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Levantamentos apontam fechamento de 31,3 mil empresas e redução de 245,6 mil postos privados registrados desde o início da gestão; inflação anual caiu para 33,5%

A Argentina fechou 31,3 mil empresas e perdeu 245,6 mil empregos privados formais desde o início do governo do presidente Javier Milei. Os dados abrangem diferentes períodos da gestão e mostram uma redução no número de empresas e postos de trabalho, enquanto a inflação acumulada em 12 meses caiu de 289% em abril de 2024 para 33,5% em agosto de 2026.

O levantamento da Fundar, centro de pesquisas argentino, considera o período entre novembro de 2023, quando Milei assumiu a Presidência, e junho de 2026. Segundo o Monitor Mensal de Empresas, foram fechadas 31,3 mil empresas, o equivalente a 6,1% do total de companhias registradas no país.

“Se observarmos os dados do governo Milei, vemos que, durante essa gestão, o número de empresas caiu tanto quanto na pandemia”, diz o relatório da Fundar.

Dos 18 setores analisados pela instituição, 14 registraram redução no número de empresas. A retração atingiu 23 das 24 províncias argentinas. A exceção foi Neuquén, onde a exploração de gás natural de Vaca Muerta tem impulsionado as exportações do país.

Entre as 709 empresas que fecharam as portas no último mês analisado estavam companhias com mais de 50 anos de atividade, como a Din S.A., do setor metalúrgico, e a Clan Issime, do segmento têxtil.

Segundo a Fundar, a Clan Issime chegou a ter 129 funcionários, 14 lojas próprias e mais de cem pontos de venda terceirizados. No momento do fechamento, restavam nove trabalhadores na fábrica.

Empregos formais

A redução no número de empresas também aparece nos dados do mercado de trabalho. Segundo levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa), 245,6 mil empregos privados registrados foram perdidos entre novembro de 2023 e junho de 2026, uma queda de 3,9% do total.

Parte da redução foi compensada pelo crescimento do número de trabalhadores autônomos. No período, houve aumento de 169 mil pessoas nessa modalidade, alta de 8,3%.

“Os empregos perdidos são parcialmente substituídos por atividades desprotegidas”, afirma o relatório do Cepa.

A taxa de desemprego também aumentou. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), o índice chegou a 7,9% da população economicamente ativa no primeiro semestre de 2026, alta de 0,3 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025.

Indústria registra queda

A indústria argentina também apresentou retração. Dados oficiais do Indec mostram queda de 2,6% no acumulado de 12 meses encerrado em julho de 2026.

Entre os setores analisados, a indústria de equipamentos eletrônicos e médicos teve uma das maiores retrações, com queda acumulada de 19,1% em um ano.

Os números aparecem em um momento de forte redução da inflação argentina. A taxa anual, que chegou a 289% em abril de 2024, caiu para 33,5% em agosto de 2026, considerando os 12 meses anteriores.

O professor de economia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP) Paulo Gala afirmou à Agência Brasil que a estabilidade inflacionária no país é frágil.

Segundo o economista, o resultado está relacionado ao corte de gastos públicos, aos empréstimos bilionários com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e à valorização do peso argentino. Para ele, a moeda valorizada contribui para conter a inflação, mas prejudica a indústria.

“A moeda sobrevalorizada ajuda a controlar a inflação, só que ela detona o setor industrial. Estamos vendo agora é a contração industrial, perda de empregos industriais, desemprego com quase 8% e o crescimento perdendo muito fôlego”, afirmou.

A dívida externa argentina, de US$ 350 bilhões, também foi apontada pelo economista como um elemento de fragilidade da economia do país.

Críticas à política econômica

A situação econômica argentina também foi analisada pela revista britânica The Economist. Em editorial publicado neste mês, a publicação afirmou que o país precisa de mais crescimento e criticou aspectos da condução econômica do governo Milei.

“Os salários reais ainda são menores do que quando ele assumiu o cargo; empregos formais estão desaparecendo”, destacou a revista, acrescentado que ” Milei se mostrou relutante em aceitar que seus esforços para conter a inflação tenham prejudicado o crescimento”.

Governo defende resultados

O governo de Javier Milei contesta as análises negativas sobre o desempenho da economia argentina.

Em discurso durante uma conferência sobre perspectivas econômicas e políticas, no fim de agosto, o presidente destacou os resultados de indicadores como exportações, consumo privado, inflação e Produto Interno Bruto (PIB).

A economia argentina cresceu 4,4% em 2025, após registrar retração de 1,3% em 2024.

“Se fosse realmente o caso de todas as empresas estarem fechando e nenhuma abrindo, o desemprego teria que estar disparando, e o desemprego não está disparando”, justificou.

Milei também criticou empresários que dependem do Estado.

“Queremos ser grandes? Precisamos amadurecer, e esses capitalistas de compadrio precisam falir”, disse.

Com informações e imagem de Agência Brasil

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