Cerca de 140 crianças, adolescentes e jovens de projetos sociais e da Orquestra Jovem Sesc MS encerraram, na última quinta-feira (9), o 1º Encontro de Orquestras Jovens Sesc MS com um concerto no Teatro Glauce Rocha, em Campo Grande. Ao longo de seis dias, os participantes tiveram aulas com professores convidados, ensaios coletivos e atividades voltadas ao aperfeiçoamento técnico e à prática orquestral.
Promovido pelo Sesc Mato Grosso do Sul em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), o encontro reuniu estudantes de 9 a 25 anos de diferentes instituições da Capital. O repertório apresentado foi resultado das oficinas e ensaios realizados desde o último sábado. Segundo a organização, quase 900 ingressos foram distribuídos para o concerto de encerramento.
Além dos integrantes da Orquestra Jovem Sesc MS, participaram alunos de projetos sociais que desenvolvem atividades de formação musical em Campo Grande. As apresentações envolveram grupos de cordas iniciantes, violinos, violoncelos, percussão, coral e orquestra.
A gerente da unidade executiva do Sesc Lageado, Cirlene Cruz, afirmou que o encontro buscou proporcionar aos estudantes uma experiência próxima à rotina de uma formação orquestral, aliando aprendizado técnico e convivência entre participantes de diferentes projetos.
“Foi uma semana de muito estudo, muita troca e uma experiência inovadora para os alunos, com professores excelentes e uma programação intensa. Tivemos 140 participantes durante as oficinas, divididos em diferentes formações, e todos chegaram ao palco preparados para entregar o melhor. A expectativa era muito alta, tanto pela qualidade artística quanto pela resposta do público, e foi muito bonito ver esses jovens se divertindo, confiantes e mostrando o resultado de tudo o que aprenderam”, afirmou.
Durante a programação, os estudantes participaram de aulas específicas por instrumento, ensaios de naipes, atividades de canto e coral e recitais conduzidos por professores convidados. Entre eles estavam Jéssica Gubert, Yndira Villarroel, Érika Muniz, Mônica Buceli, Fábio Presgrave, Joachim Emídio, Fábio Cerqueira, Cássia Carrascoza e o maestro Geovane Marquetti, responsável pela regência do concerto de encerramento.
Integrante da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e ex-aluno de um projeto social, Marquetti trabalhou durante a semana aspectos como sonoridade, equilíbrio entre os naipes, leitura musical e técnicas de ensaio utilizadas em orquestras profissionais.
“Eu também sou oriundo de um projeto social e comecei em um espaço onde acreditaram em mim, mesmo quando eu ainda não imaginava ser músico. Fiquei 14 anos nesse projeto e foi ali que conheci o instrumento e tive a oportunidade de estudar. Por isso, entendo que a minha missão aqui também foi direcionar esses alunos para que possam sonhar e, quem sabe, se profissionalizar. Mesmo que não sigam a música como profissão, ela pode contribuir para que sejam cidadãos melhores, disciplinados e preparados para outros caminhos”, explicou o maestro.
Entre os participantes estava Raíssa Maria, de 20 anos, integrante da Associação Projeto Águia, no Jardim Colúmbia. Instrumentista de violino e guitarra, ela destacou o contato com professores convidados e o aprendizado adquirido durante as aulas.
“Foi maravilhoso e uma grande oportunidade, porque experiências como essa não acontecem todos os dias e precisamos aproveitá-las. As aulas foram muito importantes, principalmente pela metodologia da professora, que nos ajudou a entender melhor o instrumento e a aperfeiçoar detalhes técnicos que fazem diferença na maneira como tocamos”, contou Raíssa.
Também aluno do Projeto Águia, Renan Lucas Garcia, de 15 anos, afirmou que a experiência permitiu aperfeiçoar aspectos técnicos e ampliar o convívio com estudantes de outras instituições.
“Foi uma oportunidade única. Aprendi como manter a postura correta para não machucar a mão, como tocar as notas com mais precisão e conheci pessoas muito legais. Também fiz vários amigos e tive o apoio de toda a minha família para participar. Gostei muito da experiência e recomendo para outros jovens, porque é uma semana em que a gente aprende, convive e descobre coisas novas”, relatou.
O concerto também reuniu familiares dos participantes. Entre eles estava Renata Amaral de Oliveira, mãe de Lara de Oliveira Gonzaga, de 9 anos, integrante da Fraternidade Sem Fronteiras. Segundo ela, a filha sonha em tocar violino desde a infância e aproveitou a semana para desenvolver habilidades de leitura de partituras e coordenação com o instrumento.
“Foi uma experiência enorme para ela. A Lara já lia um pouco de partitura, mas melhorou bastante a leitura e a coordenação com o arco. Ela está muito feliz e amou participar. Antes mesmo de o concerto começar, eu já estava arrepiada porque assisti a um pouco do ensaio e chorei. Ver minha filha nesse palco, tocando de uma forma tão organizada e próxima do profissional, é uma emoção muito grande. Vou continuar incentivando porque esse é o sonho dela desde pequena”, disse Renata.
Para o diretor regional do Sesc MS, Vitor Mello, o encontro amplia uma iniciativa já desenvolvida pela instituição na área da formação musical e fortalece a troca de experiências entre projetos sociais da Capital.
“O Sesc já desenvolve uma ação importante de formação para a música, mas também para competências que acompanham esses jovens em todas as áreas da vida. Neste primeiro encontro, quisemos compartilhar essa experiência com outras orquestras e trazer profissionais de renome para oferecer conteúdos que talvez muitos alunos ainda não tivessem a oportunidade de conhecer. Ficamos felizes por cumprir nossa missão com os estudantes do Sesc e, especialmente, por dividir esse momento com mais de dez instituições parceiras, fortalecendo uma rede de conhecimento e de ações positivas”, destacou.
Ao acompanhar o encerramento, o presidente do Sistema Fecomércio MS, Juliano Wertheimer, afirmou que a proposta é ampliar o intercâmbio entre iniciativas voltadas à formação musical e fortalecer ações de inclusão por meio da cultura.
“Cada aula, cada ensaio e cada conversa com os professores representou uma oportunidade única de aprendizado. A música cumpriu seu papel de aproximar pessoas, criar amizades e mostrar que o conhecimento cresce ainda mais quando é compartilhado. Esse é o propósito do Sistema Comércio, por meio do Sesc: criar oportunidades que transformem vidas através da cultura. Investir na formação de jovens músicos é investir em cidadãos mais criativos, sensíveis, disciplinados e preparados para contribuir com a sociedade”, concluiu.



















