Pesquisa aponta alta de 33% nas vendas previstas para a data, enquanto empreendedores apostam em brinquedos que estimulam criatividade e interação
O Dia das Crianças deve movimentar R$ 491,29 milhões em Mato Grosso do Sul neste ano, alta de 33% em relação ao valor estimado em 2025. Com expectativa de gasto médio de R$ 568,90 por consumidor, a data também abre espaço para pequenos negócios que apostam em brinquedos educativos, atividades recreativas e produtos artesanais como alternativas ao uso excessivo de telas.
Os brinquedos aparecem como a principal escolha dos consumidores, citados por 72% dos entrevistados em pesquisa realizada pelo Sebrae/MS em parceria com a Fecomércio/MS. Na sequência estão calçados, tênis e chuteiras, com 17% das intenções de compra.
O comportamento das famílias também influencia o mercado. Em 53,94% dos casos, a própria criança participa da decisão final sobre o presente. Os filhos são os principais presenteados, representando 48,54% das escolhas, seguidos por sobrinhos, com 27,13%, e netos, com 23,06%.
Além do potencial de vendas, o cenário tem levado empreendedores a investir em produtos e serviços que procuram estimular a criatividade, a convivência e o desenvolvimento infantil longe dos celulares e tablets.
Atividades recreativas ganham espaço
Em Campo Grande, o educador físico André Luis Pinheiro transformou a experiência com atividades físicas e recreação infantil em negócio. À frente da Tio André Atividades Infantis, ele trabalha com brincadeiras e atividades para festas, eventos, casas e condomínios.
Segundo André, a procura aumentou principalmente após o período mais rígido da pandemia, quando crianças passaram meses dentro de casa e tiveram maior contato com dispositivos eletrônicos.
“Crescemos bastante no final da pandemia, porque as crianças tinham passado muito tempo dentro de casa, com pouca atividade física e muito estímulo vindo das telas. Então começou a aumentar bastante a busca por atividades dentro das casas, condomínios e eventos”, afirma.
Para o empreendedor, o avanço da tecnologia não precisa ser tratado como um problema, mas o uso de telas deve conviver com outras experiências importantes durante a infância.
“Nós já vivemos em um mundo muito digitalizado, e existe muito conhecimento disponível pela tecnologia, então ela pode ser uma grande aliada. A questão é que na infância existem outras formas muito importantes de estimular o desenvolvimento. A criança precisa se movimentar, brincar, experimentar, criar, conviver com outras crianças e conhecer o mundo também fora de uma tela”, diz.
Brinquedos de madeira unem cultura e sustentabilidade
A busca por experiências fora das telas também aparece no trabalho do artesão Hebert Garcia, nascido em Jardim, no interior de Mato Grosso do Sul. Ele criou a Brinquedos Pé de Serra, coletivo de artesanato que produz brinquedos de madeira inspirados na cultura regional.
O negócio surgiu durante a pandemia, quando Hebert começou a trabalhar com caixotes de madeira como forma de ocupar o tempo durante o isolamento. Com o aprimoramento da técnica e a retomada das feiras, o artesão passou a direcionar a produção para brinquedos.
A proposta combina brincadeira, convivência e reaproveitamento de materiais. Para Hebert, os brinquedos de madeira permitem que as crianças interajam fisicamente umas com as outras e também tenham contato com diferentes texturas e elementos naturais.
“O leque de possibilidades envolvendo esses tipos de brinquedos é grande, estimulando a convivência em grupo e estimulando a sociabilidade física entre as crianças”, afirma.
Segundo ele, a preocupação ambiental também faz parte da proposta dos produtos. “Nossa linha de atuação envolve no ensinamento da preservação ambiental, demonstrando para as crianças e seus pais que nossas madeiras são frutos de reaproveitamento, que as cores são naturais, e nossa flora é rica em texturas, cores e cheiros, isso desperta um senso de curiosidade nas crianças”, diz.
Experiência também vira estratégia de venda
Para o Sebrae/MS, a mudança no comportamento do consumidor representa uma oportunidade para pequenos negócios que conseguem vender não apenas o produto, mas a experiência associada a ele.
O analista-técnico Carlos Henrique afirma que o empreendedor precisa compreender o que está por trás da escolha dos consumidores e antecipar a estratégia para datas de maior movimento.
“A questão dos brinquedos lúdicos faz o resgate ao essencial, ao relacionamento e à família, e o empresário precisa entender essa estratégia. É importante um planejamento de marketing voltado ao storytelling, para que ele possa contar uma história desse produto e cativar o cliente, para que ele não perca essa venda e venda muito mais”, afirma.
Nesse cenário, brinquedos educativos, atividades recreativas e produtos artesanais deixam de ser apenas opções de presente e passam a disputar espaço com eletrônicos a partir de outro argumento: a possibilidade de proporcionar interação entre crianças e familiares.
Mercado deve movimentar quase meio bilhão
A expectativa de R$ 491,29 milhões em movimentação no comércio sul-mato-grossense considera as compras relacionadas ao Dia das Crianças. O valor representa crescimento de 33% em relação ao ano anterior.
O gasto médio estimado é de R$ 568,90 por consumidor. Apesar da variedade de opções, os brinquedos permanecem na liderança da intenção de compra, com 72% das respostas.
A participação das crianças na escolha também ajuda a explicar o comportamento do mercado. Mais da metade dos consumidores ouvidos afirma que a decisão final sobre o presente parte da própria criança.
Com informações e imagem do Sebrae-MS

















