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Levantamento do Diap mostra mudança no perfil profissional da Câmara; médicos e administradores crescem, enquanto produtores rurais perdem espaço

Os empresários passaram de segundo para primeiro lugar entre as profissões declaradas pelos deputados federais eleitos no Brasil. Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) aponta 147 parlamentares nessa categoria em 2026, ante 84 em 2022. No mesmo período, os advogados passaram de 103 para 101 registros, deixando a liderança que ocupavam na eleição anterior.

A diferença entre as duas categorias se ampliou. Em 2022, havia 19 registros a mais de advogados do que de empresários. Para a legislatura que começa em fevereiro de 2027, os empresários aparecem com 46 registros a mais que os advogados. Os números foram publicados pela Agência Câmara com base no levantamento do Diap.

A mudança ocorre em uma Câmara na qual profissões ligadas à administração, à saúde e à atividade empresarial continuam entre as mais frequentes. Entre os eleitos em 2026, depois dos empresários e advogados aparecem professores, com 44 registros; administradores e médicos, com 42 cada; engenheiros e produtores rurais, com 26 cada.

Em 2022, os professores somavam 50 registros, os produtores rurais, 40, os médicos, 36, e os administradores, 33. Os engenheiros mantiveram o mesmo número nas duas eleições, com 26 registros.

Empresários avançam e produtores rurais recuam

Entre as profissões com números disponíveis nos dois levantamentos, o maior crescimento foi o dos empresários. A categoria passou de 84 para 147 registros, aumento de 63, ou aproximadamente 75%.

Os médicos também cresceram, de 36 para 42, enquanto os administradores passaram de 33 para 42. Já o número de professores caiu de 50 para 44, redução de 12%.

Os produtores rurais tiveram uma queda de 40 para 26 registros, diminuição de 14, ou 35%. Os advogados passaram de 103 para 101, enquanto os engenheiros permaneceram em 26.

A comparação mostra mudanças na distribuição das profissões declaradas pelos eleitos, mas não permite concluir, por si só, que os parlamentares atuarão prioritariamente em defesa dos interesses de suas categorias. O levantamento identifica as atividades profissionais informadas, não o conteúdo dos projetos que serão apresentados ou votados.

Saúde, educação e segurança se destacam

Além das profissões individuais, o Diap agrupou os eleitos por áreas de atuação. Na composição de 2027, a saúde reúne 60 parlamentares, seguida pela educação, com 47, e pela segurança, com 38. A área religiosa contabiliza 13 integrantes: dez pastores, dois teólogos e um padre.

Em 2022, a segurança também se destacava, com 41 integrantes, entre eles 21 policiais militares e 13 delegados de polícias civis e federais. A área religiosa reunia 29 parlamentares, dos quais 17 eram pastores evangélicos.

A comparação indica redução de três registros na área de segurança e de 16 na religiosa. Os dados, porém, exigem cautela: as áreas de atuação reúnem diferentes profissões e não devem ser confundidas com as categorias profissionais individuais.

Influenciadores digitais mais que dobram

Embora as redes sociais tenham se consolidado como ferramentas de comunicação política, os parlamentares que declaram atuar como influenciadores digitais ou youtubers ainda são poucos em relação ao conjunto da Câmara.

Em 2026, sete eleitos informaram essas atividades, ante três em 2022. O número mais que dobrou, embora continue distante das categorias mais numerosas.

O levantamento de 2026 também registra 18 servidores públicos, 17 jornalistas, 17 policiais militares, 11 comunicadores e 11 delegados de polícia. Há ainda dez economistas e dez pastores entre as profissões declaradas.

Ao todo, os eleitos em 2026 somam 702 registros de profissões e ocupações, número superior às 513 cadeiras da Câmara. Isso ocorre porque alguns parlamentares informaram duas ou três atividades. Em 2022, o levantamento contabilizava 649 menções.

Diap considera profissão de origem

O levantamento do Diap procura detalhar o perfil profissional dos parlamentares para além das informações gerais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No registro das candidaturas, alguns eleitos informam o cargo político que ocupam, como deputado, em vez da profissão de origem.

Em 2022, a Agência Câmara informou que 252 eleitos haviam declarado a ocupação de deputado sem indicar a profissão anterior. O estudo do Diap busca identificar essas atividades para ampliar a análise da composição do Legislativo.

Os novos deputados tomam posse em 1º de fevereiro de 2027, quando começa a 58ª legislatura da Câmara dos Deputados.

Com informações da Agência Câmara de Notícias

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