Estação começa nesta terça-feira (22) e deve ter temperaturas acima da média e períodos de chuva mais volumosa no estado
Calor acima da média e chuva intensa podem marcar os próximos meses em Mato Grosso do Sul. É neste cenário que a primavera começa nesta terça-feira (22), sob influência de um El Niño com mais de 90% de probabilidade de atingir a categoria de muito forte e que pode favorecer volumes de chuva acima da média no estado.
A nova estação começa às 21h05 desta terça-feira, no Hemisfério Sul. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a influência do fenômeno deve alterar as condições climáticas em diferentes regiões do Brasil, com efeitos distintos sobre as temperaturas e as chuvas.
Mozar de Araújo Salvador, coordenador de Monitoramento e Previsão Climática do Inmet, explica que o El Niño tem potencial para modificar o comportamento do tempo durante a primavera.
“O El Niño tem potencial para influenciar as condições climáticas no Brasil durante a primavera, especialmente nas regiões Sul, Norte e Nordeste”, afirma Salvador.
Embora a declaração destaque principalmente Sul, Norte e Nordeste, os efeitos do fenômeno também aparecem nas projeções para o Centro-Oeste. Mato Grosso do Sul está entre as áreas com possibilidade de registrar chuvas acima da média durante a primavera.
As projeções do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (CPC/NOAA) indicam ainda 75% de chance de que o El Niño seja o evento mais forte registrado desde 1950.
Calor deve continuar em MS
Além da chuva, as temperaturas devem permanecer elevadas durante a estação. A previsão do Inmet aponta temperaturas acima da média em praticamente todo o país, embora a intensidade varie conforme a região.
Para Salvador, a tendência está relacionada ao comportamento geral da primavera deste ano.
“De modo geral, as temperaturas devem ficar elevadas, podendo ultrapassar a média para o período em praticamente todo o Brasil, variando de intensidade conforme a região”, conclui Salvador.
Em Mato Grosso do Sul, o calor pode aparecer mesmo em períodos com chuva. A combinação de temperaturas elevadas e disponibilidade de umidade favorece mudanças rápidas nas condições do tempo e a formação de áreas de instabilidade.
Chuva pode ganhar força
Durante a primavera, o fluxo de umidade vindo da Amazônia fica mais intenso, levando chuva para o Centro-Oeste, Sudeste e centro-sul da Região Norte. Esse aumento da umidade, associado às altas temperaturas, favorece a formação de tempestades.
Segundo o Inmet, Mato Grosso do Sul pode se destacar pelos maiores volumes de chuva entre as áreas do Centro-Oeste.
“Nessas duas últimas regiões, os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul podem se destacar com maiores volumes de chuvas”, complementa Salvador.
A previsão de chuva acima da média não significa que haverá precipitação intensa de forma contínua durante os três meses. A chuva pode ocorrer de maneira irregular, com períodos mais secos intercalados por episódios de maior instabilidade.
Em outras áreas do país, o comportamento previsto é diferente. O norte do Piauí e o noroeste do Ceará, por exemplo, devem receber menos chuva. Também existe possibilidade de déficit de precipitação no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás.
Na Região Sul, o Inmet prevê ainda a ocorrência de Complexos Convectivos de Mesoescala, grandes aglomerados de tempestades que podem provocar chuva intensa e ventos fortes.
Primavera começa com o equinócio
A chegada da primavera ocorre com o equinócio de setembro, quando os Hemisférios Norte e Sul recebem praticamente a mesma incidência de raios solares. Por isso, dia e noite têm duração semelhante.
O fenômeno acontece duas vezes por ano, em março e setembro, marcando o início da primavera ou do outono, conforme o hemisfério.
A partir do equinócio, os dias passam a ficar gradualmente mais longos no Hemisfério Sul até o solstício de dezembro. Neste ano, o verão começa às 18h50 do dia 21 de dezembro.
No Hemisfério Norte, o processo é inverso. O equinócio de setembro marca o início do outono, e as noites ficam cada vez mais longas até a chegada do inverno em dezembro.
Com informações e imagem de Agência Brasil



















