os canais disponíveis pode ser uma das primeiras medidas para chegar à rede de proteção.

Ligue 180 orienta e recebe denúncias

O Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher pode ser utilizado tanto para denunciar situações de violência quanto para buscar informações.

O serviço orienta sobre direitos e indica os equipamentos públicos disponíveis em cada região, como Casas da Mulher Brasileira, Centros de Referência, Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams), Defensorias Públicas e Ministérios Públicos.

As denúncias recebidas pela central são registradas e encaminhadas aos órgãos responsáveis.

O atendimento pode ser procurado inclusive por mulheres que não sabem qual serviço existe em seu município. A central informa onde estão localizadas as unidades especializadas mais próximas.

Canais do Ligue 180
  • Telefone: 180, gratuitamente, 24 horas por dia;
  • WhatsApp: (61) 9610-0180;
  • E-mail: [email protected];
  • Emergência: em caso de violência ocorrendo naquele momento ou risco imediato, acione a Polícia Militar pelo 190.

Quando procurar o Disque 100

Em situações que envolvam violações de direitos humanos relacionadas à terra, conflitos agrários, povos indígenas, comunidades quilombolas ou outros povos e comunidades tradicionais, também é possível recorrer ao Disque 100.

O serviço é gratuito e funciona 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. Qualquer pessoa pode registrar uma denúncia.

Depois do registro, a manifestação é analisada e encaminhada aos órgãos responsáveis pela proteção e defesa dos direitos humanos e pela eventual responsabilização dos envolvidos.

Defensoras ameaçadas têm canal específico

Mulheres que atuam na defesa dos direitos humanos, da terra, dos territórios ou do meio ambiente e estejam sofrendo ameaças em razão dessa atividade podem buscar apoio do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH), do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

O programa possui abrangência nacional. Nos estados que não contam com estrutura própria, os casos são acompanhados por equipes técnicas federais.

A solicitação de inclusão pode ser feita pela própria pessoa ameaçada ou por organizações da sociedade civil, movimentos sociais, indivíduos, grupos e órgãos públicos.

O pedido é gratuito e pode ser encaminhado pelo serviço disponível no Gov.br ou pelo e-mail [email protected].

Para quem está em situação de violência ou conhece alguém que esteja, buscar informação pode ser o primeiro passo para acessar a rede de proteção. Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo 190.

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