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Senador agradeceu a Trump e Milei após deixar o Brasil, questionou o resultado das urnas sem apresentar provas e prometeu liderar a oposição dos Estados Unidos

O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou uma carta em que agradece aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, pelo apoio recebido após deixar o Brasil. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, o parlamentar questionou o resultado das urnas sem apresentar provas de fraude e afirmou que pretende liderar a oposição ao governo brasileiro a partir do exterior.

A primeira versão da carta apresentava Flávio como o “verdadeiro presidente eleito do país”. Cerca de meia hora depois, a expressão foi alterada para “líder do Brasil”.

No documento, o senador também criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), entre elas a determinação do ministro Cristiano Zanin que estendeu o horário de votação até as 19h no segundo turno. A medida atendeu a pedidos das campanhas do PL e do PT.

“Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas”, reclamou.

Os números oficiais, no entanto, confirmam a vitória de Lula. O presidente foi reeleito com cerca de 64 milhões de votos, enquanto Flávio recebeu pouco mais de 59 milhões. A extensão do horário de votação contabilizou 34.393 votos, diante de aproximadamente 158,7 milhões de eleitores aptos a votar no país.

O resultado foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e por líderes de diferentes países. O próprio PL, partido de Flávio, também reconheceu a vitória de Lula.

Flávio deixou o Brasil apesar de decisão judicial

O senador chegou a Miami, nos Estados Unidos, na manhã de quarta-feira (28), acompanhado da mulher e das duas filhas, após deixar o Brasil na noite anterior.

A viagem ocorreu apesar de uma decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes que proibia Flávio de sair do país e determinava a entrega dos passaportes pessoal e diplomático. A ordem foi expedida a pedido da Polícia Federal (PF), que apontou risco de fuga em meio a investigações contra o parlamentar.

Na carta, Flávio criticou a decisão judicial e afirmou que pretende assumir, dos Estados Unidos, a liderança da oposição ao governo Lula.

“Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, diz o comunicado distribuído à imprensa por sua assessoria.

Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no STF. Em um deles, é suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. O outro apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Rota passou pela Argentina e pelo Equador

Flávio e a família cruzaram a fronteira com a Argentina às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu, no Paraná. A travessia foi feita em direção a Puerto Iguazú, cidade argentina que faz fronteira com o Brasil.

Às 23h30, a família embarcou em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador. De lá, seguiu para os Estados Unidos, onde chegou na manhã de quarta-feira.

A primeira versão da carta também chamou atenção pelo uso de um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com “z”, em vez de República Federativa do Brasil. A denominação antiga deixou de ser utilizada em março de 1967.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde 2025

O irmão mais novo do senador, Eduardo Bolsonaro, está nos Estados Unidos desde março de 2025. Poucos dias antes do segundo turno, ele afirmou, em entrevista, que Flávio deveria deixar o Brasil caso perdesse a eleição presidencial.

Eduardo foi condenado pelo STF por articular o tarifaço imposto pelo governo norte-americano ao Brasil em julho de 2025. A medida foi associada à tentativa de interferir no julgamento de Jair Bolsonaro, que acabou condenado a 27 anos e três meses de prisão por golpe de Estado.

Democratas criticam visto concedido a Flávio

A concessão de visto a Flávio Bolsonaro pelo governo de Donald Trump também provocou críticas nos Estados Unidos.

Na manhã de quarta-feira (28), o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados norte-americana, ligado aos democratas, questionou a decisão nas redes sociais. A manifestação comparou o tratamento concedido ao senador brasileiro com a política migratória aplicada a pessoas que fogem de guerras e conflitos.

“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, diz o post do comitê no X.

Sindicato alerta para risco de desinformação

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) também se manifestou sobre a repercussão das declarações de Flávio. A entidade alertou que a reprodução de questionamentos sobre a lisura das eleições sem a devida contextualização pode contribuir para a desinformação.

“Alguns veículos de imprensa reproduziram, nesta quarta-feira, 28 de outubro, declarações de Flávio Bolsonaro que questionavam a lisura do processo eleitoral brasileiro. Parte desse material, porém, deixou de contextualizar que negociar com governos, ou grupos estrangeiros para provocar desestabilização nacional ou invasão do território, pode configurar crime, conforme as circunstâncias e o enquadramento legal”, diz a nota.

“O papel do jornalismo não é apenas repercutir falas, mas oferecer à sociedade informações verificadas, contextualizadas e precisas”, acrescenta a entidade.

*Com informações e imagem de Agência Brasil

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