Inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção envolvendo recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro; Eduardo Bolsonaro também é alvo
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser formalmente investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em julho e apura a possível participação do senador em crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento da produção.
O inquérito tramita sob sigilo. A existência da investigação contra Flávio veio a público depois que Mendonça retirou, na quinta-feira (10), o sigilo de parte dos procedimentos derivados da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras e corrupção relacionadas ao antigo Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
R$ 61 milhões para o filme
A investigação busca esclarecer a origem e o destino de recursos que teriam sido disponibilizados por Vorcaro para a produção de Dark Horse.
Segundo documentos que embasaram a apuração, R$ 61 milhões teriam sido repassados para financiar o filme. A suspeita da Polícia Federal é de que o dinheiro tenha sido disponibilizado a pedido de Flávio.
O senador aparece em gravações divulgadas pelo portal The Intercept Brasil conversando com Vorcaro sobre a obtenção de recursos para a produção.
Flávio não nega a autenticidade dos áudios. Desde que o conteúdo veio a público, afirma que não houve irregularidade e que buscava apenas recursos privados para viabilizar o filme sobre o pai.
A defesa do senador foi procurada, mas não havia se manifestado até a publicação das informações mais recentes da Agência Brasil.
Eduardo Bolsonaro também é investigado
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também aparece entre os alvos da investigação.
A Polícia Federal apura se parte dos recursos destinados ao projeto cinematográfico teria sido utilizada para beneficiar o ex-deputado, que atualmente vive nos Estados Unidos.
O dinheiro teria passado por um fundo chamado Havengate, nos Estados Unidos, administrado por pessoas próximas a Eduardo. A investigação tenta esclarecer se os valores efetivamente foram destinados à produção do filme ou tiveram outra finalidade.
Eduardo nega ter recebido dinheiro de Vorcaro e já classificou as suspeitas contra ele como infundadas.
Delação de operador financeiro
O caso ganhou novo elemento nesta semana com a homologação, por Mendonça, da delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.
Freixo é apontado como operador financeiro de Vorcaro e teria sido responsável por repasses de dinheiro para o fundo Havengate, nos Estados Unidos.
Segundo a investigação, além de transferências internacionais, o doleiro relatou operações envolvendo grandes quantidades de dinheiro em espécie.
A delação foi homologada na quarta-feira (9), dois dias antes da divulgação dos documentos que tornaram pública a existência do inquérito envolvendo Flávio.
Por que o caso está no STF?
A investigação chegou ao Supremo depois de um pedido apresentado pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que solicitou a apuração da relação entre Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o financiamento do filme.
Inicialmente, o caso estava sob análise do ministro Alexandre de Moraes. Em junho, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que André Mendonça fosse o relator da investigação sobre os recursos destinados ao Dark Horse.
Mendonça também é relator de outros procedimentos relacionados ao caso Banco Master.
Sigilo continua no caso Dark Horse
Apesar de ter tornado públicos 15 procedimentos relacionados ao caso Master, Mendonça manteve sob sigilo o inquérito específico que investiga o financiamento de Dark Horse.
A decisão ocorreu após Fachin solicitar maior transparência nos procedimentos relacionados ao Banco Master. O presidente do STF determinou a publicidade das investigações, mas ressalvou a necessidade de preservar diligências cujo sigilo seja considerado indispensável para o andamento das apurações.
Na prática, a existência do inquérito contra Flávio tornou-se pública, mas os detalhes das diligências realizadas pela Polícia Federal permanecem protegidos.
Investigação ocorre em meio à disputa eleitoral
A revelação ocorre em um momento de forte disputa política. Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, e a investigação sobre o financiamento do filme passou a integrar o debate político em torno de sua candidatura.
O caso também se tornou um dos desdobramentos da crise envolvendo o Banco Master, instituição que teve Daniel Vorcaro como controlador.
Além do inquérito relacionado ao Dark Horse, diferentes investigações tentam esclarecer possíveis irregularidades envolvendo o banco, operações financeiras e relações de Vorcaro com políticos, empresários e autoridades.
A apuração sobre Flávio, porém, ainda está em fase investigativa. Ser alvo de um inquérito não significa que o senador tenha sido denunciado ou condenado por qualquer crime. A Polícia Federal ainda precisa reunir elementos para determinar se houve ou não prática criminosa.
Enquanto isso, Flávio sustenta que o dinheiro destinado ao filme tinha origem privada e que não houve irregularidade na tentativa de viabilizar a produção. Eduardo Bolsonaro também nega ter recebido recursos de Vorcaro.
Com informações e imagem da Agência Brasil



















