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Previsão indica calor acima da média e chuvas irregulares; 675 profissionais de saúde foram capacitados para enfrentar eventos extremos

Mato Grosso do Sul deve enfrentar um trimestre com temperaturas acima da média histórica e chuvas que podem superar os volumes habituais, mas distribuídas de forma irregular entre as regiões. A previsão do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima) considera a influência do El Niño, fenômeno climático que deve atingir a categoria muito forte e aumentar o risco de episódios de calor intenso no estado.

O cenário também favorece a formação de tempestades severas, com possibilidade de chuva intensa em curto período, vendavais, raios e queda de granizo. O aquecimento durante o dia contribui para a instabilidade atmosférica, mas a previsão de volumes elevados de chuva não significa que todas as cidades terão o mesmo comportamento climático.

A meteorologista e coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, explica que a localização de Mato Grosso do Sul em uma zona de transição climática contribui para as diferenças entre as condições registradas em cada região.

“Mato Grosso do Sul está inserido em uma zona de transição climática, apresentando elevada variabilidade espacial e temporal das condições atmosféricas, principalmente de precipitação. O trimestre, entre novembro e janeiro, tem tendência de chuvas acima da média, mas podem ocorrer períodos de estiagem, distribuição irregular, diferenças significativas entre regiões e municípios”.

Cenário difere do registrado em 2023 e 2024

Embora a previsão indique chuva acima da média histórica, o próximo trimestre também deve registrar períodos de calor intenso. A combinação exige atenção, já que as precipitações podem ocorrer de maneira irregular, com intervalos de estiagem mesmo durante uma estação mais chuvosa.

Segundo Valesca Fernandes, Mato Grosso do Sul já registrou ondas de calor e episódios de temperaturas acima da média histórica. O cenário atual, porém, apresenta diferenças em relação aos anos de 2023 e 2024, quando o El Niño forte contribuiu para um período de aquecimento intenso associado à falta de chuva.

“Embora o Estado já tenha registrado algumas ondas de calor e episódios de temperaturas acima da média histórica, o cenário atual difere de 2023 e 2024, quando sob o domínio de El Niño forte, ocorreu um intenso aquecimento acompanhado por expressivo déficit pluviométrico, criando um ambiente extremamente propício à propagação de grandes queimadas”.

MS capacita 675 profissionais de saúde

Além do monitoramento climático, o governo de Mato Grosso do Sul prepara a rede de saúde para atender possíveis impactos de eventos extremos. Desde agosto, 675 profissionais foram capacitados pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), que também incluiu Porto Murtinho no plano de preparação para essas ocorrências.

Os treinamentos abrangem as nove regiões de saúde e incluem orientações sobre atendimento clínico, protocolos de emergência e avaliação da estrutura dos municípios. A preparação considera situações como secas, queimadas, ondas de calor e chuvas intensas.

Nos dias 20 e 21 de outubro, a programação chegou a Porto Murtinho, onde mais de 25 profissionais receberam capacitação. A iniciativa leva em conta a relevância do município no contexto da Rota Bioceânica.

As atividades também contemplaram profissionais da saúde indígena. Em 31 de agosto, 51 integrantes do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) participaram de um treinamento voltado à preparação para atender populações vulneráveis.

Entre os polos regionais, Bonito registrou 101 profissionais capacitados, seguido por Coxim, com 77, e Campo Grande, com 76. As ações também passaram por Dourados, Corumbá, Nova Andradina, Chapadão do Sul, Ponta Porã e Três Lagoas.

O coordenador do Ciatox (Coordenação do Centro de Informação e Assistência Toxicológica) da SES, Karyston Adriel da Costa, destaca a importância da preparação das equipes para identificar riscos e atender pessoas afetadas por eventos climáticos extremos.

“Em situações de eventos climáticos extremos, a identificação precoce dos riscos e o atendimento adequado fazem diferença na prevenção de complicações. Por isso, é importante que os profissionais estejam preparados para reconhecer os agravos relacionados a esses eventos e adotar as condutas necessárias em cada situação”, destacou.

Com informações de Natalia Yahn, Comunicação Governo de MS, e André Lima, Comunicação SES. Imagem: Álvaro Rezende, Secom-MS (arquivo)

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