Dormir bem, manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos e evitar cigarro e álcool em excesso são atitudes que vão além da prevenção de doenças. Esses hábitos também podem influenciar diretamente a fertilidade de homens e mulheres, segundo especialistas em reprodução humana.
O tema ganha destaque neste mês com a campanha Junho Laranja, dedicada à conscientização sobre infertilidade e saúde reprodutiva. A mobilização ocorre em torno do Dia Mundial de Conscientização da Infertilidade, celebrado em 4 de junho, e busca ampliar o debate sobre uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 17,5% da população adulta enfrenta algum tipo de dificuldade para engravidar ao longo da vida, o equivalente a uma em cada seis pessoas.
Embora a infertilidade possa ter diferentes causas, estudos apontam que fatores relacionados ao estilo de vida exercem influência importante sobre a qualidade dos óvulos e dos espermatozoides, afetando as chances de uma gestação.
Segundo a médica especialista em reprodução humana Marília Bonow, hábitos inadequados podem acelerar o desgaste das células reprodutivas e provocar alterações hormonais que dificultam a concepção.
“Fatores como tabagismo, privação de sono, estresse crônico, obesidade e alimentação baseada em ultraprocessados podem reduzir as chances de gravidez. Em contrapartida, hábitos saudáveis contribuem para diminuir processos inflamatórios e preservar a saúde reprodutiva”, explica.
Fertilidade exige cuidados ao longo da vida
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o cuidado com a fertilidade não deve começar apenas quando surge o desejo de ter filhos.
Nas mulheres, a reserva ovariana é definida ainda antes do nascimento. Isso significa que a quantidade de óvulos disponível ao longo da vida é limitada e diminui naturalmente com o passar dos anos.
Além da redução da quantidade, a qualidade dos óvulos também sofre influência da idade e de fatores ambientais.
Nos homens, embora a produção de espermatozoides seja contínua, hábitos prejudiciais podem comprometer a quantidade, a mobilidade e até mesmo a qualidade genética dessas células.
Cinco hábitos que ajudam a preservar a fertilidade
Especialistas apontam algumas medidas simples que podem contribuir para a saúde reprodutiva.
Dormir bem
O sono adequado favorece a produção de melatonina, hormônio que ajuda a proteger as células reprodutivas contra danos oxidativos. A falta de sono também pode interferir na produção de hormônios ligados à ovulação e à fertilidade masculina.
Evitar cigarro e excesso de álcool
O tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas aumentam os danos celulares e podem comprometer tanto a qualidade dos óvulos quanto dos espermatozoides. Entre as mulheres, o cigarro também está associado à redução mais acelerada da reserva ovariana.
Controlar o estresse
Níveis elevados de cortisol, hormônio liberado em situações de estresse prolongado, podem provocar alterações hormonais que interferem na fertilidade. Além disso, situações de tensão contínua costumam afetar o sono e favorecer hábitos prejudiciais à saúde.
Investir em alimentação equilibrada
Dietas ricas em frutas, verduras, legumes, fibras e gorduras saudáveis ajudam a reduzir processos inflamatórios e favorecem o equilíbrio hormonal. Em contrapartida, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados está associado à pior qualidade reprodutiva.
Manter peso adequado e praticar exercícios
A obesidade está relacionada a alterações hormonais que podem dificultar a gravidez. A prática regular de atividade física contribui para o equilíbrio metabólico e melhora as condições gerais do organismo para a reprodução.
Diagnóstico precoce aumenta chances de tratamento
Apesar da importância dos hábitos saudáveis, especialistas alertam que mudanças no estilo de vida não substituem a investigação médica quando existe dificuldade para engravidar.
A recomendação é que casais procurem avaliação especializada caso a gravidez não aconteça após um período de tentativas, especialmente quando a mulher tem idade mais avançada ou apresenta fatores de risco conhecidos.
O diagnóstico precoce permite identificar alterações hormonais, problemas na reserva ovariana, questões relacionadas ao sêmen e outras condições que podem comprometer a fertilidade.
Segundo especialistas, quanto mais cedo a causa é descoberta, maiores tendem a ser as chances de sucesso dos tratamentos disponíveis, já que a fertilidade feminina diminui progressivamente com o avanço da idade.




















