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Decisão de Donald Trump reacende crise no Golfo Pérsico, provoca críticas internacionais e aumenta temor de impactos no comércio mundial e nos preços do petróleo

A crise no Oriente Médio ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (14) com a retomada do bloqueio dos Estados Unidos aos portos do Irã e o anúncio de uma cobrança inédita sobre cargas que atravessam o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.

A medida foi anunciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que afirmou que os Estados Unidos passarão a atuar como “guardiões” da passagem marítima, cobrando uma taxa equivalente a 20% do valor das cargas transportadas em troca da proteção militar oferecida na região.

A decisão amplia a pressão sobre o governo iraniano e ocorre em meio à escalada do conflito entre os dois países, aumentando a preocupação de governos, empresas e investidores sobre possíveis impactos no abastecimento global de energia e no comércio internacional.

O bloqueio norte-americano aos portos iranianos começou a valer às 17h (às 10h30 no horário de Brasília) desta terça-feira e afeta embarcações que deixam ou se dirigem aos terminais do país.

Segundo autoridades militares dos Estados Unidos, uma operação semelhante já havia sido realizada entre abril e junho deste ano. Durante aquele período, mais de 140 embarcações foram redirecionadas e nove navios que descumpriram determinações americanas foram neutralizados.

Ao mesmo tempo, os militares afirmam que mais de 50 embarcações que transportavam ajuda humanitária receberam autorização para cruzar a área durante a operação.

Estreito de Ormuz volta ao centro da disputa

O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais importantes do mundo. Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o corredor concentra aproximadamente um quinto de todo o petróleo comercializado globalmente.

Por essa razão, qualquer ameaça à navegação na região costuma provocar reações imediatas nos mercados financeiros e energéticos.

Ao anunciar a nova política, Trump afirmou que os custos da operação militar americana deveriam ser compartilhados pelas empresas que utilizam a rota.

“Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como ‘O Guardião do Estreito de Ormuz'”, declarou o presidente em publicação nas redes sociais.

A proposta, entretanto, gerou questionamentos imediatos sobre sua legalidade e viabilidade econômica.

Comunidade internacional reage

A Organização Marítima Internacional (IMO) manifestou preocupação com a iniciativa e reforçou que o Estreito de Ormuz deve permanecer aberto à livre navegação, sem cobrança de pedágios ou taxas que restrinjam o trânsito internacional.

O Reino Unido também reiterou sua posição de que a passagem marítima deve permanecer livre de cobranças.

Especialistas em direito marítimo observam que, segundo as normas internacionais, embarcações possuem direito de passagem por vias navegáveis internacionais como o Estreito de Ormuz.

A principal discussão jurídica gira em torno da natureza da cobrança proposta pelos Estados Unidos. Caso a taxa seja apresentada como uma adesão voluntária a um sistema de escolta militar, ela poderia ser interpretada de forma diferente de um pedágio obrigatório para utilização da rota.

Quem pagará a conta?

Outro ponto ainda cercado de incertezas é a forma como a cobrança seria calculada.

A Casa Branca não divulgou detalhes sobre a metodologia da taxa nem informou quais empresas seriam responsáveis pelo pagamento.

Analistas do setor marítimo apontam que uma cobrança equivalente a 20% do valor transportado seria extremamente elevada quando comparada aos custos normalmente pagos pelas empresas de navegação.

Hoje, as taxas de transporte representam, em média, entre 2% e 3% do valor das mercadorias movimentadas internacionalmente.

Caso a proposta seja implementada nos termos anunciados, o custo adicional poderá ser repassado ao longo da cadeia produtiva, elevando preços de combustíveis, matérias-primas e produtos de consumo em diferentes regiões do mundo.

Novos ataques elevam tensão

A retomada do bloqueio ocorre no mesmo dia em que foram registrados novos incidentes na região.

O centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) confirmou que dois navios-tanque foram atingidos por mísseis enquanto navegavam pela rota sul do Estreito de Ormuz.

As autoridades britânicas não identificaram oficialmente os responsáveis pelos ataques.

No entanto, os Emirados Árabes Unidos informaram que duas de suas embarcações foram atingidas por mísseis iranianos.

Já a Guarda Revolucionária do Irã declarou ter atacado dois navios que classificou como “supertanques rebeldes”.

Os episódios reforçam o clima de instabilidade na região e aumentam os temores de novas interrupções no tráfego marítimo.

Petróleo e mercados seguem em alerta

A possibilidade de restrições ao fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz continua sendo a principal preocupação dos mercados globais.

Nos últimos dias, a escalada das tensões entre Washington e Teerã provocou forte valorização do petróleo e aumentou a volatilidade nas bolsas internacionais.

Especialistas avaliam que qualquer interrupção significativa na circulação de navios poderá afetar diretamente a oferta mundial de petróleo, pressionar a inflação e dificultar o processo de redução dos juros em diversas economias.

Com informações da CNN Brasil

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