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Cobertura chega a 81,79% no estado, enquanto primeira dose alcança 97,10%; avanço da doença nas Américas aumenta preocupação com a reintrodução do vírus

Mato Grosso do Sul registra cobertura de 81,79% na segunda dose da vacina contra o sarampo, índice inferior ao da primeira aplicação, que alcançou 97,10% até 1º de setembro de 2026. A diferença entre os indicadores preocupa as autoridades de saúde diante do avanço da doença em outros países e do risco de reintrodução do vírus no Brasil.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), o estado não tem casos confirmados de sarampo neste ano. Até o momento, foram contabilizados 24 casos suspeitos, dos quais 23 foram descartados e um permanece sob investigação.

A orientação da SES é que moradores procurem uma unidade de saúde para conferir a caderneta de vacinação e completar o esquema, caso necessário. A recomendação vale para crianças, adolescentes e adultos, conforme a faixa etária e o histórico de imunização.

A diferença entre as coberturas indica que a segunda dose ainda precisa alcançar mais pessoas. Embora a primeira aplicação tenha se aproximado de 100%, a proteção recomendada depende do cumprimento do esquema vacinal previsto para cada idade.

“É fundamental que pais e responsáveis verifiquem se as crianças receberam todas as doses recomendadas, mas essa atenção também deve se estender aos adolescentes e adultos”, afirma Ana Paula Goldfinger, coordenadora de Imunização da SES.

A gestora orienta que pessoas sem certeza sobre o histórico vacinal procurem os serviços de saúde para conferir os registros e receber orientações.

Casos nas Américas aumentam preocupação

O alerta ocorre em meio ao avanço do sarampo em diferentes países. Segundo os dados citados pela SES, os Estados Unidos registram quase 4 mil casos confirmados em 2026, o maior número anual em mais de 35 anos. Mais de 90% dos casos envolvem pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida.

Nas Américas, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram 99,5% dos casos confirmados neste ano, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No Brasil, foram confirmados 61 casos importados ou relacionados à importação.

A circulação internacional do vírus aumenta o risco de novos casos em locais onde a cobertura vacinal não é suficiente para impedir sua transmissão. Por isso, manter a vacinação em dia é uma das principais estratégias para evitar a disseminação da doença.

Em Mato Grosso do Sul, os últimos casos confirmados ocorreram em 2020, quando Campo Grande registrou dez ocorrências. Em 2019, foram quatro casos: dois em Campo Grande e dois em Três Lagoas.

Campanha aplicou mais de 4 mil doses da tríplice viral

Para ampliar a proteção da população, a SES realizou ações de intensificação da vacinação e de vigilância epidemiológica nos municípios.

Durante a campanha de multivacinação de outubro, foram aplicadas 84.439 doses de diferentes vacinas em Mato Grosso do Sul. Desse total, aproximadamente 4.262 foram da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, considerando a primeira e a segunda doses.

Os números ainda passam por processamento e devem ser disponibilizados na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), conforme a secretaria.

Em setembro, a pasta também promoveu um treinamento sobre sarampo em Campo Grande, com participação dos 79 municípios do estado. A atividade abordou aspectos clínicos e epidemiológicos da doença, além de estratégias para ampliar a vacinação e fortalecer a identificação de casos suspeitos.

Outra iniciativa prevista é o programa Aluno Imunizado, programado para ocorrer de 3 a 13 de novembro. A ação prevê vacinação em escolas municipais, estaduais e privadas, além da emissão da Declaração de Vacinação Atualizada.

Crianças e adultos devem conferir o esquema vacinal

A vacina tríplice viral é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As recomendações variam conforme a idade e as doses já registradas.

  • Crianças: a primeira dose é indicada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
  • Pessoas de 1 a 29 anos: devem ter duas doses registradas.
  • Pessoas de 30 a 59 anos: devem ter pelo menos uma dose comprovada.
  • Pessoas com 60 anos ou mais: não têm indicação de vacinação de rotina contra o sarampo pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI); situações específicas devem ser avaliadas pelos serviços de saúde.

A SES ressalta que adolescentes e adultos também precisam verificar os registros, mesmo que tenham sido vacinados na infância. A equipe de saúde pode avaliar a necessidade de doses adicionais conforme o histórico individual.

Sarampo é altamente contagioso

O sarampo é uma doença viral transmitida pelo ar e pode provocar complicações graves, como pneumonia e encefalite, além de levar à morte. Crianças pequenas, gestantes e pessoas com baixa imunidade estão entre os grupos com maior risco de complicações.

Entre os sintomas estão febre, manchas avermelhadas na pele, tosse, coriza e conjuntivite. Pessoas que apresentarem esses sinais devem procurar atendimento de saúde e informar sobre possíveis contatos com casos suspeitos ou viagens recentes.

A identificação rápida de casos suspeitos permite que os serviços de saúde adotem medidas para reduzir o risco de transmissão. Em um cenário de circulação internacional do vírus, a atualização da caderneta de vacinação continua sendo a principal forma de prevenção.

Com informações e imagem do Governo de Mato Grosso do Sul

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