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Pesquisa mostra que 26% dos empresários associam apostas online à queda no faturamento; entre os que têm funcionários, 40% relatam impactos nas equipes

A maioria dos donos de micro e pequenas empresas brasileiras é favorável à proibição das apostas online. É o que aponta uma pesquisa do Sebrae, segundo a qual 66% dos empreendedores apoiam o fim das bets no país. O levantamento também indica que 26% dos entrevistados associaram a redução do faturamento nos últimos 12 meses ao avanço dos jogos virtuais.

Entre os empresários ouvidos, 57% disseram ser totalmente favoráveis à proibição e 8,8% afirmaram apoiar parcialmente a medida. Na outra ponta, 23,5% se declararam contrários, sendo 17% totalmente contra e 6% parcialmente contra.

O estudo ouviu 1.028 representantes de micro e pequenas empresas de diferentes setores e regiões do Brasil. Os resultados apontam preocupação com os efeitos das apostas sobre o orçamento dos consumidores, o movimento no comércio e a situação financeira dos trabalhadores.

Segundo o Sebrae, 51% dos entrevistados não identificaram efeitos diretos das bets sobre o faturamento de seus negócios. Outros 23% disseram não saber avaliar a extensão de eventuais perdas, enquanto apenas 0,2% relataram ganhos associados ao segmento.

Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, o avanço das apostas comprometeu a renda de famílias brasileiras e afetou o consumo de produtos e serviços.

“Os dados mostram com clareza que o recurso antes destinado ao consumo de bens, produtos e serviços no comércio local acabou migrando para os jogos online, afetando diretamente o caixa dos pequenos negócios”, afirmou.

Menos dinheiro para consumir preocupa empresários

A pesquisa identificou mudanças no comportamento dos consumidores percebidas pelos empresários. Ao todo, 48% dos entrevistados relataram ao menos uma alteração que associam às apostas online.

A principal preocupação é a redução do dinheiro disponível para compras, mencionada por 33% dos participantes. Outros 18% observaram aumento da inadimplência ou atrasos nos pagamentos, enquanto 11,5% registraram maior procura por parcelamentos ou compras fiadas.

A substituição de produtos por opções mais baratas foi citada por 10% dos empresários.

Os dados indicam que os efeitos percebidos vão além da perda de vendas. A redução da renda disponível pode comprometer o pagamento de despesas cotidianas e dificultar o acesso dos consumidores a bens e serviços, com possíveis reflexos sobre o comércio de bairro e os pequenos prestadores de serviços.

Endividamento e queda de produtividade chegam às empresas

Os efeitos das apostas também aparecem no ambiente de trabalho. Entre os negócios que possuem funcionários, 40% dos empresários disseram que suas equipes foram afetadas pelas bets.

Nos comentários apresentados pelos entrevistados, apareceram relatos de trabalhadores endividados, pedidos frequentes de adiantamento salarial, apostas durante o expediente, noites mal dormidas e queda de produtividade. Também houve menções a desfalques financeiros.

Os relatos apontam preocupações que atingem tanto a organização das empresas quanto a vida financeira e pessoal dos trabalhadores. O levantamento, porém, registra percepções dos empresários e não permite concluir que todos esses problemas sejam causados exclusivamente pelas apostas.

Décio Lima afirmou que os impactos ultrapassam o caixa dos estabelecimentos e atingem a gestão de pessoal.

“O efeito das apostas transbordou o faturamento e impactou também a gestão de pessoas, provocando endividamento e queda de produtividade entre os colaboradores”, disse.

38% esperam aumento nas vendas

Apesar das dificuldades relatadas, a perspectiva dos empresários em relação ao fim das apostas é predominantemente positiva. Segundo a pesquisa, 38% esperam aumento do faturamento após a proibição, enquanto 42% acreditam que as vendas permanecerão no mesmo patamar.

Apenas 0,6% preveem queda nas vendas. Os demais entrevistados não estão contemplados nesses três percentuais, que não devem ser interpretados como uma distribuição completa das respostas.

Ao avaliar o possível impacto do fim das bets sobre a economia local, em uma escala de zero a dez, os participantes atribuíram nota média de seis. Cerca de 24% deram a nota máxima, indicando expectativa de efeito positivo significativo para a cidade ou região.

A avaliação demonstra otimismo de parte dos empreendedores, mas não representa uma garantia de recuperação das vendas. O resultado dependerá de fatores como renda das famílias, emprego, crédito, endividamento e condições gerais da economia.

Pesquisa ouviu empresas de diferentes setores

O levantamento reuniu 1.028 respondentes. As microempresas representam 56% da amostra, seguidas pelos microempreendedores individuais (MEIs), com 22,5%, e pelas empresas de pequeno porte (EPPs), com 21,5%.

Os negócios do setor de serviços correspondem a 53% dos participantes. O comércio representa 29%, enquanto indústria e construção somam 12,5%. O agronegócio responde por 3% da amostra.

Na distribuição regional, o Sudeste concentra 55% dos entrevistados, seguido pelo Sul, com 22%; Nordeste, com 14%; Centro-Oeste, com 6%; e Norte, com 3%. Segundo o Sebrae, houve participação de empresas dos 26 estados e do Distrito Federal.

Os percentuais regionais e setoriais foram arredondados e podem não totalizar exatamente 100%.

Proibição exige atenção à situação legal

A pesquisa foi divulgada em meio ao debate sobre os efeitos econômicos e sociais das apostas esportivas e dos jogos online. O Sebrae defende que a retirada desses serviços pode favorecer a destinação de recursos ao consumo e fortalecer os negócios locais.

A informação de que as plataformas começaram a sair do ar em 6 de outubro e a referência à Medida Provisória nº 1.394/2026, mencionadas na divulgação original, precisam ser conferidas na legislação e nos atos oficiais antes da publicação. A situação jurídica da medida, seu alcance e eventuais restrições devem ser apresentados de acordo com o texto oficial vigente.

Com informações e imagem da Agência Sebrae

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