Carregando…

Compartilhe

Levantamento mostra que 87% dos entrevistados consideram viagens um investimento em bem-estar e 75% preferem viajar a comprar bens materiais; experiências locais ganham espaço

Viajar deixou de ser apenas uma forma de lazer para uma parcela dos brasileiros e passou a ser encarado como um investimento em qualidade de vida. É o que aponta uma pesquisa realizada pela Booking.com, segundo a qual 87% dos entrevistados consideram as viagens um investimento em bem-estar, enquanto 75% afirmam que viajar proporciona mais satisfação do que comprar bens materiais.

O comportamento abre espaço para uma modalidade que vem ganhando atenção no setor: o chamado turismo de experiência, baseado não apenas em visitar um destino, mas em participar de atividades capazes de aproximar o visitante da cultura, da gastronomia, das tradições e do cotidiano das comunidades.

O movimento também representa uma oportunidade para pequenos negócios. Segundo o Sebrae, cerca de 97% das empresas do setor de turismo no país são pequenos negócios, o que coloca empreendedores locais no centro dessa transformação do consumo turístico.

A pesquisa foi divulgada a menos de quatro meses das festas de fim de ano e do período de férias, época considerada estratégica para o setor.

Viajar mesmo com o orçamento apertado

A disposição de viajar, no entanto, não significa que o consumidor esteja disposto a gastar sem planejamento.

Para conseguir colocar a viagem no orçamento, 72% dos entrevistados disseram que reduziriam outros gastos do dia a dia, enquanto 89% afirmaram já ter feito algum tipo de ajuste financeiro para manter uma viagem dentro do orçamento.

Entre as estratégias adotadas estão a escolha de períodos mais baratos, apontada por 39% dos entrevistados, a espera por promoções ou preços melhores, citada por 36%, e o parcelamento dos gastos, mencionado por 27%.

O comportamento indica um turista interessado em viajar, mas mais atento ao preço. Para os pequenos negócios, isso significa que oferecer uma experiência diferenciada não necessariamente exige estruturas caras ou serviços sofisticados.

A analista de Competitividade do Sebrae Nacional, Ana Clévia Guerreiro, afirma que empreendedores podem adaptar seus produtos para alcançar consumidores com menor poder de compra.

“Nesse sentido, o pequeno negócio pode também se preparar para atender esse cliente que quer realizar um sonho, mas não dispõe de um orçamento tão folgado. É bom lembrar que há meios de hospedagem, restaurantes e atrativos que oferecem experiências diferenciadas. Os pequenos negócios podem oferecer um produto diferenciado, num espaço de tempo menor, com serviços mais simples para conquistar esse público”, orienta.

Segundo ela, a adaptação não precisa significar perda de qualidade na experiência oferecida ao visitante. “Isso não implica diminuir a experiência que a pessoa terá”, complementa.

Experiência pode valer mais que luxo

O turismo de experiência parte de uma lógica diferente daquela em que o viajante procura apenas os pontos turísticos mais conhecidos ou hotéis de maior estrutura.

Nesse modelo, uma refeição preparada por moradores, uma atividade ligada à cultura local, uma visita a um produtor ou uma vivência em uma comunidade podem se transformar no principal atrativo do passeio.

A analista do Sebrae cita como exemplo a tendência apontada pelo aplicativo de buscas Skyscanner para 2026, chamada de “sabores nas prateleiras”. A expressão faz referência ao comportamento de turistas que procuram reconhecer a identidade do destino por meio de produtos encontrados em supermercados e estabelecimentos locais.

A alimentação, nesse cenário, passa a funcionar também como uma forma de conhecer o lugar.

“É relevante destacar também que existem muitos restaurantes de pequeno porte, liderados por pessoas da comunidade, que têm uma comida extremamente saborosa, que propiciam uma experiência muito bacana, não só pelo valor da alimentação, mas pelo sabor dos produtos oferecidos, com uma identidade local e um atendimento muito bom”, explica Ana Clévia.

A proposta amplia as possibilidades para empreendedores que, muitas vezes, não conseguem competir com grandes empresas em estrutura ou escala, mas podem oferecer algo difícil de reproduzir: uma experiência diretamente ligada à identidade do destino.

Natal e Ano Novo exigem experiências diferentes

O fim do ano representa uma oportunidade adicional para os empreendedores do turismo, mas também exige atenção ao perfil de cada público.

Embora Natal e Réveillon estejam próximos no calendário, os dois períodos possuem características distintas. O Natal tende a ser associado à convivência familiar, enquanto o Ano Novo está relacionado à celebração e à renovação.

