Em entrevista à Total News, empresária relembrou a trajetória da Só Sal, falou sobre liderança feminina, gestão de pessoas e os desafios de preparar uma empresa familiar para o futuro
A história de Aline Zacarini se mistura à trajetória da empresa que seus pais começaram a construir há quatro décadas em Mato Grosso do Sul. Filha dos fundadores da Só Sal, ela cresceu acompanhando de perto os desafios de um negócio familiar e hoje divide com os dois irmãos a gestão da empresa, que chegou a seis unidades no estado.
Em entrevista à Total News, Aline relembrou os primeiros passos da família em Mato Grosso do Sul. Vindos do interior de São Paulo, os pais inicialmente viveram em uma fazenda em Bandeirantes. Depois de enfrentar dificuldades na produção rural, encontraram no comércio uma nova oportunidade.
Foi às margens da BR que o pai de Aline abriu um pequeno negócio, com a casa da família nos fundos e a loja na parte da frente. O empreendimento, criado em 1986, deu origem à Só Sal.
A chegada a Campo Grande aconteceu em 2009, quando a família abriu a primeira unidade na Capital. O crescimento continuou nos anos seguintes e, em 2017, a empresa mudou para uma estrutura maior na Avenida Coronel Antonino. Em 2024, uma nova etapa de expansão começou com a chegada a Rio Verde.
Para Aline, chegar aos 40 anos de história não é uma questão de sorte, mas resultado de um trabalho construído pelos pais e continuado pela nova geração.
“Então a gente fala que não é sorte a gente ter 40 anos. É um legado que a gente vem construindo, que os meus pais souberam fazer essa transição com muita sabedoria para a gente.”
Crescimento também exige preparar pessoas
Com a expansão da empresa, a gestão precisou acompanhar as novas demandas. Aline conta que, nos últimos anos, a Só Sal passou por um processo de preparação para crescer de forma estruturada, com a formação de novas lideranças e investimentos no desenvolvimento dos profissionais.
Para ela, a permanência de uma empresa familiar ao longo das gerações depende também da capacidade de aprender e mudar. A empresária destaca a busca por conhecimento como uma das características importantes tanto para quem está à frente do negócio quanto para os funcionários.
“Acredito muito que é a gente buscar conhecimento.”
Aline também defende uma gestão que enxergue os trabalhadores para além das funções que exercem. A empresa mantém iniciativas de capacitação e desenvolvimento profissional, enquanto os próprios gestores, segundo ela, precisam continuar se preparando para acompanhar as transformações do mercado.
Esse processo também envolve aprender com os erros. Ao falar sobre os desafios enfrentados ao longo da trajetória, Aline resumiu uma das lições que levou para a gestão da empresa:
“A gente brinca que só pode errar erro novo, o que passou para trás não dá mais. Tropeçar na mesma pedra não dá.”
Entre a empresa, a família e as novas tecnologias
A rotina de liderança também se cruza com a vida pessoal. Mãe de dois adolescentes e esposa, Aline falou sobre a tentativa de conciliar diferentes responsabilidades e sobre a necessidade de encontrar equilíbrio entre os papéis que fazem parte da vida de uma mulher.
“Então a gente tem que ter sabedoria para saber lidar com todos esses pratos e todas essas posições. Mas quando a gente faz com amor, a gente consegue fazer bem em todos eles.”
Outro ponto abordado na entrevista foi a transformação provocada pela tecnologia e pela inteligência artificial. Aline reconhece que novas ferramentas podem contribuir para melhorar processos, mas acredita que a tecnologia não substitui a relação construída diretamente entre as pessoas.
“Mas nada substitui isso que a gente está fazendo aqui agora. O olho no olho, o relacionamento.”
Para a empresária, essa mudança também aparece nas diferenças entre gerações. Enquanto os mais jovens estão cada vez mais acostumados a relações digitais e instantâneas, empresas precisam lidar com profissionais que possuem experiências, expectativas e formas de trabalhar diferentes.
No agronegócio, onde a relação entre produtor e profissional ainda tem peso importante, Aline considera que a tecnologia deve ser incorporada sem deixar de lado o contato humano.
Resiliência para continuar crescendo
Ao relembrar os 40 anos da empresa, Aline também falou sobre os momentos difíceis enfrentados pela família e sobre como essas experiências influenciaram sua maneira de enxergar os negócios. Para ela, dificuldades fazem parte da trajetória de qualquer empresa, mas a resposta aos problemas é o que pode determinar os próximos passos.
A empresária defende que, diante dos obstáculos, é preciso buscar soluções, continuar aprendendo e evitar que os problemas paralisem o negócio.
“Então quando a gente abaixa a cabeça e busca soluções, a gente encontra soluções.”
Para Aline, a construção de uma empresa sólida não acontece de forma imediata. É preciso ter paciência, disposição para trabalhar e capacidade de adaptação. Depois de quatro décadas de história, ela vê o futuro da empresa como uma continuidade desse processo de aprendizado e crescimento.
“A mensagem seria que a gente tem que ter muita resiliência, tem que buscar crescer, tem que se aprimorar sempre e saber ter paciência, dar tempo, porque as coisas levam tempo para se maturar.”


















