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Durante muito tempo, nossa ideia de carreira esteve ligada à continuidade. Escolhemos uma profissão, acumulamos conhecimento e seguimos naquele campo ao longo da vida profissional.

A tecnologia e a longevidade estão mudando essa lógica.

Não porque o trabalho vai deixar de existir, mas porque parte do conhecimento necessário para realizá-lo está mudando mais rápido do que a duração de uma carreira.

Algumas profissões podem envelhecer antes das pessoas.

O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 39% das competências hoje exigidas no mercado de trabalho serão transformadas ou ficarão desatualizadas até 2030. No mesmo período, a projeção é de 170 milhões de novos postos de trabalho e 92 milhões deslocados.

O saldo é positivo. Mas o trabalho muda junto.

Se imaginássemos a força de trabalho mundial como um grupo de 100 pessoas, 59 precisariam de treinamento até 2030.

Isso muda também nossa relação com idade e conhecimento.

Por muito tempo, os anos de profissão significavam mais domínio sobre aquilo que fazíamos. Quanto mais experiência, maior tendia a ser esse domínio.

Agora, uma pessoa pode continuar capaz de trabalhar enquanto parte daquilo que aprendeu muda, desaparece ou passa a ser feito de outra forma.

E isso não começa aos 50 ou 60 anos.

Um profissional de 25 anos pode precisar aprender outra forma de trabalhar aos 35. Aos 45, alguém pode entrar em uma área que nem existia quando começou sua carreira. Aos 60, uma pessoa pode ter décadas de experiência e, ao mesmo tempo, estar começando a aprender algo novo.

Pessoas de diferentes gerações também passam a trabalhar juntas diante de tecnologias que, muitas vezes, são novas para todas elas.

O conhecimento já não circula em uma única direção.

Quem tem mais anos de experiência não sabe necessariamente mais sobre tudo. Quem domina uma nova tecnologia também não conhece necessariamente todas as consequências de usá-la.

São tempos diferentes de conhecimento convivendo no mesmo ambiente de trabalho.

O Fórum Econômico Mundial mostra algo nessa direção. Inteligência artificial, big data e alfabetização tecnológica estão entre as competências que crescem em importância. Ao mesmo tempo, pensamento analítico, criatividade, liderança, colaboração, resiliência e flexibilidade continuam presentes entre as competências demandadas pelo mercado.

É nessa combinação que vejo uma oportunidade para a inovação.

Se vamos viver mais e trabalhar por mais tempo, nossa vida profissional também poderá ter mais mudanças.

Mudar de atividade, aprender outra ferramenta, combinar conhecimentos ou começar uma nova frente não precisa significar que uma carreira deu errado. Pode simplesmente significar que o trabalho mudou.

Na semana passada, escrevi aqui sobre como viver mais também muda a economia. Há outro lado dessa transformação: viver mais também nos dá mais tempo para produzir valor, sem que isso signifique fazer a mesma coisa durante toda a vida.

Quando falamos sobre o futuro do trabalho, perguntamos muito quais profissões vão desaparecer.

Há outra pergunta que me interessa mais:

O que pode surgir quando aquilo que já sabemos encontra aquilo que ainda podemos aprender?

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

Foto de Leandra Costa

Leandra Costa

Foresight Strategist e criadora da Arquitetura da Viabilidade. Atua como C-Level as a Service na arquitetura de projetos complexos. Soma 30 anos de bagagem corporativa e inovação, com as certificações Future Leadership e Innovation Management (GIMI Boston). "Não construo volume. Construo direção". | @lecosta_ms