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Dividir as compras por tipo de produto, planejar refeições e acompanhar validade ajudam a reduzir desperdícios e controlar os gastos da casa

A forma como uma família organiza as compras do supermercado pode fazer diferença no orçamento no fim do mês. Enquanto concentrar a aquisição de produtos de longa duração pode facilitar o controle dos gastos e permitir a compra em maior volume, a reposição frequente de alimentos perecíveis ajuda a evitar desperdícios. Para especialistas em economia doméstica, a estratégia mais eficiente não está necessariamente em escolher entre uma compra mensal ou várias idas ao supermercado, mas em combinar os dois modelos.

A consultora em economia doméstica Helena Oliveira afirma que o primeiro passo é separar os produtos de acordo com a frequência de consumo, o prazo de validade e as condições de armazenamento disponíveis em casa.

Segundo ela, itens como alimentos não perecíveis, produtos de limpeza, higiene pessoal, bebidas e produtos de mercearia podem ser concentrados em uma compra maior no início do mês. Já carnes, frutas, verduras e outros alimentos de rápida deterioração tendem a exigir reposições mais frequentes.

“Ao optar por embalagens econômicas, fardos fechados ou volumes maiores desses itens de longa validade, o consumidor consegue aproveitar integralmente a tabela de preços do formato atacarejo, garantindo descontos que impactam positivamente o fechamento do orçamento familiar”, explica.

Compra mensal exige planejamento

A chamada “compra do mês” pode ser uma alternativa para famílias que possuem espaço adequado para armazenar os produtos e conseguem planejar previamente o orçamento. A principal vantagem está na possibilidade de concentrar a aquisição de itens de primeira necessidade e reduzir o número de deslocamentos ao supermercado.

Nesse modelo, porém, o consumidor precisa evitar a compra excessiva de produtos que não serão utilizados antes do vencimento. Também é necessário observar se o preço promocional realmente representa economia, já que embalagens maiores nem sempre têm o menor custo proporcional.

Comparar o preço por quilo, litro ou unidade, em vez de considerar apenas o valor final da embalagem, é uma das formas de identificar qual apresentação é mais vantajosa.

Compras quinzenais podem equilibrar estoque

Para quem considera uma única compra mensal difícil de administrar, a alternativa quinzenal pode funcionar como um meio-termo. O modelo reduz a quantidade de produtos armazenados e permite corrigir as quantidades compradas de acordo com o consumo da família.

A estratégia também pode ser útil para produtos de médio prazo de validade, que não precisam ser adquiridos semanalmente, mas que podem perder qualidade quando permanecem muito tempo armazenados.

A divisão das compras ainda facilita a adaptação do orçamento. Se determinado produto estiver mais caro em uma semana, por exemplo, o consumidor pode avaliar a necessidade de substituí-lo ou aguardar uma nova oportunidade de compra, desde que não se trate de um item essencial.

Perecíveis pedem reposição mais frequente

Frutas, verduras, legumes, carnes e outros alimentos que apresentam deterioração mais rápida podem ser adquiridos em intervalos menores. A compra semanal permite acompanhar melhor o consumo da família e reduzir a quantidade de alimentos que acabam descartados.

O problema é que visitas frequentes ao supermercado também podem aumentar o risco de compras por impulso. Por isso, a recomendação é sair de casa com uma lista definida e estabelecer previamente quanto poderá ser gasto.

O planejamento do cardápio é outro recurso que ajuda a determinar a quantidade necessária de cada alimento. Com as refeições organizadas, fica mais fácil calcular o consumo e evitar que produtos sejam comprados sem uma finalidade definida.

Organização da despensa também influencia economia

A economia, no entanto, não termina quando a compra é paga. A maneira como os produtos são armazenados pode determinar se eles serão consumidos antes do vencimento ou acabarão no lixo.

Uma das recomendações é colocar os produtos com validade mais próxima em locais de fácil visualização. Os itens recém-comprados devem ficar atrás dos que já estavam na despensa ou na geladeira, facilitando o sistema de “primeiro que vence, primeiro que sai”.

A organização também deve incluir uma conferência do estoque antes de cada ida ao supermercado. Verificar armários, geladeira e congelador evita a compra duplicada de produtos que ainda estão disponíveis em casa.

Entre as práticas indicadas estão:

  • fazer uma lista de compras depois de conferir a despensa, a geladeira e o congelador;
  • planejar as refeições de acordo com os alimentos disponíveis;
  • comparar preços por unidade, peso ou volume;
  • organizar os produtos de acordo com a data de validade;
  • evitar a compra de grandes quantidades quando não houver espaço adequado para armazenamento;
  • congelar carnes em porções compatíveis com o consumo da família;
  • higienizar e preparar hortaliças para facilitar o consumo ao longo da semana;
  • estabelecer um limite de gastos antes de sair para as compras.

Como escolher a melhor frequência

Não existe uma frequência de compras que funcione igualmente para todas as famílias. O modelo mais econômico depende do número de pessoas na casa, dos hábitos alimentares, da renda disponível, do espaço para armazenamento e da rotina de consumo.

Uma família numerosa, por exemplo, pode se beneficiar da aquisição de determinados produtos em maior quantidade. Já uma pessoa que mora sozinha pode economizar ao comprar volumes menores, mesmo que o preço unitário seja um pouco mais alto, se isso evitar que alimentos sejam desperdiçados.

A regra, portanto, é relacionar o preço pago à quantidade efetivamente consumida.

A compra mensal tende a ser mais adequada para produtos de longa validade; a quinzenal pode facilitar a reposição de itens de consumo intermediário; e a semanal pode ser mais apropriada para alimentos frescos e perecíveis.

Atacarejo pode atender diferentes perfis

O modelo de atacarejo também permite que o consumidor combine diferentes estratégias de abastecimento. O benefício de comprar em quantidade só se transforma em economia quando o produto será efetivamente utilizado. Caso contrário, o preço menor por unidade pode ser neutralizado pelo desperdício.

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