Dados divulgados pelo MEC mostram que a rede estadual avançou nos índices de aprovação e aprendizagem e, pela primeira vez desde a pandemia, superou os patamares registrados em 2019
Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados na quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC), mostram que Mato Grosso do Sul avançou em todas as etapas da rede estadual, mas permaneceu abaixo da média nacional. Para o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, o desempenho está relacionado à decisão de ampliar a participação dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), estratégia que, segundo ele, priorizou um diagnóstico mais fiel da aprendizagem em vez da busca por um índice mais elevado.
Na rede estadual, os anos iniciais do ensino fundamental passaram de 5,4 para 5,7. Nos anos finais, o índice subiu de 4,6 para 4,9. Já o ensino médio registrou o maior avanço entre as etapas avaliadas, passando de 3,8 para 4,2. Apesar da evolução, o estado ainda não alcançou as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE), fixadas em 6 para os anos iniciais do ensino fundamental, 5,5 para os anos finais e 5,2 para o ensino médio.
A leitura da SED sobre o resultado do Ideb
Durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (6), o secretário Hélio Daher afirmou que o Ideb deve ser entendido como consequência das políticas educacionais, e não como um objetivo em si. “O Ideb não é um objetivo, ele é uma consequência. Ele é o resultado do trabalho que a gente desenvolve.”
Segundo o secretário, quando a atual gestão assumiu a Secretaria de Estado de Educação (SED), em 2023, havia dois caminhos possíveis: manter uma base reduzida de estudantes realizando o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), avaliação que compõe o Ideb, ou ampliar a participação para retratar com maior fidelidade a realidade da rede.
Até o ciclo anterior, cerca de 30% dos estudantes faziam a prova. Nesta edição, aproximadamente 90% participaram da avaliação, incluindo alunos de escolas indígenas, quilombolas e de regiões de maior vulnerabilidade social.
Para Daher, a decisão tornou o diagnóstico mais preciso, embora tenha reduzido as possibilidades de alcançar uma nota maior. “Preferimos um diagnóstico real. A gente entende que, de fato, o Ideb é um diagnóstico. Eu preciso entender como está a minha rede.”
O secretário afirmou ainda que alguns estados optaram por estratégias que elevam o índice sem necessariamente refletir melhora na aprendizagem. “É uma opção do gestor público se ele quer usar o Ideb como um instrumento de real avaliação da sua rede, ou se vai utilizá-lo muito mais como um instrumento político de resultado.”
Segundo ele, Mato Grosso do Sul buscou avançar simultaneamente nos dois pilares que compõem o Ideb: a aprendizagem, medida pela proficiência em Língua Portuguesa e Matemática, e o fluxo escolar, calculado a partir das taxas de aprovação. Daher afirmou que a ampliação da base de estudantes avaliados não impediu o crescimento da proficiência, enquanto a melhora nas taxas de aprovação também contribuiu para o avanço do índice.

Meritocracia e comparação entre redes
Outro ponto defendido por Hélio Daher foi a necessidade de analisar os indicadores educacionais considerando as diferentes realidades sociais das escolas e dos estados.
Segundo ele, comparar redes ou elaborar rankings sem levar em conta fatores como vulnerabilidade social, estrutura familiar e contexto econômico produz avaliações injustas. “A meritocracia só é justa se a gente parte todos do mesmo ponto de partida. Se não, não é justa.”
O secretário afirmou que, por esse motivo, evita ranquear escolas da rede estadual. Para ele, uma unidade localizada em área central não pode ser comparada diretamente com outra instalada em bairros periféricos, comunidades indígenas ou quilombolas, que enfrentam desafios distintos. “É meio ridículo ficar se comparando quando você sabe que tem outros dados ali a serem considerados.”
De acordo com Daher, a prioridade da secretaria é acompanhar a evolução de cada escola em relação ao próprio desempenho, garantindo que nenhuma unidade fique de fora das avaliações.
O desempenho da rede estadual no Ideb
Embora não tenha atingido as metas nacionais, Mato Grosso do Sul registrou crescimento tanto no fluxo escolar quanto na proficiência dos estudantes. Nos anos iniciais do ensino fundamental, a taxa de aprovação passou de 94% para 95,5%. Nos anos finais, avançou de 93,2% para 96,9%. Já no ensino médio, passou de 84,9% para 93,5%.
As médias de proficiência também cresceram em todas as etapas avaliadas. Nos anos iniciais, a nota em Língua Portuguesa passou de 202,8 para 207,6 pontos, enquanto Matemática evoluiu de 212,7 para 220,3. Nos anos finais, Português subiu de 249,7 para 252,2 pontos e Matemática de 245,7 para 250,7. No ensino médio, Língua Portuguesa avançou de 270 para 272 pontos e Matemática de 265,2 para 265,8.
Outro dado destacado pela secretaria é que, pela primeira vez desde a pandemia de covid-19, a rede estadual superou os resultados registrados em 2019. “Somente agora, em 2025, a gente superou as médias pré-pandemia.”
Para o secretário, a recuperação demonstra que as perdas provocadas pelo período de ensino remoto começam a ser revertidas, embora os impactos da pandemia ainda sejam percebidos entre estudantes alfabetizados naquele período.
Ensino integral e permanência na escola
Na avaliação do Secretário, os avanços observados no Ideb são resultado de um conjunto de políticas implementadas pela secretaria nos últimos anos.
Entre elas, o secretário destacou a ampliação das escolas de tempo integral, que atualmente representam cerca de 62% da rede estadual, além dos programas de recuperação da aprendizagem, acompanhamento da frequência escolar e ações voltadas à permanência dos estudantes.
“Quando você mantém esse estudante em tempo integral, naturalmente você consegue trazer para dentro da escola. Não é só tempo de estudo. Você passa a ter mais tempo de relação com o estudante.”
Segundo ele, a recuperação paralela da aprendizagem também contribuiu para elevar os índices de aprovação sem flexibilizar critérios de avaliação.
SED define prioridades para o próximo ciclo do Ideb
Apesar da evolução dos indicadores, o secretário reconheceu que Mato Grosso do Sul ainda precisa alcançar as metas nacionais do Ideb.
Segundo ele, o principal trabalho da Secretaria de Estado de Educação será aprofundar a análise dos dados do Saeb para identificar quais habilidades apresentam maiores dificuldades e direcionar a formação de professores e as políticas pedagógicas.
Daher afirmou que a gestão não pretende estabelecer metas numéricas para o próximo ciclo, mas manter o ritmo de crescimento registrado nesta edição. “Eu quero manter pelo menos o mesmo ritmo. Se a gente melhorou 0,4 agora, eu quero entregar mais 0,4 no próximo ciclo.”
Ao encerrar a coletiva, o secretário reforçou que o foco da rede continuará sendo a aprendizagem dos estudantes, e não apenas a melhora dos indicadores. “O Ideb não pode ser o objetivo de ninguém. O objetivo é a criança ser atendida na escola com qualidade. O resultado disso é o Ideb.”



















