Levantamento indica que 46% dos entrevistados acreditam que o ciclo do atacante na Seleção Brasileira chegou ao fim, enquanto maioria defende uma renovação para a próxima Copa do Mundo
A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2030 começou nesta segunda-feira (20), a 1.419 dias do próximo Mundial. Após a eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa de 2026, diante da Noruega, uma das principais discussões entre os torcedores passou a ser o futuro de Neymar com a camisa da Amarelinha. Pesquisa divulgada pela IMO Insights mostra que parte significativa dos brasileiros acredita que o atacante não deve seguir no próximo ciclo.
Segundo o levantamento, 46% dos entrevistados consideram que o ciclo de Neymar na Seleção Brasileira chegou ao fim. Outros 36% defendem a permanência do camisa 10, enquanto 18% responderam que não concordam nem discordam da afirmação.
Os dados também apontam que a maioria dos brasileiros vê a saída do jogador como uma oportunidade para renovar a equipe pensando na Copa de 2030. Ao todo, 67% afirmam que o fim do ciclo de Neymar abriria espaço para uma nova geração. Em sentido contrário, 14% discordam dessa avaliação e 18% disseram não ter opinião formada.
A pesquisa mostra ainda um desgaste na imagem do atacante junto aos torcedores ao longo da última Copa do Mundo. De acordo com a diretora de Operações da IMO, Simona Karen Miranda, Neymar perdeu espaço entre os jogadores mais admirados pelos brasileiros.
“Em relação ao levantamento antes do início da Copa, ele [Neymar] perdeu seis pontos percentuais como jogador preferido, aumentou três pontos como jogador de quem os brasileiros menos gostam, inclusive liderando esse indicador com folga, e caiu cinco pontos como jogador que melhor representa o espírito da seleção brasileira”, argumentou a diretora de Operações da IMO, Simona Karen Miranda, à Agência Brasil.
Para ela, a discussão sobre o futuro do camisa 10 deixou de ser apenas esportiva e passou a refletir uma mudança na percepção dos torcedores.
“Os números sugerem que a discussão em torno de Neymar deixou de ser apenas técnica e passou a refletir um desejo de mudança de ciclo por parte de uma parcela significativa dos brasileiros. Não indica apenas uma perda de popularidade do jogador, mas também uma maior disposição do torcedor para enxergar o futuro da Seleção sem ele”, completou.
Último ciclo foi marcado por lesões
As frequentes lesões limitaram a participação de Neymar no ciclo da Copa de 2026. O atacante chegou ao Mundial ainda em recuperação de uma lesão de grau dois na panturrilha direita e disputou apenas 55 minutos na competição. Foram 15 minutos na partida contra a Escócia, pela fase de grupos, e cerca de 40 minutos na derrota para a Noruega, quando marcou o único gol brasileiro em cobrança de pênalti.
O futuro do jogador também permanece indefinido no futebol de clubes. O contrato de Neymar com o Santos termina no fim deste ano. Após a eliminação da Seleção, Neymar da Silva Santos, pai e empresário do atleta, divulgou uma carta aberta pedindo que o filho não encerre a carreira.
Caso não volte a vestir a camisa da Seleção, Neymar deixará o time nacional como maior artilheiro da história em partidas oficiais reconhecidas pela Federação Internacional do Futebol (Fifa), com 80 gols em 130 jogos. Ele supera Pelé, que marcou 77 vezes, e também conquistou pelo Brasil a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, além da Copa das Confederações de 2013.
Mudanças na CBF também aparecem entre as prioridades
Além do debate sobre Neymar, a pesquisa revela que os brasileiros defendem mudanças na estrutura do futebol nacional. Para 86% dos entrevistados, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) precisa passar por mudanças profundas para que o Brasil volte a disputar títulos em alto nível. Outros 72% acreditam que problemas de gestão contribuíram para a eliminação precoce da equipe na Copa de 2026.
Apesar disso, apenas 14% apontaram a CBF como a principal responsável pela queda nas oitavas de final. O desempenho dos jogadores foi citado por 30% dos entrevistados, seguido pelas decisões do técnico Carlo Ancelotti (20%) e pela convocação da equipe (19%). Apenas 6% consideraram que a Noruega foi superior ao Brasil.
Para Simona Karen Miranda, o levantamento demonstra que a relação dos brasileiros com a Seleção continua fortemente ligada às grandes conquistas do passado.
“Nossa pesquisa mostra que grande parte da conexão do brasileiro com o futebol é construída sobre a nostalgia das grandes conquistas do passado, o que mantém viva a crença de que o Brasil continua sendo uma potência. Em vez disso, os brasileiros tendem a responsabilizar fatores circunstanciais”, considerou.
Ela conclui que, apesar da frustração com a campanha na Copa de 2026, a confiança no potencial da Seleção permanece.
“Em outras palavras, embora 70% reconheçam que o Brasil perdeu protagonismo no cenário mundial, ainda prevalece a percepção de que o problema está na forma como esta Seleção jogou esta Copa e não em uma perda definitiva da capacidade do país de revelar talentos ou voltar a disputar títulos”, finalizou a diretora da IMO.
*Informações: EBC



















