Manifestação em Campo Grande reuniu alunos em defesa da democracia, da ciência e do ensino público, em meio a denúncias de ameaças contra universidades federais
Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) realizaram, na quinta-feira (8), uma manifestação em defesa da universidade pública, da democracia e da ciência, em Campo Grande. A mobilização reuniu participantes no campus da Cidade Universitária, com oficina de cartazes e caminhada até a Reitoria, além de mensagens de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Organizado por movimentos estudantis e organizações políticas, o ato contou com bandeiras, cartazes e manifestações em defesa dos serviços públicos. Entre as mensagens exibidas estavam frases como “Pela universidade pública”, “Democracia não se vende!” e “O Brasil não está à venda”. Estudantes da área da saúde também defenderam o Sistema Único de Saúde (SUS).
A programação começou às 16h, com a oficina de cartazes. Por volta das 18h, os participantes iniciaram a caminhada pelo campus, com passagem pela avenida Costa e Silva e encerramento na Reitoria.
Além das pautas relacionadas à educação, os participantes destacaram a importância de aproximar as reivindicações estudantis das demandas dos trabalhadores. Durante a caminhada, gritos como “Trabalhador, olha pra cá, eu tô na rua pro seu filho estudar” defenderam a educação pública como um direito que beneficia toda a sociedade.
Outro grito entoado pelos manifestantes foi “Trabalhador, presta atenção, a escala 6×1 só é boa pro patrão”, em referência à discussão sobre a jornada de trabalho. As mensagens reforçaram a tentativa de ampliar o diálogo entre o movimento estudantil e a classe trabalhadora.
A psicóloga Vanessa Alves, que participou da mobilização, destacou a importância da organização coletiva dos estudantes na defesa de direitos e de uma educação pública de qualidade. “A união dos estudantes em momentos cruciais é a ferramenta mais poderosa para transformar a indignação coletiva em força política real”, afirmou.
Para ela, a mobilização ganha força quando aproxima a juventude dos trabalhadores. “Os estudantes de hoje são os trabalhadores de amanhã, e as crises que sucateiam a educação são as mesmas que precarizam a vida de quem produz o país”, ressaltou.
Vanessa também defendeu a união entre diferentes setores da sociedade para ampliar as reivindicações por educação e melhores condições de vida. Segundo ela, a luta por justiça social é coletiva.
O ato também expressou apoio à continuidade do atual governo federal. A manifestação reuniu estudantes e apoiadores em torno de pautas educacionais e políticas, em um período de mobilização eleitoral no país.
Atos ocorrem em meio a denúncias de ameaças a universidades
A manifestação na UFMS ocorreu em uma semana marcada por denúncias de ameaças contra instituições federais de ensino. Na quinta-feira (8), o Ministério da Educação (MEC) anunciou que acionará a Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal para investigar mensagens ameaçadoras direcionadas a universidades.
A medida foi anunciada após denúncias feitas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), atingida por um incêndio de grandes proporções, e pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que informou ter recebido mensagens com ameaças à instituição e a estudantes.
Na UFPE, o incêndio atingiu um prédio que abrigava laboratórios de pesquisa. As atividades desenvolvidas no local incluíam pesquisas de doutorado e pós-doutorado voltadas à saúde, com estudos sobre condições como autismo, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e câncer, entre outras áreas. São trabalhos que podem envolver anos de investigação científica e dedicação de pesquisadores.
O prejuízo foi estimado em R$ 100 milhões pelo reitor da universidade. A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar as causas do fogo. As denúncias de ameaças nas redes sociais serão objeto de apuração específica.
Já a UFF relatou ameaças compartilhadas em aplicativos de mensagens e redes sociais, incluindo referências a incendiar a universidade e agredir estudantes durante atos políticos. A instituição também acionou a Polícia Federal.
O ministro também ressaltou o papel das instituições de ensino como espaços de debate e participação política. “A universidade é um ambiente plural, um ambiente de manifestação política também”, acrescentou.
As denúncias contra as universidades estão sob investigação, e as causas do incêndio na UFPE ainda precisam ser esclarecidas. Até o momento, as informações divulgadas pelas instituições e autoridades citadas não indicam relação entre esses episódios e a manifestação realizada na UFMS.
*Foto de capa: Rafaela Palieraqui
















