Moradores questionam a escolha do endereço e demonstram preocupação com a segurança, especialmente pela proximidade com escolas; nova sede deve ser entregue até o começo de setembro
A instalação da nova sede do Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua) no bairro Amambaí provocou reação de moradores, comerciantes e representantes da comunidade escolar. A proximidade do local com escolas da região e as preocupações relacionadas à segurança colocaram a escolha do endereço no centro do debate, levado a uma audiência pública realizada nesta sexta-feira (21), na Câmara Municipal de Campo Grande.
A nova sede tem previsão de entrega até o começo de setembro e substituirá a unidade que funcionava na Rua Joel Dibo, também no bairro Amambaí. A estrutura terá equipes de assistentes sociais, psicólogos e educadores, além de serviços e encaminhamentos nas áreas de documentação, moradia, saúde, trabalho e renda voltados às pessoas em situação de rua.
Moradores pedem mudança de endereço
Presidente do bairro Amambaí, Rosane Neli afirma que a comunidade não é contrária ao atendimento oferecido às pessoas em situação de rua, mas questiona a escolha do local para a nova sede.
Segundo ela, o bairro convive há anos com problemas relacionados à presença de pessoas em situação de rua e a comunidade teme que a instalação do equipamento próximo às escolas agrave as dificuldades enfrentadas pelos moradores.
“Nós não somos contra o atendimento a pessoas que estão na rua. Nós somos contra no bairro Amambaí e principalmente do lado da escola, porque nós já pagamos a nossa cota.”
Rosane também afirma que os moradores não teriam sido consultados antes da definição do endereço e defende que a Prefeitura de Campo Grande reveja a decisão. “A gente está fazendo tudo que é possível: um abaixo-assinado, vamos mover uma ação pública e estamos fazendo essa audiência para que haja um diálogo com a prefeitura e para que ela repense essa situação.”

Escola teme impacto sobre estudantes
A presidente da Associação de Pais e Mestres da Escola José Benfica, Marinete Fernanda da Silva, afirma que representa 403 alunos matriculados e seus familiares. Segundo ela, a preocupação está na localização do Centro POP próximo à escola, e não na existência de políticas públicas voltadas à população em situação de rua.
“A gente não é contra as políticas públicas com a população de rua. O nosso receio, o nosso medo é colocar esse centro ali do lado das crianças.”
Marinete afirma que parte dos alunos vai e volta da escola sem acompanhamento dos pais, que precisam trabalhar, e diz que a comunidade escolar não recebeu informações sobre estudos de impacto ou medidas de segurança para a região.
Segundo ela, o policiamento no entorno da escola não é constante. Marinete afirma que raramente observa rondas policiais nas proximidades.

Assistência Social defende localização
O gerente de Proteção Social para a População em Situação de Rua, Thiago Ribeiro, defende a instalação da sede e afirma que a localização segue o princípio da territorialidade previsto na política de assistência social.
Segundo ele, os equipamentos devem estar próximos das regiões onde existe demanda, para evitar o afastamento e a segregação da população em situação de rua. “A importância maior é a garantia dos direitos, a importância maior é trazer dignidade para essas pessoas, para que elas possam superar a condição de rua.”
Thiago explica que o Centro POP contará com equipes técnicas, como psicólogos, assistentes sociais e educadores sociais. Entre os serviços previstos estão atendimentos, oficinas, acompanhamento social e encaminhamentos para áreas como habitação, documentação, educação, profissionalização e reinserção familiar.
O local também terá equipes de abordagem social, que atuam nas ruas e fazem a articulação com outros serviços da rede de assistência.
Dados sobre população em situação de rua
A primeira contagem realizada em Campo Grande identificou 1.476 pessoas em situação de rua. O levantamento, realizado em setembro de 2025, apontou que 566 pessoas, o equivalente a 40% dos registros territorializados, estavam na região central. O estudo também identificou registros nas sete regiões urbanas da cidade.
Os dados também são apontados por Thiago como importantes para orientar a formulação das políticas públicas. Segundo ele, a pesquisa permite conhecer melhor o perfil e as necessidades dessa população.
Audiência deve gerar relatório
O vereador Landmark Rios (PT), responsável pela convocação da audiência, afirma que a reunião ocorreu após moradores e comerciantes do Amambaí procurarem o Legislativo para relatar preocupações sobre a instalação do Centro POP. Segundo ele, as manifestações serão reunidas em um relatório e encaminhadas ao Executivo e ao Poder Judiciário.
“Essa audiência pública é uma escuta importante. Isso aqui vai virar um relatório. Esse relatório nós vamos colocar à disposição tanto do Poder Judiciário quanto do Executivo municipal.”
Landmark afirma que a comunidade não é contrária ao atendimento das pessoas em situação de rua, mas cobra garantias para o bairro.
A previsão é que o novo Centro POP seja entregue até o começo de setembro.
*Em colaboração Fernanda Sá


















