À propósito deste domingo, dia do 2º Turno das eleições, somos convidados a uma profunda reflexão sobre a intersecção entre a nossa fé, a prática da cidadania e a nossa responsabilidade política perante a sociedade. O cristão, ao caminhar guiado pelos princípios do Evangelho, encontra na sua fé, não uma fuga da realidade social, mas sim o alicerce para agir com sabedoria, discernimento e amor ao próximo.
O Perigo da Polêmica e do Extremismo
Em períodos eleitorais, o clima de acirramento costuma tomar conta das conversas, das redes sociais e até mesmo dos ambientes familiares e comunitários. A prática da fé cristã nos convoca, contudo, a um caminho de sobriedade e pacificação:
Evitar a polêmica vazia: Discussões que geram divisão sem construir soluções devem ser rejeitadas por aqueles que buscam ser agentes de paz.
Rejeitar o polarismo e o extremismo: O polarismo e seu irmão gêmeo, o extremismo, cegam o diálogo, desumanizam o oponente e corrompem a essência do amor cristão, que prega o respeito à dignidade de cada ser humano criado à imagem e semelhança de Deus.
Um Exemplo Bíblico: A Serenidade de Daniel na Política
A Bíblia nos oferece exemplos preciosos de servos de Deus que atuaram no coração do poder político sem perder a identidade espiritual ou ceder ao ódio partidário. O profeta Daniel é o grande estudo de caso dessa postura.
Vivendo na Babilônia — um império estrangeiro, politeísta e muitas vezes opressor —, Daniel serviu a diferentes reis e governantes seculares de altíssimo escalão. Ele não se omitiu da vida pública nem recusou servir ao Estado com competência e ética; pelo contrário, destacou-se pela sua excelência profissional e retidão (Daniel 6:3).
No entanto, Daniel manteve uma serenidade inabalável porque a sua segurança não dependia do favor dos príncipes, mas da soberania de Deus. Quando decretos injustos ou pressões políticas tentaram violar sua fé e sua consciência, ele manteve-se firme, orando em seu quarto e recusando a corrupção e a intriga palaciana, sem jamais recorrer ao revanchismo ou à difamação. Daniel nos ensina que é possível ser um cidadão exemplar e leal à nação sem negociar os valores do Reino de Deus.
Como nos lembra o Salmo 46:10: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”. Essa exortação nos convida a baixar as armas da animosidade política e descansar na soberania divina.
A Responsabilidade do Voto e a Consciência Cristã
A recusa aos extremos não significa omissão ou apatia. Pelo contrário, o exercício da cidadania é um dever sagrado. O cristão deve exercer com absoluta liberdade e consciência cristã o direito do voto e a livre escolha do que entender ser o melhor para o nosso País.
Votar é um ato de responsabilidade moral. Envolve discernir quais propostas, valores e candidatos promovem a justiça social, a defesa da vida, a ética na administração pública e o cuidado com os mais vulneráveis, pilares fundamentais de uma sociedade justa e solidária.
Andar com Fé na Construção do Amanhã
Independentemente do resultado das urnas deste domingo, a nossa esperança maior não repousa em governantes terrenos, mas na soberania de Deus. Caminhar com fé significa cumprir o nosso papel cívico com serenidade, sabendo que a construção de um país melhor é uma tarefa contínua que exige oração, vigilância, respeito mútuo e compromisso com o bem comum


















