Plano apresentado em Campo Grande prevê medidas para garantir água e alimentos diante dos efeitos do fenômeno
O governo federal incluiu Mato Grosso do Sul no planejamento para ampliar sistemas de abastecimento de água diante dos efeitos do El Niño. A medida foi apresentada nesta terça-feira (1º), em Campo Grande, pelo ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, durante o Diálogo Regional El Niño 2026/2027. No encontro, ele também anunciou a liberação inicial de R$ 1,3 bilhão para ações de preparação e resposta a eventos climáticos.
A proposta prevê a criação de cerca de 12 mil sistemas de abastecimento em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins, segundo o ministro. A estratégia faz parte de um conjunto de medidas para antecipar os impactos de períodos de estiagem, chuvas irregulares, enchentes e outros eventos extremos sobre o acesso à água, a produção de alimentos e os serviços públicos.
Wellington Dias destacou que o cenário climático exige uma preparação diferente da adotada em anos anteriores. Em vez de considerar apenas os períodos de seca, o planejamento precisa levar em conta a alternância entre estiagem e excesso de chuva, que pode comprometer tanto o abastecimento quanto o transporte e a distribuição de alimentos.
O ministro citou o Pantanal entre as regiões que exigem atenção e destacou que a queda no nível dos rios pode comprometer o transporte de alimentos e o acesso a comunidades. Por isso, o governo antecipou a distribuição de estoques para locais considerados mais vulneráveis.
“Esse ano a gente colocou os estoques de alimentos onde a gente imagina que o rio vai baixar, porque quando o rio baixa não tem transporte, não tem estrada.”
A preocupação também envolve os efeitos dos eventos climáticos sobre os preços dos alimentos e a capacidade de atendimento da população. “A preocupação da minha área é principalmente como é que a gente ultrapassa uma situação delicada como essa, sem inflação, principalmente sem inflação de alimentos. Como é que a gente não tem escassez de alimentos? Como é que a gente garante as condições de água? Enfim, para ter a condição.”
Povos indígenas estão entre os mais afetados
Durante o encontro, o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, destacou que as comunidades indígenas estão entre as primeiras populações atingidas pelos efeitos da crise climática.
“Os povos indígenas, nós somos os primeiros a ser impactados pela essa crise climática.”
Em Mato Grosso do Sul, Eloy citou situações observadas durante visitas a comunidades de Caarapó e Dourados. Na Reserva Indígena de Dourados, segundo o ministro, a expansão da área urbana ao redor da comunidade agravou demandas relacionadas ao acesso à água, à saúde e à coleta de resíduos.
Para Eloy, os problemas enfrentados pelas comunidades não podem ser tratados apenas como uma responsabilidade do governo federal. Municípios também participam da execução de políticas públicas voltadas à saúde, educação e assistência social, áreas que recebem recursos federais.
O ministro também relacionou a proteção dos territórios indígenas à preservação ambiental e à segurança hídrica. Segundo ele, a conservação das áreas protegidas contribui para a manutenção das nascentes, dos rios e do equilíbrio ambiental que influencia a disponibilidade de água em outras regiões.
R$ 1,3 bilhão para prevenção e resposta
Além das medidas voltadas ao abastecimento, o governo federal apresentou um plano mais amplo para preparar o país para os efeitos de eventos climáticos associados ao El Niño. Wellington Dias afirmou que, inicialmente, R$ 1,3 bilhão foi liberado para colocar as primeiras ações em prática.
“A gente liberou, inicialmente, R$ 1,3 bilhão para um primeiro plano que foi apresentado.”
O planejamento federal prevê recursos para ações de abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde, monitoramento hidrológico, fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios florestais. Ao todo, o plano prevê R$ 1,335 bilhão para preparação e resposta aos eventos climáticos associados ao fenômeno.
Entre as iniciativas citadas pelo ministro estão o reforço de brigadas para combater incêndios, a aquisição de equipamentos e a ampliação do uso de helicópteros em situações de emergência. Também estão previstas ações de prevenção em áreas de risco e medidas para reduzir os impactos de enchentes e outros eventos extremos.
A proposta envolve ainda a atuação conjunta do governo federal, estados, municípios, universidades, centros de pesquisa, organizações sociais e setor produtivo. A intenção é utilizar dados científicos e informações de cada região para identificar riscos e definir as medidas necessárias.
Durante o encontro em Campo Grande, Wellington Dias afirmou que o objetivo da mobilização não é criar alarme, mas ampliar a capacidade de resposta do país diante de um cenário climático mais irregular.
“Em resumo, não venho aqui para criar pavor ou amedrontar, pelo contrário, que bom que a gente pode trabalhar as condições de estar mais preparado.”
Ao final, o ministro reforçou a avaliação de que o país avançou na preparação para enfrentar eventos climáticos extremos.
“Eu posso afirmar que o Brasil, em 2026, está muito mais preparado que em 2023. Estamos muito mais preparados que em situações anteriores.”


