Para Ana Clévia Guerreiro, compreender essas diferenças é fundamental para criar produtos e serviços adequados a cada momento.

“É necessário desenvolver produtos e serviços entendendo o perfil do seu cliente para essas duas datas que são muito próximas. Mas sempre ter claro que são épocas especiais e que as pessoas querem ser surpreendidas”.

Além da experiência, a identidade brasileira pode ser um diferencial para atrair visitantes durante o período.

“Então, quem busca o Brasil nesse período do ano está buscando uma identidade, uma brasilidade, uma identidade singular vinculada às nossas tradições desse período do ano”, afirma.

Segundo a analista, produtos, serviços e experiências precisam conectar o visitante com a cultura e as tradições brasileiras.

“É importante que o produto, os serviços, as experiências oferecidas, conectem as pessoas com essa identidade, com essa nossa cultura, com o nosso jeito de ser e como a gente vive esse período de festividade”, reforça.

Pequenos negócios estão no centro da tendência

A predominância de pequenos negócios no setor turístico ajuda a explicar por que o turismo de experiência pode representar uma oportunidade para empreendedores locais.

Com cerca de 97% das empresas do setor formadas por pequenos negócios, segundo o Sebrae, atividades de menor escala podem ganhar espaço justamente por oferecerem experiências mais personalizadas.

A lógica é transformar características que poderiam parecer limitações, como uma estrutura menor ou atendimento mais próximo, em diferenciais competitivos.

Uma pousada pequena pode explorar a história da região. Um restaurante pode trabalhar ingredientes e receitas locais. Um guia pode criar roteiros voltados à cultura de uma comunidade. Um produtor pode transformar sua rotina de trabalho em uma experiência para visitantes.

A proposta é fazer com que o turista não seja apenas espectador, mas participe do destino.

Feel Brasil reúne experiências de 61 municípios

Para ampliar a visibilidade dessas iniciativas, o Sebrae e a Embratur desenvolvem o projeto Feel Brasil, uma vitrine internacional que reúne 101 experiências turísticas em 61 municípios brasileiros.

A iniciativa busca conectar turistas estrangeiros a vivências consideradas genuínas, sustentáveis e inclusivas.

Os roteiros estão disponíveis em seis idiomas e contam com fotos e vídeos produzidos profissionalmente. A plataforma permite que o visitante conheça as experiências e tenha acesso às informações necessárias para adquiri-las.

A proposta também é aumentar a competitividade dos pequenos negócios e fazer com que parte dos recursos deixados pelos turistas permaneça nas comunidades visitadas.

Outra frente é o programa Agentes de Roteiro Turístico (ART), que permite a participação de roteiros em encontros de negócios realizados durante eventos de alcance nacional.

Turismo gastronômico ganha espaço

A gastronomia aparece como uma das principais portas de entrada para o turismo de experiência.

A comida pode apresentar ao visitante ingredientes, técnicas, histórias e costumes que ajudam a explicar a identidade de um destino. Para pequenos restaurantes e produtores, isso cria a possibilidade de transformar uma atividade cotidiana em produto turístico.

A estratégia acompanha uma mudança no comportamento do consumidor: em vez de gastar apenas para chegar a um destino e conhecer seus pontos turísticos, o viajante busca cada vez mais algo que possa vivenciar e levar na memória.

Oportunidade para quem quer empreender no turismo

Os dados da pesquisa mostram que existe uma contradição que pode se transformar em oportunidade para o setor.

De um lado, o consumidor está mais preocupado com o orçamento e procura promoções, períodos de menor preço e formas de parcelamento. De outro, a viagem ganhou importância como fonte de satisfação e qualidade de vida.

Para os pequenos negócios, o caminho apontado pelo Sebrae é oferecer experiências que tenham valor percebido sem necessariamente exigir grandes investimentos do turista.

O desafio é entender o que torna cada destino único e transformar essa característica em produto.

No turismo de experiência, portanto, a competitividade não depende apenas de preço ou infraestrutura. A identidade local, a gastronomia, o atendimento e a possibilidade de viver algo diferente podem se tornar parte essencial do valor da viagem.

Com a aproximação das férias e das festas de fim de ano, a tendência cria espaço para empreendedores que consigam transformar cultura, sabores e tradições locais em experiências capazes de convencer o turista de que, mesmo diante de um orçamento mais apertado, vale a pena viajar.

Com informações e imagem da Agência Sebrae de notícias

Os comentários a seguir não representam a opinião do Portal Total News

Deixe um comentário

Total News MS

AD BLOCKER DETECTED

Indicamos desabilitar qualquer tipo de AdBlocker

Please disable it to continue reading Total News MS.